A exposição Uma Belém no Olhar de Alguém está em ritmo de despedida no Centro Cultural Banco da Amazônia. Citada pela instituição como uma das mais visitadas do espaço, a mostra foi aberta em homenagem aos 410 anos, em janeiro, e encerra sua programação neste domingo, 3 de maio.
Em diálogo em torno das imagens, da cidade e dos processos de construção, a mostra reúne 36 obras selecionadas, de autoria de 21 fotógrafos, a partir de cerca de 350 imagens recebidas. E foi sobre isso que o curador Emanuel Franco e a pesquisadora Deyseane Ferraz bateram um papo com o público sobre “Ações curatoriais”.
Artistas, pesquisadores e interessados sobre os processo que curadoria, memória, patrimônio e os muitos modos de olhar Belém, estiveram presente. Emanuel Franco destacou que o trabalho curatorial também começa pelo reconhecimento do espaço expositivo e pela necessidade de compreender como as fotografias poderiam ocupar a galeria.
“Às vezes as pessoas veem a exposição montada e nem imaginam o que há por de trás, mas é um trabalho de várias instâncias”, afirmou. Além de medir todo o espaço, a escolha das imagens envolveu recortes, aproximações, descartes e retornos, sempre em busca de um conjunto capaz de traduzir momentos representativos da cidade.

Ler imagens e traduzir em palavras uma exposição
A pesquisadora Deyseane Ferraz, autora do texto curatorial, afirmou que o desafio foi transformar em palavra aquilo que as imagens sugeriam sobre Belém.
Para ela, a cidade aparece na exposição como um “caleidoscópio cultural”, formado por camadas de temporalidade, cores, patrimônio edificado, memória indígena, presença negra, vida ribeirinha, trabalho e cotidiano. E também chamou atenção para a complexidade de representar Belém a partir de recortes curatoriais.
“Selecionar o que falar de uma cidade com mais de 400 anos é sempre um exercício. A gente trabalha com camadas de temporalidade, de cores, do patrimônio edificado, mas também com as permanências e transformações dessa paisagem”, afirmou.
Para ela, a exposição propõe justamente esse olhar ampliado, que articula passado e presente: “Belém é uma cidade que dialoga com a colonialidade, com a ancestralidade indígena, com a modernidade e com a vida ribeirinha ao mesmo tempo. Para falar do patrimônio da cidade, para discutir sobre a memória da cidade, é preciso falar das gentes da cidade”, observou Deyseane.
A pesquisadora também fez questão de dizer que o texto tem o poder de “atrair ou de repelir o visitante”, disse ela, ao defender uma escrita menos hermética e mais acessível, capaz de dialogar tanto com pesquisadores quanto com estudantes, crianças e visitantes em geral.

Trajetória que atravessa gerações
Provocado pelo público, Emanuel Franco compartilhou ainda experiências de sua trajetória como curador, pesquisador e gestor cultural, que ampliam suas relações no campo das artes visuais.
Emanuel relembrou sua experiência à frente de espaços culturais, como no período em que esteve ligado ao Centur. E destacou que essa vivência foi fundamental para a construção de vínculos com artistas e para o entendimento da produção local.
“Além de você ter um conhecimento, você tem um vínculo de amizade, de consideração, tem um amor muito grande por muitas pessoas que ajudaram e contribuíram comigo na minha formação”, afirmou.
Também citou sua atuação em projetos expositivos de maior escala, como sua participação na curadoria do Arte Pará, reforçando o papel do curador como mediador entre produção artística, espaço expositivo e público.
Pelo Arte Pará, mencionou as experiências marcadas pela pesquisa territorial, como um projeto em que percorreu 36 municípios ribeirinhos, investigando artistas e produções fora dos circuitos tradicionais.
“A curadoria era justamente para descobrir artistas desses interiores”, disse, ao lembrar processos que envolveram deslocamentos, convivência e escuta direta dos criadores. Em outro momento, reforçou o caráter formativo desse tipo de atuação: “Cada curadoria que a gente faz é uma aula, é um ensinamento”.
Durante o bate-papo, Emanuel destacou ainda que a curadoria não é uma ação isolada, mas um processo coletivo que envolve diferentes profissionais, da montagem à comunicação, e depende da relação com artistas e instituições.
Ele ressaltou que o trabalho curatorial exige tanto conhecimento técnico quanto sensibilidade, especialmente na construção de narrativas visuais a partir de conjuntos amplos de obras.
A mostra segue aberta até domingo, 3 de maio, com entrada gratuita. Nesta quinta-feira, 30 de abril, a visitação será estendida até 22h, dentro da programação Uma Noite no Museu, oportunidade para o público conferir a exposição nos seus últimos dias.
Serviço
Exposição: Uma Belém no Olhar de Alguém
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia
Visitação: até domingo, 3 de maio
Funcionamento de terça a sexta, das 10h às 16h e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14.
Entrada gratuita


