Olhares do Marajó: prêmio de fotografia abre inscrições para revelar as histórias contadas na ilha

Entre rios e campos alagados, a Ilha de Marajó se prepara para mais uma celebração de sua própria imagem. Até 6 de setembro, estão abertas as inscrições para o II Prêmio Jota Barbosa de Fotografia, que convida moradores dos 17 municípios marajoaras a registrarem, com o próprio olhar, as histórias e paisagens de sua terra.

Criado em 2024 pelo fotógrafo afuaense Jota Barbosa, o prêmio surgiu para marcar os dez anos de carreira do artista. Agora, em sua segunda edição, amplia horizontes e reforça o protagonismo local.

“Temos que ser protagonistas da nossa história e não esperar que alguém de fora venha registrar o que nós, como moradores, podemos revelar ao mundo”, afirma Jota, que desde cedo aprendeu a traduzir em imagens a vida ribeirinha e a cultura marajoara.

Podem participar fotógrafos amadores ou profissionais que residam em Afuá, Anajás, Bagre, Breves, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Muaná, Oeiras do Pará, Ponta de Pedras, Portel, Salvaterra, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista ou Soure. Cada participante poderá inscrever até três fotos digitais acompanhadas de um breve texto explicativo.

Um júri formado por quatro fotógrafos da Região Norte selecionará 15 imagens finalistas, entre as quais serão escolhidas as três vencedoras. Haverá também um prêmio de voto popular e menções honrosas para todos os selecionados.

A mostra das finalistas será realizada em dois formatos: no dia 17 de outubro, a exposição ocupará uma praça central de Afuá — cidade conhecida como a “Veneza Marajoara”, onde ruas de madeira recebem apenas bicicletas e bicitáxis.

Foto: Uirá Lourenço

No dia seguinte, 18 de outubro, as imagens ganharão as águas em uma exposição flutuante a bordo de um navio, que navegará pelos rios da região. As exibições serão acompanhadas da cerimônia de premiação, apresentações de danças típicas e shows, transformando o evento em um encontro vibrante de cultura e identidade.

O vencedor receberá R$ 1.000, troféu e, caso não seja de Afuá, terá viagem, hospedagem e transporte custeados pela organização. O segundo e o terceiro colocados também serão premiados.

A trajetória de Jota Barbosa é, por si só, um retrato de resistência e talento. Nascido em Afuá, filho de pescadores e agricultores, o fotógrafo de 30 anos é autista e credita à sua condição uma sensibilidade particular na construção de suas imagens.

Com nove prêmios nacionais e seis internacionais, já expôs na Europa e em museus brasileiros, sendo reconhecido em 2022 com o “Prix de L’Artiste de L’Année”, no Museu do Louvre, em Paris. Todas as suas obras premiadas têm a Ilha de Marajó como cenário e inspiração — o território que, mais do que seu lar, é sua maior obra.

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