Gesto, matéria e memória. O circuito das artes se fortalece em Belém que, na próxima semana, recebe mais uma exposição que revisita a produção artistica paraense.
Desta vez, em Rastros Expressivos é a pintura produzida em Belém nas décadas de 1980 e 1990 que volta ao centro do debate com a exposição Rastros Expressivos – Embates de uma geração 80/90 – Belém, que abre no dia 7 de maio, às 19h, na Galeria Graça Landeira, do Museu de Arte da Universidade da Amazônia (UNAMA).
Entre pesquisa acadêmica e prática curatorial, a mostra lança um novo olhar sobre artistas que dialogaram com um dos momentos mais marcantes da arte brasileira recente.
Com curadoria de Yasmin Gomes, a exposição reúne 25 obras de Dina de Oliveira, Rosangela Britto, Jorge Eiró, Nina Matos, Simões, Charles Nascimento e Geraldo Teixeira. O conjunto evidencia como esses artistas, atuantes na cena local, tensionaram os limites entre figuração e abstração a partir de uma pintura marcada pela liberdade gestual e pela intensidade expressiva — traços que ecoam o espírito da chamada Geração 80 no Brasil.
Além de um recorte expositivo, a mostra nasce de uma investigação desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura (PPGCLC), defendida em 2025. A pesquisa parte de matrizes históricas como o expressionismo europeu do início do século XX e seus desdobramentos no pós-guerra, atravessando movimentos como a transvanguarda italiana até alcançar a produção brasileira dos anos 1980.
Esse percurso ajuda a compreender como, em Belém, artistas incorporaram essas referências sem perder de vista suas experiências e contextos. Como observa a curadora Yasmin Gomes, “suas obras revelam múltiplas possibilidades da pintura contemporânea, nas quais a emoção, a memória, o imaginário e a experiência individual se tornam aspectos fundamentais na construção visual, evidenciando a permanência e a reinvenção dos princípios expressionistas em diferentes contextos históricos e geográficos”.

Curadoria como desdobramento da pesquisa
Para Yasmin, “a relação entre pesquisa e curadoria se dá na seleção e organização das obras a partir de um recorte conceitual fundamentado, em que a investigação histórica e estética orienta as escolhas curatoriais e a construção de sentidos na exposição”.
Outro aspecto central da mostra é a presença de obras provenientes de acervos institucionais e coleções particulares, como o Acervo UNAMA, o Museu da UFPA e coleções privadas. Esse conjunto revela não apenas a força da produção pictórica paraense no período, mas também a importância dos colecionadores na preservação dessa memória.
Segundo o professor Mariano Klautau Filho, orientador da pesquisa e coordenador de curadoria e produção da mostra, “as coleções de Eduardo Vasconcelos e Pedro Bentes foram fundamentais não só para a pesquisa como também para a concretização da curadoria da mostra”.
A inserção dessas obras no circuito expositivo amplia o acesso a trabalhos que, muitas vezes, permanecem fora do alcance do público. “Alguns desses trabalhos nunca sequer foram exibidos”, diz Yasamin que considera um salto importante para a mostra, “oferecendo um panorama mais completo da produção desses artistas, além de contribuir para a preservação e circulação desse acervo.”, complementa.

Experimentação e debate
Rastros Expressivos evidencia um momento em que a pintura se afirmava como campo de experimentação e embate, atravessado por subjetividades, tensões formais e disputas de linguagem. A mostra também aponta para a necessidade de revisitar a história recente da arte em Belém a partir de seus próprios acervos, narrativas e agentes.
Como desdobramento, a programação inclui rodas de conversa que colocam em diálogo artistas, pesquisadores, estudantes e colecionadores, ampliando o alcance da pesquisa que deu origem à exposição e aprofundando discussões sobre processos criativos, contextos de produção e circulação dessas obras.
SERVIÇO
Rastros Expressivos – Embates de uma geração 80/90 – Belém
Local: Museu de Arte da Universidade da Amazônia – Galeria Graça Landeira
Endereço: Avenida Alcindo Cancela, 287
Abertura: 7 de maio, às 19h
Visitação: até 26 de junho
Horário: segunda a sexta, das 14h às 18h

