Falar de Tim Maia é falar de uma das vozes mais marcantes da música brasileira. Ícone do soul, do funk e do romantismo popular, ele atravessou fronteiras sonoras e gerações, deixando um repertório que segue super vivo no inconsciente coletivo do país. Cantar Tim Maia, portanto, não é tarefa de simples homenagem, mas de diálogo: é encarar um legado que se confunde com a própria história da música no Brasil.
É nessa interseção entre memória e reinvenção que se insere o trabalho de Afonso Cappelo. O cantor paraense apresenta nesta sexta-feira, 19 de setembro, dentro do Festival SESI Cultura – Amazônia em Cena, o espetáculo Baile do Síndico – Um tributo a Tim Maia.
No espetáculo, Cappelo propõe uma releitura carregada de identidade, com arranjos que passeiam entre referências da soul music internacional e surpresas que atualizam o repertório para novos ouvidos.
“O público sempre me pediu para cantar Tim Maia. Quando mergulhei nesse projeto, percebi o quanto o repertório dele dialogava com minhas próprias referências — Marvin Gaye, Barry White, James Brown. É inevitável: essa alma soul também me habita”, afirma Cappelo.
Distante da imitação, o show aposta em arranjos originais. “Não faço cover do Tim Maia. Busco me desvincular da interpretação e focar na música. O produtor Igor Reis sabe captar minha identidade e o que espero de cada arranjo. Às vezes, incluímos até referências inesperadas, como o solo de Careless Whisper em Me Dê Motivos”, revela.

Essa liberdade criativa não diminui a força do repertório — ao contrário, renova sua vitalidade. “As músicas de Tim Maia marcam gerações. É mágico: no primeiro acorde, o público já reconhece. De repente, todos cantam junto, mesmo sem perceber que sabiam a letra inteira”, observa o cantor.
Preparem-se. No repertório, ele traz sucessos imortais como “Azul da Cor do Mar”, “Gostava Tanto de Você”, “Não Quero Dinheiro”, “Primavera”, “Me Dê Motivo”, entre tantos outros que marcaram gerações e continuam embalando corações. E tudo isso, acompanhado por uma banda poderosa e um trio de metais.
Com uma carreira marcada pela diversidade, Cappelo já passeou por diferentes gêneros. Em um de seus projetos, o Bachata Session, ele traduziu clássicos da música paraense para a linguagem da bachata dominicana, retomando conexões históricas entre o Caribe e o Norte do Brasil. Agora, em plena turnê dedicada a Tim Maia, o cantor adianta que pretende retomar os projetos autorais em breve.

Um festival que afirma a cena amazônica
Levar o tributo a Tim Maia ao palco do Teatro do SESI é, para Cappelo, também um ato de afirmação da cena nortista. “Esse festival mostra o que já sabemos: no Norte há artistas competentes em todos os estilos. Creio que estamos entre as regiões mais versáteis do país”, destaca.
O Festival SESI Cultura – Amazônia em Cena teve início em agosto, com o recital erudito Árias e Canções de Atalla Ayan e Adriana Azulay. Em setembro, a programação já trouxe, nesta quinta (18), a Cia. Tribos Ballet Teatro, que abriu a agenda do mês com o espetáculo Caruanas.
E depois de Afonso Cappelo, nesta sexta (19), na semana que vem, se agendem. No dia 26, será apresentado o espetáculo Fiz da Vida Uma Canção, da Casa Tiago de Pinho, em homenagem ao maestro Waldemar Henrique.
A programação segue até outubro, com destaques como o espetáculo Elementar – a natureza dos sons, da Orquestra Sustentável SESI, o show Bagaceira, de Dona Onete, encerrando com a clássica montagem Ver de Ver-o-Peso, do Grupo Experiência.
Serviço
Afonso Cappelo – Baile do Síndico: Um Tributo a Tim Maia
Data: Sexta-feira, 19 de setembro, às 20h
Local: Teatro do SESI – Belém (Av. Almirante Barroso, 2880 – Marco)
Ingressos: À venda pelo Sympla e na bilheteria do teatro
Bilheteria: Segunda a sexta, das 9h às 18h; em dias de evento, até o início do espetáculo; sábados, domingos e feriados, somente quando houver espetáculo, a partir das 14h.


