Foto: Divulgação/CCBA

Belém recebe a 2ª Bienal das Amazônias no ano da Temporada França-Brasil

A cidade de Belém se prepara para receber, a 2ª Bienal das Amazônias, que se estende de 27 de agosto (semana de abertura) a 30 de novembro de 2025 no Centro Cultural Bienal das Amazônias.

O conceito desta edição é o “Verde-distância”, inspirado na obra Verde Vagomundo (1972), do escritor paraense Benedicto Monteiro. A proposta é pensar a Amazônia como uma tecnologia sofisticada de vida e conhecimento, onde o sonho, o afeto e a escuta se configuram como ferramentas de criação e transmissão de saberes.

“Sonhar é também uma forma de escutar e de imaginar outros mundos possíveis. Queremos que a Bienal seja espaço de encontros entre geografias, corpos e memórias da Pan-Amazônia e do Caribe, articulando novas formas de pensar e viver”, afirmou Manuela Moscoso, a curadora geral.

Ela explica que a 2ª Bienal das Amazônias – Verde-Distância é fruto de um processo curatorial construído por meio de visitas, escutas e pesquisas em territórios brasileiros como Marajó, Amapá, Acre e Boa Vista, e pan-americanos como Guiana, Suriname, Peru, Equador, Colômbia, entre outros territórios.

“Buscamos criar uma exposição que amplifique o trabalho dos artistas e que atue como experiência sensível e intelectual para quem a atravessa. Uma curadoria que se constrói como narrativa viva, feita de encontros entre práticas distintas, vozes múltiplas e presenças potentes da região pan-amazônica e para além dela”, afirma Moscoso.

O evento integra o calendário da Temporada França-Brasil e reúne 74 artistas e coletivos de 11 países da Pan-Amazônia e Caribe, em uma grande celebração das artes contemporâneas e das múltiplas vozes do território.

Manuela Moscoso. Foto: Divulgação

Equatoriana radicada em Nova York, diretora do CARA – Center for Art, Research and Alliances, e formada em Belas Artes pela Central Saint Martins (Londres), mestre em Estudos Curatoriais pelo Bard College (EUA), Moscoso é reconhecida por trabalhar de forma colaborativa e sensível às especificidades territoriais.

A programação foi desenhada de forma colaborativa, com curadoria adjunta de Sara Garzón, co-curadoria de programa público de Jean da Silva e o eixo pedagógico coordenado por Mônica Amieva. O objetivo é estabelecer diálogos entre corpos, territórios e memórias, numa perspectiva que conecta a floresta, os Andes, as águas e o Caribe.

Além das exposições, a bienal contará com debates, ações educativas e atividades que reforçam a ideia de arte como ecossistema, compreendendo o humano e o não humano em redes de reciprocidade. Viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, o evento tem patrocínio master do Nubank, Shell e Instituto Cultural Vale, e apoio do Mercado Livre, Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA) e Fadesp.

A semana de abertura será marcada por uma programação intensa de performances e encontros públicos. Um dos momentos centrais será a homenagem ao artista acreano Roberto Evangelista (1947–2019), cuja trajetória combinou performance, vídeo criação, escrita e pedagogia como formas de resistência cultural e preservação de histórias afro-amazônicas e indígenas. Evangelista é reconhecido como figura fundamental e pioneiro da arte na região.

O público será convidado a participar das Assembleias Verde-Vagomundo – rodas de conversa que reúnem artistas participantes, curadores e visitantes em torno de práticas, experiências e formas de escuta e conversa. Inspiradas na escrita de Benedicto Monteiro, as assembleias são espaços de pensamento partilhado, onde se cruzam vozes, percursos e territórios.

Em cada encontro, os eixos sensíveis da Bienal – sonhos, memória, sotaque e distância – orientam os diálogos, que acontecem sem hierarquias e com atenção ao que se constrói entre as falas. São momentos em que a presença coletiva se afirma como método curatorial.

A mostra ocupa os oito mil metros quadrados do Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA), reunindo obras que atravessam espiritualidade, sonoridade, corporalidade, narração e resistência. Em vez de impor um percurso fixo, a exposição se constrói como território em movimento, onde práticas artísticas se entrelaçam com histórias, ritmos e formas de viver.

Conforme Manuela Moscoso, é um lugar que convida à presença, à pausa e à escuta. “Queremos criar uma experiência que se afirme com densidade e cuidado, um percurso encarnado, feito de encontros, intervalos e sentidos que não se fecham”, finaliza.

A identidade visual da 2ª Edição da Bienal das Amazônias foi criada pela designer Priscila Clementti e pelo artista Bonikta. A expografia é assinada pela arquiteta Isabel Xavier, segundo a qual o projeto expográfico pensou espaços que convidam as pessoas a acessarem de maneira ativa e criativa o exercício do sonho.

“O gesto construtivo preza pela bioeconomia amazônida e formas de presença conectadas ao território, agregando valor e fortalecendo as cadeias produtivas locais em consonância com a multiplicidade de sotaques proposta pela curadoria”, explica Isabel.

Programação

Semana de abertura, de 27 a 31 de agosto

Quarta-feira (27), a programação no CCBA, a partir das 12h, inclui performance de Delfina Nina (ativação de obra, 2º piso); performance de Nathyfa Michel (ativação de obra, 2º piso); pintura-performance de Nathalie Leroy Fiévée (ativação de obra, 3º piso); Assembleia Verde-Memória, a partir das 15h30, com moderação de Manuela Moscoso; e performance de Akha (Sonhário) a partir das 18h.

Quinta-feira (28), continua a programação no CCBA a partir das 15h30 com a Assembleia Verde-Distância moderada por Sara Garzón; e a performance Destemplado, de Wilson Diaz (Sonhário), a partir das 18h.

Sexta-feira (29), o público poderá assistir no CCBA. a partir das 12h a performance de Mapa Teatro/Nukak e Mali Salazar, além de participar da Assembleia Verde–Sotaque, que reúne artistas como Astrid González, Dayro Carrasquilla, Emperatriz Plácido San Martín, entre outros, em uma conversa sobre linguagem, identidade e território.

Sábado (30), as performances continuam no CCBA a partir das 11h30 com Gwladys Gambie, Rubén Barrios e novamente Mapa Teatro/Nukak. A partir das 16h30, as programações ocorrerão no Ver-o-Rio, começando com a Assembleia Verde–Sonhos, mediada por Jean da Silva, com artistas indígenas e amazônicos discutindo o sonho como forma de conexão e saber. Às 18h ocorrerá uma performance de Roberto Evangelista, em que o público será convidado a interagir à beira do rio, encerrando com atividades até às 22h.

Domingo (31), a programação no CCBA segue com uma performance de Roma Rio às 12h30, marcando o encerramento do ciclo de atividades do fim de semana.

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