Nesta semana visitamos a exposição “Raízes Tupinambá: herança indígena em Colares”, mostra que convida o visitante a percorrer uma cartografia afetiva da ilha. Até 15 de agosto, o público pode conferir imagens produzidas por moradores, estudantes e convidados, num projeto coordenado pelo fotógrafo e professor Eduardo Kalif.
O processo buscou registrar pessoas, lugares e conhecimentos transmitidos entre gerações, 22 fotógrafos participaram da construção da mostra. Dezesseis integraram a oficina realizada entre abril e maio, enquanto outros seis foram convidados a apresentar trabalhos individuais, ampliando o alcance da pesquisa e da exposição.
A pesquisa partiu de uma compreensão: o conhecimento produzido nas comunidades também constitui um patrimônio. Inspirado nos estudos da professora Maria Betânia Albuquerque, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), o projeto organiza esses saberes em quatro grandes eixos: religiosos, ambientais, lúdicos e poéticos.

São conhecimentos que sobrevivem na oralidade, nas práticas de cura, no trabalho com a terra e com o rio, nas festas populares, nas histórias contadas pelos mais velhos e nos modos de viver que ainda estruturam a identidade cultural da ilha.
Essa perspectiva aparece em toda a exposição. As fotografias revelam benzedeiras, agricultores, pescadores, artesãos, produtores de farinha, paisagens naturais, manifestações espirituais.
A mostra também ressalta personagens como Roseane Neves Gil, a “Tia Rose”, homenageada por sua trajetória de acolhimento, espiritualidade e transmissão de conhecimentos, reconhecida por muitos moradores como referência de pertencimento e sabedoria. Em destaque na exposição, seu retrato é acompanhado de um texto que revela sua importância para a comunidade e para o próprio projeto.
Educadora, mentora e referência espiritual, ela é lembrada por Eduardo Kalif como alguém que fez do Sítio Estrela do Oriente um espaço de acolhimento, convivência e aprendizado, onde diferentes saberes encontravam lugar para florescer.

Processo educativo construiu a exposição
Antes dos registros documentais, os participantes passaram por atividades de sensibilização conduzidas pelo fotógrafo Moisés Araújo, incluindo experiências com câmara obscura e a técnica dos “Pincéis de Luz”. Em seguida, orientados por Eduardo Kalif, utilizaram a fotografia realizada com celulares para documentar os chamados “guardiões dos saberes ancestrais”, transformando o exercício fotográfico em pesquisa de campo.
Segundo Kalif, a experiência representa apenas o início de um trabalho de maior alcance. A intenção é formar um coletivo permanente de fotógrafos-pesquisadores capaz de registrar a diversidade cultural existente nas inúmeras localidades de Colares, ampliando a documentação de mestres e mestras da cultura popular da ilha.
Premiado pelo Edital Criação 002/2025 LAB – Política Nacional Aldir Blanc de Fomento, Governo Federal, Secult, Fundação Cultural do Pará e Sectel/Colares, o Projeto Raízes Tupinambá nasceu da ideia de olhar para Colares a partir de quem vive o território.
Serviço
Exposição: Raízes Tupinambá: herança indígena em Colares. Aberta até 15 de agosto, na galeria cultural do município, localizada na Praia do Igarapé Sorrisal. Horário comercial. Realização: Projeto Raízes Tupinambá.

