Vai ter leitura de Degola, já neste sábado (25), às 10h, por conta do Clube do Livro Tomate Leitura, que promove uma roda de conversa seguida de atividade artística. Tudo a partir do livro da escritora paraense Monique Malcher. No domingo, a programação conta com oficina. NOs dois dias é possível conferir duas exposições, abertas recentemente no CCBA.
Em Degola, num sábado de Aleluia, em Manaus, uma cena de violência atravessa a ocupação onde vivem Sol e sua mãe, Joana, tendo ao fundo enquanto ocorre a malhação de Judas. É desse ponto que Monique Malcher parte para contar a historia dessa família.
O romance acompanha a saída de Santarém, nos anos 1990, quando a promessa da Zona Franca impulsiona a mudança para a capital, após a falência do pequeno negócio do pai e a morte traumática do irmão Yan.

Na vida adulta, Sol relembra a infância marcada pela precariedade da ocupação Novo Mundo, onde casas improvisadas, feitas de restos de madeira, simbolizam resistência. Em meio à escassez, a cidade se impõe como espaço de disputa, e o sonho de uma casa digna ganha dimensão enorme.
A autora destaca a repercussão do seu livro entre leitores de diferentes regiões do país. “O que mais tem me feito feliz em relação à recepção de Degola é saber que os leitores estão muito interessados em histórias que falem sobre território, luta pela moradia e especialmente pela voz de uma criança nortista. Sinto que essa protagonista é muito amada, especialmente por quem sabe o que é ter uma infância em contextos periféricos”, afirma Monique Malcher.
“E vejo esse carinho não só de leitores da Amazônia, mas de todo Brasil”, completa. Com mediação de Juliana Ferreira e Rebecca Cunha, o encontro propõe reflexões coletivas sobre a leitura compartilhada, articulando literatura e arte-educação. “A literatura é esse campo em que você não controla o sentir de quem lê. Minha vontade é que leiam minhas histórias, simples assim”, acrescenta a autora.

No domingo tem oficina
A programação continua no domingo (26), às 10h, com a oficina “Poesia Visual — Palavras e Cores”, ministrada por Andreza Machado. A atividade propõe uma imersão prática na poesia visual, explorando a palavra como elemento estético e linguagem artística.
Inspirada na exposição “Meu tema sou eu”, a oficina convida os participantes a desenvolver produções a partir de temas como memória, linguagem e cotidiano.
Paralelamente à programação, o CCBA mantém duas exposições em cartaz. No térreo, “Meu tema sou eu”, de Emmanuel Nassar, com curadoria de Vânia Leal, reúne um conjunto de obras do artista e marca seu reencontro com Belém após mais de uma década sem uma mostra individual na cidade.

No primeiro andar, “A vida não é paisagem”, de Nay Jinknss e Bruno Jungmann, com curadoria de Keyna Eleison, apresenta uma série de fotografias que deslocam o olhar sobre o cotidiano, evidenciando dimensões afetivas e coletivas da experiência.
O Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA) é um espaço dedicado à arte, à cultura e à produção de conhecimento sobre a Amazônia, localizado no centro histórico de Belém (PA), na esquina das ruas Manoel Barata e Campos Sales.
Instalado em um prédio histórico com mais de oito mil metros quadrados, recebe exposições, oficinas, palestras, residências artísticas e outras atividades culturais gratuitas. O prédio sediou as duas primeiras edições da Bienal das Amazônias, em 2023 e 2025, reunindo artistas e coletivos de diversos países da Pan-Amazônia e do Caribe.
Anote:
Sábado (25) | 10h
Clube do Livro Tomate Leitura
Domingo (26) | 10h
Oficina “Poesia Visual — Palavras e Cores”
O CCBA está localizado na Rua Manoel Barata, 400, no bairro da Campina, com entrada gratuita. A visitação ocorre de quarta e quinta, das 9h às 17h; sexta e sábado, das 10h às 20h; e aos domingos e feriados, das 10h às 15h.


