(Foto: Carmem Helena / Arquivo O Liberal/Reprodução da Internet

Obra de João de Jesus Paes Loureiro é oficialmente reconhecida como Patrimônio Imaterial do Pará

A Assembleia Legislativa do Pará oficializou um reconhecimento que já nos pertencia.  João de Jesus Paes Loureiro é patrimônio vivo da cultura paraense.

Nesta terça-feira, 5, os deputados (as) aprovaram o projeto de lei que reconhece seu legado como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, consagrando a importância de um dos maiores pensadores da Amazônia.

O reconhecimento também garante salvaguarda: a difusão pública, a preservação de manuscritos e a valorização pública de sua arte como bem coletivo e identidade cultural.

Sua obra atravessa gerações: leitores, pesquisadores, artistas e indígenas encontram nela fundamentos simbólicos, étnicos e poéticos para representar o território.  São mais de 40 trabalhos, incluindo os mais de 20 livros escritos.

De Altar em Chamas (Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes – APCA-São Paulo, 1994), considerada uma obra-prima, passando por Cultura Amazônica – Uma Poética do Imaginário (1991), Paes Loureiro lança os fundamentos de sua visão estética da região, nomeando seu estilo como “diversidade diversa”.

Encontro entre a ancestralidade e a contemporaneidade, entre a criação simbólica e a resistência, não por acaso sua produção amplia-se também ao teatro, contos, ensaios estéticos e reflexões semióticas.

Saberes populares, cultura acadêmica e mitos amazônicos, seja da Iara à Boiúna, às festas religiosas como o Círio, dos folguedos tradicionais do Xingu aos Pássaros Juninos, ganham densidade em seus estudos literários e performáticos.

Sem falar de sua ilustre presença em diversos eventos da cidade, sempre trazendo uma luz em bate papos, exposições e apresentações musicais.

Paes Loureiro, apaixonado/diverso por pássaros (Foto: Carmem Helena / Arquivo O Liberal – Reprodução da Internet)

Do movimento estudantil às políticas púbilcas

Nascido em Abaetetuba, às margens do rio Tocantins, Paes Loureiro emergiu de um universo ribeirinho que permearia toda a sua poética. Sorte a nossa.

Mestre em Teoria da Literatura e Semiótica (PUC‑SP) e doutor em Sociologia da Cultura pela Sorbonne, trouxe à academia uma compreensão do imaginário amazônico como prática de criação coletiva, mais do que descrição fria de dados.

De docente da UFPA a secretário de Educação e Cultura do Pará (1987‑1990), ele ajudou a modernizar a política cultural regional, idealizando eventos como o Projeto Preamar, que trouxe uma nova estrutura ao pensamento sobre cultura no Estado. Também foi Diretor da Fundação Cultural do Pará, além de mentor e primeiro diretor do Instituto de Artes do Pará, hoje espaço Casa das Artes do Pará.

Como professor, Paes Loureiro orientou centenas de trabalhos acadêmicos em comunicação, artes cênicas e educação, explorando temáticas como o carimbó, teatro comunitário, dança contemporânea e cultura do brincar, sempre com foco no imaginário amazônico. Tive a grande sorte de ser sua aluna de estética da arte, quando ainda cursava  comunicação.

Em 2023, foi empossado na Academia de Letras do Brasil (ALB), consolidando sua posição no cânone literário brasileiro, enquanto segue ativo em parcerias com movimentos culturais periféricos e marginalizados.

Poesia é rio que nasce da terra ancestral

Paes Loureiro (Foto: Carmem Helena / Arquivo O Liberal – Reprodução da Internet)

Paes Loureiro ensina que a poesia surge das raízes profundas da história e da tradição (terra ancestral), nutrida por histórias, narrativas e aspirações coletivas (lendas, vozes e sonhos). Somos gratos por tanto, professor.

 

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