Está em Belém com 4 sessões no Theatro da Paz, de 29 a 31 de agosto, o espetáculo “A Última Sessão de Freud”, de Mark St. Germain. Dirigida por Elias Andreato, a peça reúne Odilon Wagner e Marcello Airoldi em cena, interpretando Sigmund Freud, o pai da psicanálise, e C.S. Lewis, escritor e crítico literário britânico.
O cenário, que reproduz o gabinete de Freud e chegou a Belém, numa carreta de 12 metros, realçando a ambientação do espetáculo que se passa em 1939, quando Freud já estava exilado em Londres.
O encontro fictício entre os dois intelectuais dá forma a uma trama intensa e provocadora, onde religião, ciência, filosofia e humanidade se cruzam em diálogos afiados. Sucesso de público e crítica em todo o país, a montagem já foi assistida por mais de 150 mil pessoas em mais de 350 apresentações desde 2022.

- Foto: João Caldas
Odilon Wagner, indicado aos prêmios Shell, APCA e Bibi Ferreira, revela que interpretar Freud foi um dos maiores desafios de sua carreira. “O grande desafio foi não fazer caricatura e sim tratar da humanidade desse gênio, o personagem mais caricaturado do planeta. Quem era esse homem aos 83 anos, pai, avô amoroso, mas ainda se questionando sobre a vida, Deus e a finitude? Aos 71 anos, considero este talvez o momento mais empolgante e inspirador da minha trajetória como ator”.
Já Marcello Airoldi, que dá vida a C.S. Lewis, destaca a complexidade de entrar em um espetáculo que já era sucesso de público e crítica. “Interpretar C.S. Lewis nessa montagem foi muito desafiador, porque eu entrei, em 2024, numa peça que já havia feito turnês e temporadas em São Paulo”.
O ator diz que precisa seguir toda a partitura construída pelos atores na montagem, sem mudar nada, mas, ao mesmo tempo, trazer frescor. “Ter um parceiro como Odilon e um diretor como Elias foi a receita certa para que esse desafio se transformasse em aprendizado e renovação a cada apresentação.”

- Foto: João Caldas
O texto de St. Germain, inspirado no livro Deus em Questão, de Armand M. Nicholi Jr., professor da Harvard Medical School, apresenta Freud como crítico ferrenho da crença religiosa em debate com Lewis, ex-ateu convertido ao cristianismo. O embate entre razão e fé se expande para temas como o sentido da vida, a morte, a sexualidade e a natureza humana, em uma dramaturgia marcada pelo humor, pela ironia e pela capacidade de provocar reflexões universais.
Para o diretor Elias Andreato, o segredo do espetáculo está no protagonismo da palavra e na entrega dos atores. “A peça traz ideias imensas — Deus, o inconsciente, a finitude — mas o palco pede carne, sangue e silêncio. O humor de Freud, sua fragilidade e a dúvida de Lewis transformam essas ideias em drama, não em palestra. É pensar sentindo, sentir pensando”, afirma.
Considerada um dos maiores sucessos recentes do teatro brasileiro, a montagem conta com cenografia e figurino de Fábio Namatame, indicado ao Prêmio Shell, que recria em detalhes o consultório londrino de Freud. “O cenário é quase um terceiro personagem da peça, tão envolvente, detalhista em sua decoração, que o público sente como se estivesse dentro do gabinete, participando de uma sessão”, define Odilon.
Serviço
“A Última Sessão de Freud” será apresentada em Belém com patrocínio do Banpará. Os ingressos variam entre R$ 30 e R$ 180 e estão disponíveis na plataforma Ticket Fácil e na bilheteria do teatro. A temporada terá sessões na sexta, às 20h; no sábado, às 16h e às 20h, e no domingo, às 18h, com classificação indicativa de 14 anos e duração de 90 minutos.



