Foto: Rogério Folha

Clima – O Novo Anormal traz arte e realidades sustentadas por pesquisas científicas do Observatório do Clima

Aberta, em Belém, a mostra convida visitantes a compreender de forma visual como a mudança do clima já está transformando o mundo. A mostra fica em cartaz até 8 de fevereiro de 2026, na galeria 3 do Centro Cultural Banco da Amazônia, com entrada gratuita.

Imersiva e urgente, a exposição “Clima – O Novo Anormal” reafirma que arte e cultura são aliadas poderosas na tarefa de sensibilizar o público diante da crise climática.

Enquanto a exposição aproxima a sociedade do tema por meio da linguagem artística, quem ajuda a embasá-la cientificamente é o Observatório do Clima (OC), rede da sociedade civil que há mais de duas décadas monitora políticas ambientais, produz dados, combate a desinformação e pressiona por ações efetivas de descarbonização.

Parte das pesquisas do OC compõe o conteúdo da mostra, que apresenta desde tendências atuais até projeções sobre o futuro climático da Amazônia e da capital paraense. Em Belém para a COP30, o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, reforça que a participação da arte é essencial para dar capilaridade à agenda ambiental.

“A arte traz a população para mais perto da questão. Faz com que as pessoas entendam mais, participem e pressionem pela agenda do clima”, afirma. Para ele, o engajamento de artistas e criadores amplia o alcance das discussões e ajuda a tornar o debate parte do cotidiano.

O secretário executivo do Observatório do Clima Márcio Astrini. Crédito: Dayse Serena. Observaório do Clima

Esse despertar já aparece em filmes, séries, reportagens e outras manifestações culturais. A própria exposição, com roteiro de Claudio Angelo e Fernando Meirelles, é um exemplo desse movimento. Nos painéis, globos, gráficos, simuladores e no “Vocabulário do Clima”, o visitante acessa conceitos essenciais como efeito estufa, combustíveis fósseis, pontos de não retorno e energias renováveis.

Astrini lembra que o “novo anormal” não é futuro distante: está nas prateleiras e no bolso da população. Ele cita o aumento do preço do café causado por colheitas afetadas por eventos extremos em países como Indonésia, Vietnã e Brasil; as tarifas extras na conta de luz quando falta chuva para hidrelétricas; e os prejuízos materiais e humanos provocados por enchentes e tornados no Sul do país.

“O clima mudou, e o impacto na vida das pessoas é total”, resume e alerta que “se as emissões não forem reduzidas, fenômenos como chuvas intensas, tornados mais violentos e secas prolongadas tendem a se intensificar.

“Não temos mais o luxo do tempo. As medidas precisam ser contundentes e urgentes.”

A Amazônia ocupa papel decisivo nesse cenário. “A floresta é um grande estoque de carbono. Quando é devastada ou queimada, perdemos um aliado importante na luta contra a mudança climática”, explica. A exposição destaca essa relação e apresenta dados específicos sobre Belém e a região.

Foto: Rogério Folha

Conexão com a COP em Belém

A poucos metros da exposição, do outro lado da rua, funciona a Central da COP, no Teatro Waldemar Henrique, espaço mantido pelo Observatório do Clima e parceiros para debates, encontros, transmissões e articulações da sociedade civil durante a COP30.

A proximidade física entre os dois locais cria um percurso necessário: visitar a Central da COP, acompanhar discussões técnicas e políticas, e depois atravessar a rua para vivenciar, pela arte, o impacto humano e sensorial dessa mesma crise retratado a diagnosticado pela Clima, O Novo Anormal.

Serviço

Exposição: Clima – O Novo Anormal
Visitação: até 8 de fevereiro de 2026
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia (Galeria 3). Entrada gratuita. Av. Presidente Vargas, 800.

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