A exposição Fototaxistas, resultado do Lab Fototaxia realizado pela Kamara Kó Fotografias sob a condução do fotógrafo Miguel Chikaoka, chega ao seu encerramento neste final de semana com programação especial nos dias 4 e 5 de outubro. O projeto foi premiado pelo edital PNAB-Belém.
No sábado, 4, às 10h, haverá roda de conversa aberta ao público com a participação dos coletivos Noite Suja, Vadios, Mulheres por Elas e Cultura da TF, propondo reflexões sobre processos criativos, identidade, circulação e gestão de corpos coletivos no cenário contemporâneo.
“O espaço da roda de conversa foi concebido como um compromisso coletivo, garantindo que cada grupo que integrou as oficinas tivesse uma cadeira nesse momento final”, diz Miguel Chikaoka.
O Lab Fototaxia promoveu encontros de abril a agosto e inaugurou a exposição no dia 29, reunindo uma pluralidade de trajetórias entre mais de 30 inscritos, de iniciativas recém-criadas a coletivos com décadas de atuação. Ele chama atenção ainda para um aspecto que trouxe certa complexidade à condução das atividades: a diversidade de interesses entre os coletivos.

“Alguns estavam mais voltados a potencializar seus mecanismos de difusão e divulgação, enquanto outros priorizavam a produção ou o resgate de memórias. Essa pluralidade, embora desafiadora, acabou enriquecendo o processo como experiência”, continua Miguel.
Já no domingo, 5, a partir das 9h, o público é convidado para apresentações artísticas de coletivos e integrantes como Krishna Shakti, o Boi Acordado da Pedreira (Auto + Cortejo), Priscila Cobra, Mateus Moura e o Boi Vagalume da Marambaia, culminando em um animado cortejo até a Praça das Mercês.
Neste mesmo dia, será também a última oportunidade de visitar a mostra, aberta das 10h às 17h, com monitoria dos próprios participantes e tradução em Libras no turno da manhã. A programação de encerramento no domingo também se insere na 58ª edição do Circular Campina Cidade Velha.
A proposta foi refletir sobre o papel da fotografia na contemporaneidade, sua relação com memória, acervos e as múltiplas possibilidades de expressão e formação. Para Miguel Chikaoka, que há mais de 40 anos atua como provocador de olhares e experiências no campo da fotografia expandida, a iniciativa reafirma o poder da imagem como linguagem coletiva e transformadora.

O fotógrafo descreve o processo como desafiador. “Apesar dos obstáculos, alguns coletivos se dedicaram de forma mais intensa e chegaram a desenvolver trabalhos conjuntos, como o vídeo apresentado, resultado de uma criação coletiva produzida nos intervalos possíveis e conciliando agendas distintas. O resultado foi bem recebido e, agora, a exposição caminha para sua finalização, com o finissagem celebrando esse percurso”, conclui.
Integrante do coletivo da comunidade rural Pindorama, em Curuçá/PA, Gleyce Monteiro compartilha como a oficina ampliou seu olhar sobre o que é essencial e sobre o papel da fotografia em sua vida e em sua comunidade.
“Participar da oficina foi além do que eu pensava sobre acesso ao essencial: é uma quebra de paradigma sobre o que realmente é essencial. Compreendi que é muito importante saber ‘ver’ o mundo, através dos processos que a luz nos permite, e a partir daí poder falar de nós mesmos e do que queremos. Ser um fototaxista é isso: um veículo dos estímulos da luz, que nos dá inúmeras possibilidades de ‘ler’ e contar sobre nós no passado, presente e futuro”, diz Gleyce.
Serviço
Sábado, 4/10 – 10h | Roda de conversa com os coletivos Noite Suja, Vadios, Mulheres por Elas e Cultura da TF.
Domingo, 5/10 – A partir das 9h
Visitação: domingo, 10h às 17h (com monitoria dos participantes e tradução em Libras das 10h às 12h).
Local: Kamara Kó Fotografias – Frutuoso Guimarães, 611, Campina. Belém/PA


