Banner ilustrado do evento "Circuito Maravilha: Guitarrada, Pesquisa e Memória". No lado esquerdo, uma ilustração colorida de um homem tocando guitarra, cercado por flores tropicais e folhagens. À direita, sobre fundo amarelo, as informações: "Barcarena-PA, 20 e 21 de março de 2026, Biblioteca Firmo Cardoso. Inscrições Abertas". Na base, logos de apoio e realização, incluindo SECULT e Governo do Pará.

Laboratório de publicações encerra ciclo com produção autoral e novos olhares sobre o processo criativo

O Laboratório de Publicações Fotográficas – Arquivos, Documentos, Imagens, conduzido por Ionaldo Rodrigues, chegou ao fim consolidando a produção de trabalhos autorais, e provocando um deslocamento importante na forma como artistas e pesquisadores têm se relacionado com seus próprios processos de criação.

Realizado a partir de projeto aprovado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o percurso formativo reuniu participantes interessados em investigar arquivos e transformar imagens e documentos em publicações independentes, explorando formatos como fotolivros, zines e impressos artesanais.

Além de uma introdução técnica, o laboratório se estruturou como um espaço de experimentação e acompanhamento, no qual cada participante pôde desenvolver um projeto próprio, articulando pesquisa, edição e materialização gráfica. Ao longo das semanas, foram abordados aspectos como diagramação, escolha de papéis, tiragem, encadernação e circulação, sempre conectados à dimensão conceitual das obras.

A proposta dialogou diretamente com o percurso do próprio Ionaldo, cuja prática artística atravessa fotografia, arquivo e publicação. Para ele, o interesse pelos processos editoriais surge justamente da relação com a multiplicidade das imagens e suas formas de organização.

“A fotografia também é produção de documento, de versões, de tiragens. Esse acúmulo de imagens e a possibilidade de organizá-las foi o que me levou à publicação como parte do trabalho”, explica.

Essa compreensão aparece no laboratório. A publicação não é apenas um suporte final, mas um desdobramento da pesquisa. Ao lidar com arquivos e documentos, os participantes foram estimulados a buscar sentidos, cruzar informações e construir novas leituras a partir desses materiais.

Entre pesquisa e forma: o livro como desdobramento

Nos resultados apresentados, esse pensamento se materializa em projetos que atravessam memória, território e experiência pessoal. A artista visual e designer Luíza Ribeiro desenvolveu, a partir do laboratório, um trabalho ligado à sua pesquisa sobre memória e ausência de registros familiares.

“Eu já vinha pesquisando isso, porque não tenho nenhuma imagem da minha avó materna, e nem minha mãe lembra dela. O laboratório veio num momento muito bom para aprofundar essa pesquisa”, conta.

Sem expectativas iniciais de concluir o projeto, ela destaca o impacto da experiência. “Eu achei que não ia conseguir finalizar por causa da correria, mas deu muito certo. Fiquei muito feliz com o resultado e pensando em ampliar. A publicação passou a ser uma ferramenta que eu não enxergava antes”, afirma.

Já para Georgiane Abreu, a entrada no laboratório partiu de uma necessidade concreta ligada ao audiovisual. “Eu estou em processo de realização de um curta-metragem selecionado pela PNAB 2025, e uma das contrapartidas é um livro de processo. Então eu já teria que aprender mesmo como me autopublicar de alguma forma”, explica.

Ao longo da oficina, ela destaca o contato com práticas ligadas à tiragem reduzida, processos artesanais e diferentes possibilidades de publicação. “A gente teve ensinamentos sobre diagramação, escolha de papel, formatos, além de exemplos de autopublicação como expressão do próprio trabalho”, afirma.

Seu projeto final se desdobrou em um álbum de imagens como referência para o filme, que aborda cidades alagadas em um contexto de caos climático. “Acabei entregando um livro. Foi o primeiro que fiz na vida, todo manual, artesanal mesmo. Fiquei muito feliz com o resultado.”

A experiência também revelou desafios próprios do tempo da criação. “Na entrega final, acho que a gente ousou pouco nos formatos, mas é um processo demorado. Às vezes leva tempo para amadurecer as ideias e conseguir colocar em prática”, observa Georgiane.

Para a artista Renée Miranda, o laboratório foi decisivo para transformar uma ideia ainda difusa em um trabalho autoral consistente. Vinda de uma experiência anterior em publicação coletiva, ela encontrou na oficina um direcionamento mais preciso.

“O grupo de estudos me deu um embasamento amplo, mas o laboratório foi muito específico e detalhado. Eu já tinha o projeto, mas não sabia como desenvolver ele individualmente”, relata.

A partir das orientações, sua publicação passou a ser pensada em todos os aspectos, da escolha do papel à sequência das imagens. “Cada elemento tem uma intenção”, afirma.

O laboratório foi realizado na Kamara Kó Galeria, em Belém, entre janeiro e fevereiro de 2026, com encontros presenciais e etapas virtuais de acompanhamento. Integrando a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a ação se consolida como uma experiência formativa que amplia os modos de criação e circulação no campo da autopublicação.

compartilhe

Categorias