A COP 30 foi um momento decisivo para propor ao mundo trocas e soluções ancestrais diante de problemas que atravessam diversas comunidades tradicionais — especialmente os povos originários, guardiões da floresta e da natureza. Mas de que forma as linguagens artísticas dialogaram com tudo isso?
Conversamos com o cineasta, fotógrafo e produtor cultural Eduardo Souza, que assina a curadoria e coordenação da 10ª Mostra de Cinema da Amazônia que, durante os dias da conferência, realizou programação intensa, com debates e a participação de nomes atuantes na pauta ambientalista.
“A câmera é uma flecha.” A frase usada pelos povos indígenas amazônicos conduziu o conceito desta edição, já que, como destaca Eduardo Souza, o cinema é uma arma de novas estratégias a favor da biodiversidade e dos ecossistemas atualmente ameaçados.
A 10ª edição, celebrando 20 anos de trajetória, consolidou-se como a mais ativa e engajada de todas. Reuniu convidados como Davi Kopenawa, Juma Xipaia, Vanda Witoto, Txai Suruí, Almir Suruí, Neidinha Suruí, Ehuana Yanomami, Takumã Kuikuro e outras lideranças indígenas fundamentais para a agenda climática e sociocultural da Amazônia.
Para Eduardo Souza, o cinema dita regras, conduz ideias, difunde comportamentos e molda formas de ser e estar no mundo. É veículo de denúncia, manifesto e mobilização — capaz de impulsionar mudanças regionais, intercontinentais e até planetárias. “A partir dos microcosmos revelados, podemos compreender o todo e traçar estratégias reais para a preservação dos povos e da biodiversidade do planeta”, reforça.

Ele alerta: “É hora de agir, e o cinema está aqui para auxiliar no esclarecimento dessas necessidades, no conhecimento das problemáticas e na compreensão mais profunda dos nossos ancestrais, que trabalham por esta casa há milênios, mas seguem inviabilizados pelos grandes conglomerados empresariais que decidem os rumos do planeta.”
Realizada durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a edição aconteceu em um momento de forte ascensão do audiovisual no Norte do Brasil — tanto em quantidade de produções quanto em qualidade técnica e narrativa.
Com o lema “Cinema como Ação Climática”, o balanço da mostra foi positivo: recebeu convites de grandes festivais e instituições internacionais, e já marcou datas para circular pela Inglaterra, Itália, Holanda e Estados Unidos em 2026.
Entre os filmes exibidos, estiveram documentários premiados que levantam questões essenciais para o equilíbrio ambiental global a partir da Amazônia, como A Queda do Céu, Somos Guardiões, Minha Terra Estrangeira, Yanuni, Amazônia, a Nova Minamata?, A Última Floresta, Segredos do Putumayo, Arquivo Aberto, Carimbó, entre outros.
As sessões gratuitas ocorreram no Cine Líbero Luxardo, Instituto de Ciências da Arte (ICA-UFPA), Museu da Imagem e do Som do Pará (MIS-PA) e Cine Sesc Ver-o-Peso.
A mostra teve realização do Instituto Cultural Amazônia Brasil e da produtora Mekaron Filmes, em parceria com o Observatório do Clima, Museu Nacional dos Povos Indígenas, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), MIS-PA, Sesc Ver-o-Peso, Cine Líbero Luxardo, Fundação Cultural do Pará, Sommos Amazônia, Associação Raízes da Tradição e Festival AnimArte.


