Por trás dos tapumes instalados em frente a Praça da República, a obra de requalificação do Cinema Olympia, avança, ainda que longe do olhar cotidiano dos frequentadores. A cidade sente a ausência: neste aniversário, não houve programação especial, visitas guiadas ou ações públicas como as promovidas em anos anteriores.
Também foi suspenso o projeto “Olympia na Rua”, que levava cinema ao espaço público em frente ao cinema, durante o período de fechamento, iniciativa que visava contemplar a população com atualizações mensais sobre a obra.
Tudo feito no melhor estilo: exibindo filmes, de preferência, da produção audiovisual paraense, uma janela bem vinda, já que há uma enxurrada de novas obras produzidas com os recursos da LPG.
Ano passado, a data foi lembrada e celebrada, mesmo com o prédio em obras. A prefeitura de Belém, via Fumbel, deu oportunidade para que a imprensa, realizadores e cinéfilos pudessem acessar o interior do prédio e contatar: sim, agora é real, agora vai!

O cinema mais antigo em funcionamento contínuo do Brasil atravessa uma fase decisiva: a reforma completa de requalificação de seu prédio inaugural, iniciada em março de 2024, após anos de expectativa da população, deve ser entregue em outubro de 2025. A afirmação é da arquiteta Beth Almeida, do Instituto Pedra, responsável pelo projeto de requalificação do prédio.
Nesta fase da obra, já foram concluídas as demolições de piso, lajes e revestimentos. Prospecções realizadas no local revelaram as aberturas originais dos vãos das fachadas principal e lateral, resgatando elementos remanescentes de 1912.
Também foram instaladas estruturas metálicas para reforço da base existente e para sustentar os novos equipamentos e a vidraçaria do bar. Corredores extemporâneos foram removidos, abrindo passagem para uma nova fachada lateral. A parte hidráulica e elétrica está em fase de acabamento, e a alvenaria dos banheiros e da área técnica foi concluída.

É uma obra urgente. O prédio carrega as marcas de gerações que atravessaram suas portas para viver as experiências únicas da sétima arte.
Entre os tantos que fizeram também a história do Olympia, um nome inevitavelmente vem à lembrança neste momento: o jornalista e crítico de cinema Pedro Veriano, um de seus maiores entusiastas, que visitou a obra em 2024, participou do Olympia na Rua, mas que faleceu no início deste ano, antes de ver concretizada a tão aguardada requalificação do espaço que tanto celebrou.
Além da requalificação física, e com a reabertura aí na porta, é importante saber também o que a atual Semcult (ex-Fumbel), pensa para o seu funcionamento. Patrimônio afetivo de Belém e símbolo da história do audiovisual na região Norte, a gestão pública do cinema teve início em 2006, após um acordo entre a Prefeitura e os antigos proprietários — a família Severiano Ribeiro.
Desde então, o espaço foi incorporado à política cultural do município, abrigando mostras, festivais, cineclubes, sessões educativas e exibições gratuitas que o mantiveram ativo como espaço democrático de cultura e formação de público.
Com a reforma em andamento, a expectativa é de que, ao reabrir as portas, o Olympia não apenas recupere sua estrutura física, mas também volte a ocupar seu papel como espaço de encontro e memória para a cidade. E nem pensar em privatização!

