Léa Freire (Foto: Caroline Bittencourt)

Léa Freire celebra 50 anos de carreira com concerto, oficinas, cinema e bate papo em Belém

A compositora, arranjadora e flautista Léa Freire, uma das mais importantes artistas brasileiras, se apresenta ao lado da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, no Theatro da Paz, em Belém, no dia 12 de março. O evento faz parte das comemorações de 50 anos de carreira da artista e é uma oportunidade rara para o público paraense vivenciar sua música em uma formação sinfônica.

A expectativa é de uma viagem por universos musicais que transitam entre o erudito, o jazzístico e o popular, com uma abordagem sensível e inovadora da música brasileira. O repertório traz obras da flautista reunidas no álbum “Cartas Brasileiras”, lançado em 2007, com arranjos de mestres do gênero, como Nailor Proveta, Gil Jardim, Felipe Senna e Luca Raele. A regência, em Belém, será do maestro Felipe Senna, parceiro musical de Léa há mais de 25 anos.

Em entrevista ao Holofote Virtual, Léa Freire compartilhou sua empolgação com o concerto. “Realizar esse repertório sinfônico ao vivo é uma alegria imensa e, pela primeira vez, estaremos fazendo isso fora da região Sudeste. É uma grande oportunidade para expandir a nossa música e, ao mesmo tempo, celebrar 50 anos de trajetória”, revelou.

Ela também falou sobre a expectativa de vir a Belém. “Estou muito feliz de ter a oportunidade de conhecer finalmente a cidade de Belém do Pará e ao mesmo tempo colaborar com a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz”.

Apesar de ser sua primeira vez em Belém, Léa Freire demonstra um carinho e respeito evidentes pela cena musical da cidade, que mistura influências amazônicas, populares e eruditas. “Já conheço alguns músicos de Belém, como os irmãos Taufic, Eduardo e Roberto, e o violonista Sebastião Tapajós, que têm reconhecimento internacional”, cita.

E acrescenta: “Também sou fã da jovem violonista e compositora Camila Alves, que estará no concerto com a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz. A conexão da minha música com a musicalidade da cidade será algo muito especial, e estou ansiosa para vivenciar essa troca”, compartilhou Léa.

Alaide Costa, Filo Machado e Lea Freire – Documentário será exibido no Líbero Luxardo (Foto: Divulgação)

Oficinas e outras ações se espalham na cidade

Além da apresentação, Léa Freire participa de atividades paralelas que têm como objetivo aproximar ainda mais o público da sua música e da sua visão artística.

Serão oferecidas duas oficinas gratuitas em Belém: Percepção para Improvisação, com Léa Freire, na Escola de Música da UFPA; e  Escrita Criativa, com Felipe Senna, na Fundação Carlos Gomes. Léa também faz uma apresentação mais pocket, na Casa Namata, acompanhada pelo  quinteto Jabuti

Além disso, haverá uma exibição especial, no Cine Líbero Luxardo, do documentário A Música Natureza de Léa Freire, de Lucas Weglinski, será seguida de um bate-papo com a compositora e músicos paraenses, criando um espaço de reflexão e troca de experiências sobre a música brasileira e suas influências.

“O documentário fala não só sobre a minha história, mas também sobre os músicos que formaram o meu entorno, como Alaíde Costa, Filó Machado e outros nomes que marcaram a cena musical brasileira nos anos 70″.

A democratização do acesso à música, é dos compromissos da artista, que deseja compartilhar conhecimento e experiência. “Ao realizar ações como oficinas e bate-papos, busco sensibilizar e contribuir com a formação de novos músicos, oferecendo oportunidades para que possam entender a música de uma maneira mais profunda”, afirmou.

Oficina de improvisação (Foto: Divulgação)

Obra que atravessa diferentes gerações

Ao longo de 50 anos de carreira, ela construiu um legado comparado aos maiores nomes da música erudita e popular do país, como Villa-Lobos, Tom Jobim e Hermeto Pascoal.

