“Um baile em forma de disco”. É assim que Os Dinâmicos apresentam o novo trabalho que chega às plataformas digitais neste 8 de outubro, em total clima de Círio de Nazaré, ou seja, em tempos de fé e muita festa.
Os Dinâmicos – Baile da Guitarrada traz dez faixas autorais que condensam a força da tradição criada por Mestre Vieira e a vitalidade de músicos que seguem reinventando o gênero.
O repertório é um passeio pela sonoridade amazônica: merengue, cúmbia, brega e carimbó se entrelaçam na batida da guitarrada. O resultado é um álbum que honra a tradição, mas não se prende ao passado. Os arranjos, assinados em sua maioria por Cassiano Neto, com participação de Dejacir Magno, Luís Poça e Wesley Souza, dão frescor às composições.
O sax de Marcelo Cardoso, o trombone de Daniel Corrêa e o trompete de Nael Carvalho formam uma “metaleira dinâmica” que colore faixas como “Cumbia da Barca”, em que o solo de sax se destaca com brilho próprio.
O disco abre com uma guitarrada raiz: “Vamos Sacudir!”, convidando o ouvinte para o baile. Em seguida, mergulha em levadas de merengue e cúmbia, mostrando como a guitarra paraense sabe dialogar com a latinidade. O brega aparece como marca afetiva e popular, enquanto o carimbó reafirma a identidade amazônica que atravessa toda a obra.
As guitarras de Lauro Honório (base) e Wesley Souza (solo) estabelecem um diálogo de gerações: a experiência do pioneiro encontra o talento do jovem instrumentista. O teclado de Luís Poça dá textura melódica, enquanto a bateria de Jairo Rocha e a percussão de Carlos Canhão sustentam o corpo rítmico que leva inevitavelmente à dança.

Tradição e frescor do gênero
O álbum Os Dinâmicos – Baile da Guitarrada, que chega a todas as plataformas digitais, retoma e reforça essa tradição. Dejacir Magno, o crooner lendário da lambada e hoje vocalista da banda, vê o trabalho como ferramenta de continuidade:
“Seguimos a tradição dos anos iniciais do gênero, mas abrimos espaço para os novos músicos trocarem experiências com a nossa maturidade.”
Para Luís Poça, tecladista, gravar esse álbum significa não deixar o fio da história se romper: “Manter viva uma cultura musical e difundi-la é valorizar a sua criação e levar o legado de Mestre Vieira para novas gerações.”
Já Lauro Honório, guitarrista base que esteve desde as primeiras gravações com Vieira, define a experiência como um privilégio: “É como ver um filho crescer. Esse álbum é um tributo ao Mestre e à guitarrada que criamos juntos. É orgulho e gratidão.”
Da nova geração, Wesley Souza, 22 anos, escolhido após audição para assumir a guitarra solo — instrumento que define o gênero — fala com entusiasmo sobre a responsabilidade: “É ajudar a preservar e difundir a história da guitarrada, refletindo a alma cultural do Pará e da Amazônia.”
Ao lado dele, o baterista Jairo Rocha, que integra o grupo desde 2015, reforça: “É maravilhoso poder contribuir para esse legado que hoje é reconhecido como patrimônio cultural brasileiro.”
O lançamento, em pleno outubro — mês em que Mestre Vieira completaria 91 anos —, é simbólico. É como se o criador do gênero estivesse cuidando, de algum lugar, para que a festa nunca termine.
“É um trabalho feito para dançar, mas também para marcar a história. Cada faixa carrega um pouco do que somos: a herança de Vieira, a vivência de palco, o diálogo com novas gerações”, resume Cassiano Neto, diretor musical e baixista do grupo.
Produzido por Carlos Canhão Brito Jr., o álbum foi gravado em Barcarena e Belém, entre maio e julho de 2025, e finalizado no StudioZ com Thiago Albuquerque.
Patrimônio e resistência
Depois de ser reconhecida como patrimônio cultural de natureza imaterial do Pará, em 2011, a guitarrada foi também declarada Manifestação da Cultura Nacional em 2025. Antes, Vieira recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Cultural, em 2008, e, dez anos depois, em 2018, já in memoriam, a Funarte e a UFF entregaram aos filhos do músico uma placa de reconhecimento às contribuições de Mestre Vieira à cultura brasileira.
Lançar esse disco agora, além de homenagea-lo (sempre), também me remete à história, em que registra-se o reencontro desses músicos pioneiros que ajudaram a escrever essa história. Até 2011, Dejacir Magno, Luís Poça e Lauro Honório não imaginavam que voltariam a dividir o palco juntos.
Naquele ano, estávamos registrando as primeiras cenas do que viria a ser o documentário Coisa Maravilha – A Invenção da Guitarrada, longa metragem que estamos prestes a lançar. Foi quando os encontramos e, logo depois, os reunindo a Mestre Vieira os trouxemos para os palcos, juntos novamente.
A chama se reacendeu, Os Dinâmicos voltaram. Este é o segundo CD da carreira do grupo que hoje vive um novo tempo, unindo três gerações em um mesmo projeto, com dez faixas autorais que misturam merengue, cúmbia, brega, lambada e, claro, a guitarrada em sua essência mais dançante.
O álbum foi possível graças ao edital Rouanet Norte, política pública de cultura que visa descentralizar a distribuição dos recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O patrocínio é da Caixa, Banco da Amazônia, Banco do Brasil e Correios.
O Baile da Guitarrada Lab Música, projeto que reúne também ações formativas e do qual nasce este álbum, promove legado, traz essência, salvaguarda e futuro. É como se o passado nos ensinasse a estar presentes. Viva a guitarrada, parabéns, Dinâmicos. Vamos Sacudir!
Ouça: Os Dinâmicos – Baile da Guitarrada



