Ernesto Boulhosa lança “Amazoniase”, inspirado nas paisagens e memórias amazônicas

O escritor paraense Ernesto Feio Boulhosa lança o livro Amazoniase, neste sábado, 30 de maio, em Belém. O autor constrói uma narrativa ficcional atravessada por lembranças da infância no Marajó, pelas transformações ambientais da região e pela preocupação com os rumos da floresta diante do avanço predatório sobre os territórios amazônicos.

O lançamento em Belém acontece no Ponto BB, na Doca, reunindo leitores, escritores e convidados para uma tarde de autógrafos e conversas sobre literatura e Amazônia.

Às 16h, haverá uma roda de conversa com autores da região para discutir os desafios e as perspectivas do território amazônico em tempos de crise climática e transformações aceleradas.

A palavra que dá nome ao livro nasceu do desejo de condensar, em um único termo, a ideia de uma Amazônia integrada à natureza e às relações humanas. Ernesto define “Amazoniase” como um estado de pertencimento, um mundo possível onde a convivência acontece em equilíbrio.

“É um termo de uma Amazônia bela, de um mundo encantado, em que as pessoas vivem num ecossistema perfeito”, resume o escritor.

A criação do livro reúne uma experiência pessoal de retorno. Após décadas atuando como pesquisador da Embrapa e com formação voltada ao meio ambiente, Ernesto conta que, ao se aposentar, sentiu necessidade de revisitar as próprias origens no Marajó.

As viagens pelos rios e municípios do Pará fizeram surgir não apenas memórias da infância, mas também um choque diante das mudanças que encontrou pelo caminho.

Natural da região do Rio da Fábrica, em Ponta de Pedras, ele lembra de uma infância marcada pela convivência comunitária, pelos rios limpos, pelas canoas a remo e pela relação direta com a mata.

“Tudo era partilhado. Existia uma convivência muito forte entre meu pai, que era um caboclo marajoara, e a comunidade. Mesmo com as dificuldades e a pobreza, havia uma relação muito humana, muito próxima da natureza”, recorda.

Filho de uma família de 14 irmãos, Ernesto cresceu entre trilhas na floresta, banhos de rio e expedições infantis pelo terreno coberto de mata onde vivia. Hoje, porém, ao retornar à região, ele percebe outra paisagem.

“As canoas a vela praticamente desapareceram. Entraram os ferry boats, as lanchas rápidas, e junto veio também a poluição. Já vejo rios assoreados, áreas devastadas, lugares onde derrubaram tucumazeiros da minha infância para plantar arroz e feijão. São mudanças que provocam reflexão.”

É justamente dessa tensão entre memória e transformação que surge Amazoniase. Embora seja um romance ficcional, o livro dialoga diretamente com questões ambientais, sociais e culturais da Amazônia contemporânea.

Ernesto explica que a proposta não é rejeitar o desenvolvimento, mas questionar o modelo de exploração que historicamente chega à região apenas para retirar riquezas.

“Queremos o desenvolvimento, claro. Mas também queremos proteção para a natureza. Muitas vezes vêm pessoas de fora que não conhecem a nossa região, exaurem o que temos e vão embora. Nós ficamos aqui.”

Ao longo das mais de 250 páginas, o autor constrói um território imaginário que funciona como metáfora da Amazônia real. O texto combina descrições detalhadas da fauna, da flora, dos rios e dos modos de vida amazônicos com uma narrativa contemplativa e poética.

Denúncia, sim, mas Ernesto define o livro como um convite à reflexão. “É uma proposta para nós deixarmos um mundo melhor para os nossos filhos. Um livro para meditar sobre tudo o que está sendo feito na nossa região.”

Ernesto também relaciona o debate do livro ao momento vivido pela cidade após a realização da COP 30. “Tivemos a COP 30, que foi um momento rico para olharmos um pouco mais para a nossa região. O livro também nasce dessa necessidade de pensar o amanhã.”

Além do lançamento presencial, Amazoniase ficará disponível no Polo Joalheiro e em plataformas digitais.

Serviço

Lançamento do livro Amazoniase, de Ernesto Feio Boulhosa
Dia 30 de maio
Das 14h às 20h
Ponto BB – Banco do Brasil
Av. Visconde de Souza Franco (Doca), nº 345, esquina com a Municipalidade – Belém
Roda de conversa às 16h
Informações: (91) 98287-0171

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