A apresentação do Cravo Carbono no Festival Psica, nesta noite de sábado, 13 de dezembro, no Mangueirão, marca um dos encontros mais significativos da música paraense contemporânea. A banda foi fundamental para a consolidação de uma linguagem urbana amazônica a partir do fim dos anos 1990.
Formado por Lázaro Magalhães (voz, letras e percussão), Pio Lobato (guitarra), Bruno Rabelo (baixo) e Vovô (bateria), o Cravo Carbono construiu uma sonoridade própria ao cruzar poesia, experimentação e diferentes gêneros musicais.
O grupo volta ao palco em um momento de reafirmação artística e de reconhecimento de sua trajetória.
Ao show no Psica, a banda traz repertório que percorre diferentes, mas não se trata de um episódio nostálgico. O som, sempre atual da Cravo Carbono a torna apta a ganhar o mundo, quando quiser.
A banda lançou três álbuns que abriram caminhos estéticos hoje explorados por novas gerações. O de estreia, Cravo Carbono (1999), apresentou uma banda disposta a ir além do que se fazia naquele momento. Causou impacto imediato.

Em pouco tempo, o grupo passou a ser visto como um dos trabalhos mais fortes da cena local, num período em que as principais referências do rock ainda vinham de fora do Brasil. As músicas fugiam do óbvio. Eram fragmentadas, mais próximas de climas e sensações do que de canções tradicionais.
Ali surgiam as características que marcariam o grupo, como o diálogo entre sons orgânicos e eletrônicos e um olhar atento sobre a Belém urbana.
Com Peixe Vivo (2001), o grupo passou a ser referência por tratar a cultura amazônica como matéria contemporânea, inserida em uma lógica de criação autoral e crítica. Em Córtex (2007), o Cravo Carbono chega a um ponto de maturidade. O disco chega muito bem resolvido, com equilíbrio entre ousadia e controle. As músicas trabalham com ideias de percepção e memória e mostram maior domínio do tempo, dos silêncios e das variações de intensidade.
Viver novamente um festival, também poderia ser nostálgico para a banda, que circulou por importantes festivais do país: Rec Beat (Recife), Mercado Cultural (Salvador) e Calango (Cuiabá), além de integrar mapeamentos da música brasileira contemporânea.

Importante tambem foi que no apagar das luzes dos anos 1990, Pio conhece Hermano Vianna, gravando o programa Música do Brasil, episódio no qual se foca a obra de Mestre Vieira.
A banda nem está presente mas Gilberto Gil na apresentação cita o nome do grupo como um dos novos nomes da cena do novo rock paraense. A cena é clássica e está no Youtube.
Em 2001, o Cravo participou do projeto Rumos Itaú Cultural, em São Paulo, e emplaca “Recado para Lúcio Maia”, composta por Pio Lobato e registrada no álbum Peixe Vivo, na trilha sonora do filme Deus é Brasileiro, de Cacá Diegues, mas após 12 anos o grupo encerra as atividades.
A partir de 2008, os integrantes seguiram caminhos próprios. Pio Lobato consolidou carreira solo e assumiu a produção do projeto Mestres da Guitarrada, além de atuar, desde 2015, como produtor musical da Dona Onete. Lázaro Magalhães e Bruno Rabelo fundaram o grupo Maquine, ativo entre 2010 e 2012.
Vovô, além de parcerias com Pio Lobato e Dona Onete, passou a investir em seu trabalho autoral, Massa Grossa. Já Bruno Rabelo criou, no fim de 2012, o grupo Cais Virado e, a partir de 2018, passou a coordenar o Clube da Guitarrada.
E aí que o Festival Psica acerta outra vez. Depois dessa, e tem Manga Verde, há várias bandas que eu gostaria de rever também neste palco. E vocês? Os ingresso para este sábado, 14, e domingo, 15, podem ser obtidos aqui: bilheteria


