Iniciativa liderada pelo fotógrafo Miguel Chikaoka propõe transformar o ambiente escolar por meio da fotografia e da arte-educação, com lançamento previsto para a COP 30.
Fruto de uma parceria entre a Associação Fotoativa (Brasil) e a Maison de la Photographie Guyane-Amazonie (MAZ), da Guiana Francesa, o “Paneiro Luminoso” teve início em maio e deve se estender até dezembro de 2025, culminando em lançamentos no Brasil e na França.
Um projeto inovador voltado à educação ambiental e à valorização da identidade amazônica está em curso nas escolas públicas de Belém e de municípios vizinhos.
A proposta nasce do encontro de duas instituições com trajetórias marcadas pelo engajamento social, educacional e ambiental em territórios amazônicos. Sob a liderança do fotógrafo e arte-educador Miguel Chikaoka, o projeto busca inserir nas escolas um dispositivo educativo baseado em múltiplas linguagens e experimentações com a luz e a imagem.
A fotografia como ferramenta de transformação

Inspirado na “Maleta Pedagógica”, recurso desenvolvido pelo MAZ para estimular práticas educativas por meio da fotografia em escolas da Guiana, o Paneiro Luminoso adapta e amplia essa proposta ao contexto brasileiro. A ideia é promover uma abordagem interdisciplinar, convidando professores de diferentes áreas a explorarem a linguagem visual como recurso didático.
“Não temos como conceituar objetivamente o que é o Paneiro, dado que é um trabalho processual, aberto a todas as interferências dos atores participantes. Ele se expande a cada olhar, a cada participação”, explica Chikaoka, que desde os anos 1980 desenvolve metodologias próprias de arte-educação, hoje referência nacional.
O projeto percorre escolas em diferentes contextos — urbanos, rurais, quilombolas, indígenas e de assentamentos —, sempre partindo das realidades locais para construir experiências formativas com os estudantes e a comunidade.
Impacto pedagógico e social

Segundo Silvia Sousa, professora de sociologia e educação ambiental na Escola Estadual Antônio Lemos, em Santa Izabel do Pará, o impacto nas salas de aula é imediato. “As ações mobilizam o imaginário e ativam dimensões criativas que muitas vezes ficam adormecidas no cotidiano da escola. A imagem convoca sentidos, cria pontes entre o conhecimento e a vivência dos alunos”, destaca.
Além de promover a arte-educação, o Paneiro Luminoso visa fomentar o debate sobre sustentabilidade, incentivando práticas ecológicas no dia a dia escolar e comunitário. A parceria entre Fotoativa e MAZ foi fortalecida ao longo dos últimos anos.
Em 2021, a Fotoativa participou da Bienal Internacional Rencontres Photographiques de Guyane, promovida pela então Tête dans les Images (atualmente MAZ). No ano seguinte, a equipe guianense esteve em Belém com uma exposição de artistas da Guiana Francesa, intensificando os laços entre as instituições.
Karl Joseph, diretor artístico do MAZ, celebra a união: “Essa iniciativa encarna uma vontade comum de fazer da fotografia uma ferramenta de criação, de transmissão e de transformação, em ressonância com as realidades amazônicas.”
A primeira fase do projeto será apresentada oficialmente durante a COP 30, em novembro, por meio de uma publicação impressa e um evento com os principais envolvidos. Em dezembro, o projeto também será destaque na Maison de la Photographie Guyane-Amazonie, com uma exposição das imagens produzidas ao longo da jornada educativa.
Serviço
Projeto Paneiro Luminoso
Parceria: Associação Fotoativa (Brasil) e Maison de la Photographie Guyane-Amazonie (Guiana Francesa)
Período: Abril a Dezembro de 2025 (1ª fase)
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