Iniciada no dia 7, celebração tradicional de nominação segue até 15 de outubro, na Aldeia Kruwanhongô, em São Félix do Xingu, reunindo cerca de 300 indígenas de aproximadamente 20 aldeias.
Após 18 anos sem ser realizada nessa região do rio Xingu, a festa-ritual Takàk voltou a reunir o povo Mebêngôkre-Kayapó na Terra Indígena Kayapó, no sudoeste do Pará. Iniciada na última quarta-feira, 7 de outubro, a celebração segue até o próximo dia 15, na Aldeia Kruwanhongô, no município de São Félix do Xingu, com a participação de cerca de 300 indígenas de aproximadamente 20 aldeias.
Participam da celebração comunidades situadas ao longo dos rios Xingu e Riozinho, além de indígenas de aldeias dos municípios de Tucumã e Ourilândia e representantes do povo Xikrin, vindos de outros municípios.
Mais do que a retomada de uma festa tradicional, o Takàk representa um reencontro entre gerações e a continuidade de conhecimentos, práticas e rituais que integram a memória coletiva do povo Mebêngôkre-Kayapó.
Uma das celebrações mais importantes da tradição Kayapó, o Takàk é uma cerimônia de nominação de meninos e meninas. Durante o ritual, as crianças recebem de seus avós os nomes familiares, transmitidos entre gerações.

Celebração reúne comunidades
Diferentemente da tradição ocidental mais comum, em que os nomes são escolhidos pelos pais, entre os Kayapó essa transmissão pelos avós expressa vínculos de ancestralidade, pertencimento e continuidade cultural.
A realização da festa mobiliza as comunidades em diferentes etapas de preparação e celebração, envolvendo a confecção de vestes e adornos, pinturas corporais, cantos e o preparo de banquetes tradicionais. São práticas que integram o cotidiano ritual e reafirmam a importância da transmissão dos saberes entre os mais velhos, crianças e jovens.
Para Kubekàkre Kayapó, coordenador e idealizador do projeto, a retomada da celebração tem um significado especial para as novas gerações, muitas das quais ainda não haviam vivenciado o ritual.
“Ficar 18 anos sem realizar a festa Takàk no Xingu significa que muitas de nossas crianças e jovens nunca viram nem vivenciaram esse ritual de perto. O apoio da Política Nacional Aldir Blanc foi fundamental para viabilizar o retorno desta celebração para a Aldeia Kruwanhongô, resgatando a nossa história, garantindo que os saberes tradicionais continuem vivos e promovendo a união do nosso povo ao longo do rio Xingu.”

A memória contada pelos próprios indígenas
Além da realização do ritual, a programação em andamento também está voltada à preservação e à difusão da memória cultural Kayapó por meio da produção audiovisual.
O Coletivo Beture, formado por jovens comunicadores e cineastas indígenas Kayapó, é responsável pelo registro fotográfico e audiovisual da celebração, que dará origem a um documentário sobre o Takàk.
A iniciativa tem uma dimensão importante: são os próprios indígenas que assumem a construção das imagens e narrativas sobre suas tradições, seus territórios e suas formas de organização cultural.
O material produzido deverá constituir um acervo para as comunidades e resultar em um filme destinado à circulação em mostras, festivais e exibições dentro e fora dos territórios indígenas.
“O coletivo Beture vai registrar nossa própria visão da festa. O documentário vai fazer os saberes da festa Takàk circularem entre as nossas aldeias, fortalecendo a juventude, mas também levando a força da cultura Kayapó para públicos de todo o Brasil e do mundo, mostrando a riqueza e a resistência do nosso povo”, destaca Kubekàkre.

Celebração segue até 15 de outubro
Nos próximos dias, a Aldeia Kruwanhongô continuará mobilizada pelas atividades do ritual, que se estende até quinta-feira, 15 de outubro. A realização envolve uma estrutura de transporte fluvial entre as aldeias, alojamentos, instalações básicas e aquisição de materiais utilizados na confecção dos adornos e demais preparativos das cerimônias.
O retorno do Takàk foi viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult-PA), na categoria Culturas Indígenas – Eventos e Celebrações Culturais.
A retomada da festa, depois de quase duas décadas, evidencia a importância das políticas públicas de fomento para a continuidade das manifestações culturais indígenas, especialmente daquelas que dependem da mobilização coletiva de diferentes comunidades e de condições materiais para sua realização.
Até o dia 15, a celebração segue reafirmando a força de uma tradição que atravessa gerações e encontra, no encontro entre os mais velhos e os mais jovens, os caminhos para continuar viva.
Serviço
Festa-ritual Takàk Mebêngôkre-Kayapó
Período: 7 a 15 de outubro de 2026 (em andamento)
Local: Aldeia Kruwanhongô, Terra Indígena Kayapó, São Félix do Xingu (PA)
Realização: Aldeias Rikarô, Kokraimoro e Kruwanhongô
Apoio: Associação Mebêngôkre-Kayapó Floresta Protegida
Produção audiovisual: Coletivo Beture de Cineastas Kayapó
Financiamento: Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) – Secult-PA, Ministério da Cultura, Governo Federal.
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