Nos dias 9 e 10 de agosto, o palco do Theatro da Paz será tomado por um encontro entre dois universos potentes da dança brasileira. A São Paulo Companhia de Dança (SPCD) apresenta, pela primeira vez em Belém, o segundo ato de O Lago dos Cisnes, clássico absoluto do balé mundial, e Agora, obra premiada, e a Companhia de Dança Ana Unger abre os dois dias de apresentações, com Uma Dança Antropofágica.
A parceria tem raízes já fincadas. Ana Unger acompanha a trajetória da SPCD desde sua criação, admirando o trabalho da diretora artística Inês Bogéa, “pela visão de resgate de memórias, a formação de plateias, as oportunidades a bailarinos de todo o Brasil e o virtuosismo técnico que vai do clássico de repertório à nova geração de coreógrafos”.
O vínculo entre as companhias, porém, se estreitou mais quando a SPCD foi convidada do Encontro Internacional de Dança do Pará, promovido pelo Centro de Dança Ana Unger no Theatro da Paz. “É um orgulho receber novamente esse grupo que representa profissionalismo e excelência para a dança nacional e internacional”, reforça Ana.
O conceitual Uma Dança Antropofágica é um espetáculo que une poesia, música e múltiplas linguagens corporais. A obra tem concepção compartilhada com o poeta João de Jesus Paes Loureiro, cuja obra foi reconhecida nesta semana, pela Assembleia Legislativa do Estado, como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará, e é dividida em cinco cenas.
Do Canto do Pajé com música de Salomão Habib, passando pelo poema coreografado A Floresta em Chamas, por trechos de Kuarup em homenagem ao Ballet Stagium, pelo ritual afro Abaluaê de Waldemar Henrique com a energia do breaking e hip hop, até chegar às Bachianas de Villa-Lobos, a coreografia promove encontros antropofágicos entre o clássico e outras estéticas brasileiras.

- O Lago dos Cisnes – II Ato – SPCD. Foto: Silvia Machado
SPCD traz para Belém um momento raro
A execução do segundo ato de O Lago dos Cisnes, obra imortal de Tchaikovsky, gera expectativas enormes no público apaixonado por este clássico, tendo, talvez, a primeira oportunidade de assistir ao vivo e a cores. Para Ana Unger, a experiência será marcante para o público local.
“Em 2004, remontamos o Lago na íntegra com bailarinos paraenses e convidados, mas agora o público verá o virtuosismo técnico e a maturidade artística do corpo de baile da SPCD, numa produção grandiosa. É no ato dois que se encontra o ápice da técnica e da expressividade, com o pas de deux que exige, além de precisão, um amadurecimento interpretativo que toca o espectador”, afirma.

- Cia. Ana Unger. Foto: Divulgação
Cia Ana Unger – efervescência criativa
Em 2024, a Companhia Ana Unger celebra 26 anos e vive um momento intenso, com 24 bailarinos e 10 estagiários selecionados em audições abertas a todo o Pará.
Na agenda, além de participações em óperas e festivais, o grupo prepara Amazônia Motirô, espetáculo que será apresentado em 19 de novembro, durante a COP30, no Theatro da Paz, com música de Thiago D’Albuquerque, vídeo-cenário de Roberta Carvalho e figurinos em materiais reciclados assinados por Jackie Carvalho. Entre os convidados estão a soprano Juliana Brabo, o percussionista Kleber Benigno e a artista indígena AYRA Amana.
A companhia também assina a coreografia do espetáculo Cronos Ecológico na Free Zone da COP e participa da temporada de Depois da Chuva – A História de Belém, em outubro e dezembro.
O encontro de agosto no Theatro da Paz, portanto, não é apenas uma programação de dança – é a celebração de trajetórias, parcerias e olhares que ampliam o repertório cultural da cidade. Uma oportunidade rara de ver, na mesma noite, a poesia coreográfica de Ana Unger e o virtuosismo clássico da SPCD.
Serviço
São Paulo Companhia de Dança apresenta o 2º ato de O Lago dos Cisnes + abertura com Companhia Ana Unger em Uma Dança Antropofágica. Dias 9, às 15h e 20h, e 10 de agosto de 2025, às 17h. No Theatro da Paz – Rua da Paz, s/n, Centro, Belém (PA). Ingressos na bilheteria e vendas online: TocketFácil. Classificação indicativa: Livre.


