Cine Olympia celebra 114 anos em reta final das obras de requalificação

Nesta sexta, 24, o Cinema Olympia completa 114 anos, celebrando mais de um século em funcioamento como sala de exibição.  Em obras de requalificação desde 2024, o edifício histórico já está bem diferente da versão anterior e bem mais próximas de sua fachada original.

A previsão é que a reinauguração ocorra em junho, mas com a proximidade do aniversário de sua fundação o cinema voltou a ganhar destaque na imprensa. E em clima de expectativas vale traçar aqui uma linha do tempo.

Em 2023, quando o cinema completou 111 anos, as críticas ao estado de conservação já se intensificavam, resultado, inclusive, por problemas ocorridos durante a pandemia, quando o prédio, fechado, chegou a sofrer uma invasão pelo telhado, agravando a situação e motivando a mobilização por sua restauração.

A prefeitura, já na gestão de Edmilson Rodrigues, buscou soluções e formalizou,  uma parceria com o Instituto Pedra para viabilizar a captação de recursos. O projeto foi elaborado e aprovado pela Lei Rouanet, com investimento de  R$ 11 milhões, via patrocínio do Instituto Cultural Vale, Banco da Amazônia e BNDES.

Abril de 2024, celebração dos 112 anos, na obra, com imprensa e convidados. Foto: Luciana Medeiros

Projeto apresentado à imprensa e ao público em 2024

Depois de um percurso longo e inevitavelmente burocrático, em março de 2024, as portas do Olympia se abriram para apresentar o projeto à imprensa, em plena obra. Em abril, os 112 anos foram celebrados e, mais uma vez, as portas da obra abriram para uma cerimonia muito especial.

Além da presença da imprensa, também vieram pesquisadores e realizadores convidados, entre eles, os críticos, escritores e pesquisadores do cinema paraense, Pedro Veriano e Luzia Miranda.

Pedro Veriano que escreveu livros e guardou memórias do cinema, viu com os próprios olhos, o sonho do restauro em andamento, antes de se despedir da gente, ano passado. Em 2024, houve outra iniciativa importante: o Olympia na Rua, ação mobilizada pelo Instituto Pedra em parceria com a prefeitura, e que realizava sessões de cinema ao ar livre, em frente ao prédio, com curadoria de Marco Antônio Moreira.

Foram poucas edições, chegando a exibir, inclusive, um curta metragem de Pedro Veriano, assim como de outros realizadores paraenses. A ideia era manter o vínculo do público enquanto o espaço estivesse em obras, além de formar plateia às produções locais, mas não teve continuidade na mudança de gestão municipal.

Naquele momento, cogitava-se a reabertura durante a COP. Não foi possível e, em 2025, o aniversário do Olympia passou despercebido.

Pedro Veriano, Luzia MIranda e netos. Foto: Luciana Medeiros

Qual o destino que ele vai ter!

A requalificação vai nos devolver um Olympia bonito, atualizado, com mais conforto, novas poltronas, café e até um bar, o que já levanta debates, mas que só a experiência vai dizer como se integra ao espaço. Essa questão me levou, a entrevistar Beth Almeida, arquiteta do Instituto Pedra, responsável pelas obras, no inicio deste ano e ela me falou do cuidado permanente com o edifício, num trabalho que exigiu e ainda está exigindo tempo.

A arquiteta ressaltou que teve também muita pesquisa, além da responsabilidade sobre as descobertas feitas ao longo da obra, como elementos arquitetônicos encobertos, como o arco frontal, que permitiu chegar perto de uma fachadas antiga do cinema. A missão do Instituto Pedra, porém, chega ao fim com a entrega da obra. E agora resta saber sobre a gestão e sustentabilidade do cinema.

Um arco da antigo foi descoberto permitindo a reconstrução parcial da fachada original. Foto: Amarilis Marisa

Inaugurado em 24 de abril de 1912, ainda no período do cinema silencioso (era do cinema mudo), o espaço nasceu como um exemplo de modernidade, em uma Belém atravessada pelo ciclo da borracha e suas conexões internacionais. Ao longo do tempo, o prédio passou por diversas intervenções, especialmente na fachada, incorporando diferentes estilos.

O Olympia enfrentou momentos críticos, como em 2006, quando esteve próximo de encerrar as atividades, o que só não aconteceu por mobilização da classe artística e da sociedade civil. Em 2012, aos 100 anos, foi reconhecido como Patrimônio Histórico  e Cultural de Belém, integrado ao conjunto tombado com o Theatro da Paz e Praça da República, no bairro da Campina, pelo IPHAN.

O Olympia, uma vez restaurado, precisa seguir como um espaço público, acessível e vivo na cena cultural da cidade, mantendo seu papel cinematográfico, educativo, colaborativo, com sessões gratuitas e abertura de pautas para realizadores e projetos do audiovisual local.

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