Médico, crítico e pesquisador de cinema. Pedro Veriano faleceu nesta segunda-feira, 6, aos 88 anos, deixando um legado inestimável para a cultura cinematográfica do Pará. Nascido em 1936, dedicou grande parte de sua vida ao estudo e à divulgação do cinema na região amazônica. Além de crítico e pesquisador, se aventurou na realização cinematográfica. Entre 1951 e 1974, dirigiu curtas-metragens e vídeos, contribuindo diretamente para a produção audiovisual local.
Formado em medicina, Veriano conciliou sua profissão com uma paixão profunda pelo cinema. Iniciou sua trajetória como crítico nos anos 1950, escrevendo para diversos veículos de comunicação. Entre 1963 e 2001, foi colunista de cinema no jornal “A Província do Pará”, e posteriormente contribuiu com a coluna de cinema no jornal “A Voz de Nazaré”.
Um dos fundadores da Associação Paraense de Críticos de Cinema (APCC), criada em 1962, Pedro Veriano desempenhou um papel fundamental na promoção da cultura cinematográfica no estado. No final da década de 1960, fundou o cineclube da APCC, contribuindo para a formação de plateias e incentivando a produção local.
É uma tristeza noticiar sua partida, antes dele poder testemunhar a entrega do Cine Olympia requalificado, um de seus grandes sonhos. Consola que em 2024, ele teve a felicidade de ver com os próprios olhos a obra em andamento à convite da prefeitura.
Ao adentrar no cinema em abril, numa visita para imprensa e convidados, em alusão a data da inauguração (24/04/1912), ele recebeu homenagens e se emocionou. Em junho, participou da primeira sessão do Olympia na Rua, exibindo o seu curta “Brinquedo Perdido”, produzido em 1962.
Estamos às vésperas de sair a lista de indicados do Oscar e que ele certamente faria suas apostas para a cerimônia que será em março. Ironia também (?), ele partir um dia após Fernanda Torres receber o Globo de Ouro de Melhor Atriz, enaltecendo o cinema brasileiro, com uma história que Pedro conheceu tão bem, pois viveu naquela época.
Livros e coletâneas de críticas

Como pesquisador, Pedro Veriano publicou obras essenciais para a compreensão da história do cinema paraense. Entre seus livros destacam-se “A Crítica de Cinema em Belém” (1983), “Cinema no Tucupi” (1998) e “Fazendo Fitas” (2004), nos quais registrou a evolução da crítica e da produção cinematográfica na região.
Ao lado de sua esposa, Luzia Álvares – também crítica de cinema – formou um casal emblemático para a cultura paraense. Luzia permanece agora, junto dos filhos, netos e amigos, sustentando o legado de um homem que respirava cinema.
Em 2023, sua contribuição foi reconhecida com a publicação da “Coletânea Pedro Veriano de críticas cinematográficas”, organizada pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará, reunindo uma seleção de suas análises que refletem décadas de dedicação ao cinema.
Sua partida deixa uma lacuna irreparável, mas seu legado permanece vivo nas páginas que escreveu, nos filmes que analisou e nas histórias que contou sobre o cinema no Pará. Pedro Veriano foi, sem dúvida, uma figura gigante cuja paixão e dedicação à sétima arte continuarão a inspirar gerações futuras.



