Após premiação internacional, Seringal Ananin voltou aos holofotes. Em março deste ano, o curte foi premiado como Melhor Filme na categoria Júri Popular da 1a edição do Festival “Elas Nas Telas”, realizado em Belém, na sala Dira Paes, do Palacete Pinho, uma iniciativa que valoriza obras realizadas por mulheres. O reconhecimento chega no momento em que o filme se prepara para ganhar uma nova versão: um longa-metragem com lançamento previsto para 2025.
“Essa premiação representa um marco importante no reconhecimento do trabalho audiovisual realizado, reforçando a importância de produzir filmes que conectam história, meio ambiente e educação”, afirma a diretora Elizabeth Santos.
Para ela, o cinema também cumpre o papel de provocar sensibilização: “Seringal Ananin é importante para trazer conhecimento e conscientização sobre a preservação ambiental, áreas verdes no contexto urbano, patrimônio imaterial e material, memória histórica do ciclo da borracha, sustentabilidade e reciclagem”.
Primeiro filme a conquistar um prêmio desses para o município de Ananindeua (PA), Seringal Ananin lança luz sobre um lugar pouco conhecido fora da região, mas profundamente simbólico: o Museu Parque Seringal. Localizado no bairro do Coqueiro, o espaço resiste no tecido urbano da Região Metropolitana de Belém como um relicário de memória, história e natureza.

O documentário mistura diferentes camadas — histórica, ambiental, afetiva e social — para destacar a importância da preservação de áreas verdes no contexto urbano e da valorização do patrimônio cultural amazônico.
Elizabeth destaca ainda como o contexto político atravessa a produção cultural: “O cenário em que o filme foi gravado e exibido tem um impacto profundo e multifacetado sobre o audiovisual no Brasil, especialmente em lugares como o Pará e Ananindeua, onde a produção muitas vezes precisa se reinventar com poucos recursos. A arte aqui sempre foi uma forma de resistência.”
Lançado em julho de 2023, o curta já circulou por festivais internacionais: foi exibido na Galleryspt, em Madri; em Portugal, em novembro; e no VEMSAC – Paris, em abril, onde recebeu o prêmio de Melhor Documentário (Curta-metragem), na categoria especial.
Com o novo formato, o longa de aproximadamente 75 minutos irá aprofundar a abordagem sobre o Museu Parque Seringal e sua relevância para o território. “O objetivo é sensibilizar ainda mais o público sobre os desafios e soluções para a preservação das áreas verdes em ambientes urbanos”, completa a diretora.
Além de dirigir, Elizabeth Santos também assina o roteiro do filme, que conta com Produção Executiva de Marta Nascimento e Marcelo Santos, Direção de Produção de Graciete Barbosa e trilha sonora de Salomão Habib.
Já visitou o Museu Parque Seringal?

Criado em 2012 como unidade de conservação, o parque ocupa 12 mil metros quadrados de área verde no conjunto Cidade Nova VIII. Ali, se cruzam histórias do Ciclo da Borracha, ações de educação ambiental e o cotidiano de uma cidade que cresce, mas ainda guarda raízes na floresta.
Apesar de ser alvo de críticas por abandono, o espaço recebeu melhorias em 2024, passando por revitalizações como a recuperação do viveiro e da área de lazer.
Agora, graças à força reveladora do cinema, o Museu Parque Seringal ultrapassa os limites do bairro onde está instalado e se projeta como símbolo da resistência cultural, ambiental e histórica da Amazônia. Filmes como Seringal Ananin têm justamente esse poder: trazer à tona o que poderia permanecer esquecido — e dar nova vida ao que merece ser preservado.
(Com informações da assessoria de imprensa e colaboração de Gabriela Moura)


