A conversa começa sem formalidade, mas não sem propósito. Quem fala retoma o que foi feito, quem escuta completa, quem entra depois se situa. O ponto em comum é organizar mais uma saída do Afoxé do Guarda Xuva Axado às ruas de Belém.
Após o retorno em 2025, o grupo volta a se reunir para organizar uma nova saída em 2026. Diferente do ano passado, quando o cortejo foi viabilizado por um projeto aprovado em edital , a movimentação atual nasce do desejo de dar continuidade ao que foi retomado.
Pelos canais digitais, reuniões diárias e postagens nas redes sociais, o movimento faz brotar ideias. Uma delas, vingou e será colocada em prática na próxima quinta-feira, 29 de janeiro, no espaço de conexões Na Figueiredo, reunindo integrantes, apoiadores e simpatizantes em torno de um objetivo comum: viabilizar a volta do bloco às ruas de Belém em 2026.
É um esquenta pré-bloco. E até o carnaval chegar outras ações estarão sendo pensadas para arrecadação de fundos e mobilização coletiva. O grupo aposta na força da rede, da memória afetiva e da organização comunitária que o Afoxé construiu ao longo do tempo.

Conversas intermináveis dão o tom do encontro
O grupo de whatsapp está tipo assim, pulsante. Vem reunindo uma geração inteira de fotógrafos, músicos, poetas, jornalistas, foliões e foliãs irrecuperáveis. Em meio às trocas, datas, ideias e ajustes, a informação se consolida.
“Já está no calendário do Guarda Xuva Axado”, diz um dos amigos mais entusiasmados se referindo ao esquenta, reforçando que a atividade veio pra ficar e para “colocar o bloco na rua”. Alusão a Sérgio Sampaio, ou não, a frase circula fácil entre um comentário e outro…
O ano de 2025 foi uma referência da retomada, mas agora, que o movimento ganha novo fôlego. “Bloco bom não se guarda. Bloco bom se bota na rua”, resumem.
Enquanto a data oficial do cortejo ainda depende de liberações institucionais como órgãos da prefeitura, IPHAN e Governo do Estado, o movimento já está em andamento. Afinal, meu guarda chuva não pode fechar! E já tem até perfil no Instagram @guardaxuvaaxado.

Origem e nomes que fizeram a história
O Afoxé do Guarda Xuva Axado surgiu em Belém, nos anos 1980, de maneira espontânea, a partir de encontros informais de amigos ligados à cena cultural da Cidade Velha.
Durante uma dessas reuniões, nas imediações da Seresta do Carmo e da Feira do Açaí, um guarda-chuva encontrado na rua virou símbolo e deu nome ao bloco, que passou a ocupar as ruas com música, humor e espírito coletivo.
A grafia carnavalesca ‘Guarda Xuva Axado’ já trazia em si o tom irreverente e popular que marcaria o grupo.
Desde o início, a música foi elemento central do Afoxé. Uma das canções mais emblemáticas do bloco, “O Frerimbó da Quilométrica”, também conhecida como Afoxé do Guarda Xuva Axado, ajudou a consolidar sua presença no carnaval de rua de Belém e a fixar o bloco na memória afetiva da cidade.
Entre os principais nomes ligados à origem e à trajetória do Guarda Xuva Axado estão Cássio Lobato, músico e produtor cultural responsável por pesquisas, registros e iniciativas recentes de retomada do bloco; Claudio Lobato, parceiro nas primeiras composições.
Inesquecível, Clélio Palheta (in memoriam) foi o autor da letra que se tornaria um dos hinós do Afoxé; além de Tonico Monteiro, Catarina Brito, Abdias Pinheiro, Miguel Chikaoka e Januário Guedes, e outros artistas e agentes culturais que integraram o movimento.
O Afoxé do Guarda Xuva Axado se consolidou como expressão de ocupação cultural das ruas, criação e afirmação da identidade afro-amazônica no carnaval de Belém, uma história que, décadas depois, segue sendo retomada, atualizada e reinventada.
Serviço
Esquenta Afoxé do Guarda Xuva Axado. Na próxima quinta-feira, 29 de janeiro, no espaço Na Figueiredo – Av. Gentil Bittencourt, 449. Ingressos: R$ 20 (venda na portaria/ revertida à saída do bloco em 2026).
No palco: Adilson Alcantara, Arytanã, Bruno Benitez, Cássio Lobato, Edir Gaya, Edson Coelho, Éloi Iglésias, Mahrco Monteiro, Malabaristaflor, Marlon D’Oliveira, Messias Lyra, Nean Gallucio, Ocimar Manito, Paulinho Mururé, Pedrinho Callado, Pedrinho Cavalléro, Vinicius Leite, Zé Macedo e quem mais quiser. Cadê as meninas?

