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Bienal das Amazônias desembarca na Índia para integrar a programação da bienal Kochi-Muziris em Kerala

A circulação internacional da arte produzida na Amazônia ganha um novo capítulo a partir deste mês. Pela primeira vez, a Bienal das Amazônias integra a programação da Bienal Kochi-Muziris, em Kerala, um dos eventos mais influentes do circuito asiático.

A presença brasileira se materializa na exposição Força Interior, concebida pela curadora Keyna Eleison, que apresenta obras de cinco artistas e um coletivo que participaram das edições amazônicas entre 2023 e 2024.

O caminho até Kochi começou bem longe dali, às margens da Baía do Guajará. Durante o 1º Encontro de Gestores Culturais Sul-Sul, em novembro de 2024, Belém recebeu representantes de diversos países do Sul Global.

Foi nesse ambiente de articulação política e cultural que se costurou a parceria que agora deságua no território indiano. “Aquele encontro abriu portas decisivas. Estar em Kochi é resultado direto desse movimento”, afirma Keyna, diretora de pesquisa e conteúdo da Bienal.

Com 110 dias de programação espalhada por Fort Kochi, Mattancherry e Ernakulam, a Bienal Kochi-Muziris abre em 12 de dezembro de 2025 e segue até 31 de março de 2026.

Obra de Shanti

Para dialogar com o gesto curatorial da mostra indiana — que propõe o “por ora” como estado de suspensão e convite ao processo — Força Interior elegeu a ideia de “brotar” como eixo poético. Em vez de metáfora, um gesto: algo que se revela no tempo próprio da germinação, entre o que já se vê e o que ainda se prepara para emergir.

Essa imagem ganha corpo numa escolha central: a semente da manga, exibida como quem expõe o instante íntimo da transformação. A fruta, nascida no subcontinente indiano e enraizada no Brasil desde o período colonial, torna-se ponte simbólica entre Kochi e Belém. Um fruto que atravessou oceanos e hoje retorna ao seu ponto de origem em diálogo com a Amazônia.

Keyna define a seleção de artistas como um conjunto de “sementes” — práticas que não ocupam territórios, mas os transformam; que fertilizam o comum e instauram novas maneiras de ver e sentir.

Participam da mostra Nay Jinknss, Jenoveva Arirepia, Rona, Claudia Casarino, Armando Queiroz e o coletivo LkProd, reafirmando a vitalidade da produção amazônica em um circuito cada vez mais global.

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