A Temporada França-Brasil 2025 abre oficialmente no Brasil entre os dias 18 e 23 de agosto, em Brasília, com o Festival Convergências.
A capital federal recebe fóruns, espetáculos e exposições que marcam o início de uma programação que se estenderá até dezembro, em 15 cidades brasileiras, celebrando os 200 anos das relações diplomáticas entre os dois países.
Organizada pelo Instituto Guimarães Rosa e pelo Institut Français, sob a égide dos Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores de Brasil e França, a Temporada soma mais de 300 eventos.
O objetivo é ir além da troca cultural, ampliando cooperações em ciência, educação, meio ambiente e inovação, em um ano simbólico para o Brasil que também sediará a COP30 em Belém.
Na abertura em Brasília, o Fórum Juventude e Democracia reúne 80 jovens franceses e brasileiros em workshops e debates. O Museu Nacional recebe a cerimônia oficial e a performance de funambulismo da companhia francesa Les Filles du Renard Pâle, simbolizando a delicadeza da democracia.
A programação inclui ainda a mostra “Nego Fugido – Memórias Quilombolas”, do fotógrafo Nicola Lo Calzo, além de apresentações de Angélique Kidjo, Puma Camillê e Karla da Silva.
Em São Paulo, a abertura será marcada pelo concerto Brasil-França no Sesc Pompeia e pela exposição “O Poder de Minhas Mãos”, reunindo artistas mulheres de África, Europa e Brasil.

Belém no centro das conexões
Belém é uma das cidades estratégicas da programação. A capital paraense receberá artistas da França, da Martinica e da Guiana Francesa na Bienal das Amazônias, que este ano abre diálogo com o Caribe. Cinco artistas franceses integram a mostra, ao lado de 74 nomes da Pan-Amazônia.
Outro destaque é o seminário “Conexões Amazônicas”, no Museu Goeldi, reunindo cientistas dos dois países para debater biodiversidade e mudanças climáticas, em sintonia com os temas da COP30.
Além disso, em novembro, Belém sediará a instalação imersiva “Kalanã Tapele”, do francês Alex Le Guillou, que articula arte, ciência e tecnologia para revelar antigas civilizações amazônicas através de dados arqueológicos e imagens LiDAR.
Um intercâmbio que deixa raízes
Para a comissária Anne Louyot, a Temporada pretende ir além do calendário festivo e deixar frutos duradouros. Parcerias já estão firmadas, como a continuidade de intercâmbios entre o Conservatório Carlos Gomes, em Belém, e o Conservatório de Caiena (Guiana Francesa).
E também entre o festival Psica (PA) e o Tropique Atrium (Martinica). “A Temporada busca ser um arquipélago de encontros e não apenas uma celebração passageira”, afirma.
Ela ressalta que a cultura tem papel crucial nos grandes fóruns internacionais sobre clima. “A arte é uma ferramenta potente para conhecer o mundo e transformá-lo.
Ao lado da ciência, pode tornar acessível ao público o debate que acontece nos bastidores diplomáticos”, afirma, destacando a relevância de iniciativas que dialogam com a COP30.

Um ano efervescente
A Temporada se organiza em torno de três eixos — clima e transição ecológica, diversidade das sociedades e democracia — e se desdobra em música, cinema, artes visuais, literatura, ciência e gastronomia.
Ao longo de cinco meses, vai criar pontes entre França, Brasil e África, valorizando também as culturas ultramarinas francesas e os saberes indígenas brasileiros.
A programação é também um gesto político-cultural que reafirma a amizade entre os dois países e reposiciona a arte como protagonista no debate sobre democracia, diversidade e futuro do planeta.