Compositora, arranjadora e instrumentista, Léa era presença ilustre nos encontros dos Originais do Samba; foi professora no CLAM do Zimbo Trio; criou um selo e gravou nomes lendários do instrumental nacional, compôs doze álbuns autorais e mais de cem músicas e acredita que sensibilizar as pessoas é revolucionário.

Erudição, jazz e a riqueza das raízes populares brasileiras presentes em sua obra, criam uma sonoridade própria e sensível, revelando uma abordagem criativa e uma capacidade em traduzir a complexidade da cultura brasileira para partituras e performances. Tudo isso a torna uma referência como artista e também como pensadora da música. Agora, em 2025, no marco de meio século de carreira, Léa Freire faz sua estreia no Theatro da Paz, em Belém do Pará.

Léa Freire (Foto: Divulgação)

Inovação e identidade na Música Brasileira

Ao longo de sua carreira, Léa Freire lançou 12 álbuns e mais de 100 composições, sempre expandindo fronteiras e reafirmando seu compromisso com a música brasileira em toda a sua diversidade. Cada disco reflete sua inquietação criativa e sua identidade musical única.

Desde sua estreia com Ninhal (1997) até Back to NY (2023), sua obra percorre universos que vão do instrumental ao popular, sempre com uma assinatura autoral bem definida. Ninhal apresentou sua sensibilidade musical e versatilidade, reunindo parcerias com Joyce, Filó Machado e o Quarteto Livre, numa fusão inovadora de jazz e samba.

Em Quinteto (1999), ao lado de Teco Cardoso, Benjamim Taubkin e outros músicos, Léa demonstrou sua habilidade em arranjos para formações menores, criando sonoridades ricas com instrumentação enxuta. Já em Léa Freire & Bocato – Antologia da Canção Brasileira, Vol. 1 e 2 (2005), reinventou clássicos da MPB com sua assinatura nos arranjos.

Cartas Brasileiras (2007) foi uma das obras mais ambiciosas de sua carreira, fundindo música clássica e brasilidade com participação de Gil Jardim e Nailor Proveta. No mesmo ano, lançou Water Bikes, ao lado de Teco Cardoso e Thomas Clausen, explorando um jazz moderno sem perder a essência brasileira.

Em Brasiliana (2013), com o quinteto Vento em Madeira, aprofundou o diálogo entre música popular e arranjos sofisticados. Já em Back to NY (2023), parceria com músicos americanos e o maestro Felipe Senna, Léa traduziu sua vivência em Nova York em uma sonoridade cosmopolita, mantendo a identidade que a consagrou na música brasileira.

Programação

12/03 (quarta-feira)

Concerto Léa Freire e Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz celebram Dia Internacional da Mulher
com regência do maestro Felipe Senna

Local: Theatro da Paz (Avenida da Paz, Praça da República, S/N)

Hora: 20h

Ingressos: R$ 2, retirada na bilheteria do Theatro ou pelo site ticketfacil.com.br

13/03 (quinta-feira)

Oficina Percepção para Improvisação com Léa Freire

  • Local: Escola de Música da UFPA (Av. Conselheiro Furtado, 2007)
  • Horário: das 9h às 12h
  • Gratuito

Oficina Escrita Criativa com maestro e compositor Felipe Senna

  • Local: Instituto Estadual Carlos Gomes (Av. Gentil Bittencourt, 977)
  • Horário: das 15h às 18h
  • Gratuito

Show Léa Freire + quinteto Jambuti

  • Local: Casa Na Mata (Av. Conselheiro Furtado, 287)
  • Hora: 20h

14/03 (sexta-feira)

Exibição do documentário “A Música Natureza de Léa Freire” + bate-papo com Léa Freire e musicistas paraenses

  • Local: Cine Líbero Luxardo (Av. Gentil Bittencourt, 650 térreo da FCP)
  • Hora: 19h40
  • Ingresso: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia entrada)

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