Foto: Chico Castro

“Shima-Açu” une Okinawa e Marajó em cena marcada por memória, ancestralidade e encontro de culturas

O espetáculo “Shima-Açu”, obra que cruza memórias, ancestralidades e territórios a partir do encontro entre duas ilhas: Okinawa, no Japão, e o Marajó, no Pará, retorna a São Paulo, para mais três apresentações, nos dias 1º, 2 e 3 de maio, no Sesc Casa Verde, em São Paulo.

Criado pelo paraense Milton Aires, em parceria com a atriz paulista Liana Yuri Shimabukuro, o trabalho é resultado de um processo de mais de três anos e carrega, no centro, a ideia de retorno, artístico e pessoal.

O ator, e também produtor, esteve por aqui tentando articular a vinda do espetáculo.  “Essa minha vinda aqui tem também essa função. Também é um desejo de chegar até Ponta de Pedras, que é a minha cidade de origem, e a Ilha do Marajó como um todo”, afirma Aires.

O título do espetáculo sintetiza sua proposta: “Shima”, palavra japonesa para ilha, e “Açu”, termo tupi-guarani que significa grande. A junção cria uma espécie de território simbólico onde culturas geograficamente distantes se encontram.

Milton Aires – Foto: Chico Castro

A dramaturgia nasce da aproximação entre histórias de povos originários de Okinawa, arquipélago ao sul do Japão, e da Ilha do Marajó, na Amazônia. Em ambos os contextos, há marcas de colonização, apagamento cultural e resistência, que atravessam as narrativas dos artistas.

Desenvolvido de forma independente, há pelo menos três anos, o projeto ganhou projeção ao realizar uma temporada de cinco semanas no Sesc São Paulo. “No ano passado conseguimos finalizar e fazer uma temporada longa, com todos os ingressos esgotados. Sentimos que ele se aproxima das pessoas de uma maneira diferente”, relata Milton.

Um dos aspectos mais singulares de “Shima-Açu” é o uso do origami e dos livros pop-up como dispositivos cênicos. A pesquisa de Liana Yuri, que há mais de duas décadas trabalha com a arte da dobra e da engenharia de papel, se transforma em linguagem dramatúrgica.

“Uma dobra é uma memória”, afirma um dos trechos da dramaturgia. A ideia de que cada marca no papel guarda um acontecimento orienta a construção visual do espetáculo, que utiliza a tridimensionalidade dos livros pop-up para criar imagens, sombras e relações com o corpo dos atores.

Trajetória e circulação

Milton Aires é ator, dançarino, produtor cultural e educador em artes da cena, e sua trajetória artística atravessa diferentes linguagens, do teatro, dança e audiovisual, com atuação contínua, desde o final da década de 1990.

Além de encontrá-lo para um café, na semana passada, nesta o vi novamente, mas na tela do cinema, no filme Juliana contra o Jambeiro do Mal pelo coração de João Batista, em sessão especial no Festival Amazônia Fidoc.

A circulação no Pará, para ele, tem outros significados. “Apresentar esse trabalho em Belém é, de alguma maneira, retornar às nossas origens, retornar a um lugar de onde esse projeto também se alimenta, de onde ele também é pertencente”, completa

“Há mais de dez anos que não apresento nenhum trabalho artístico como ator ou dançarino em Belém. Então é também um desejo meu, muito pessoal, de voltar a me apresentar para a cidade”, concluiu ele que, atualmente se dedica à circulação de seus trabalhos a partir de sua produtora, articulando parcerias e novas apresentações em diferentes territórios.

 

Serviço

Espetáculo: Shima-Açu
Datas: 1º, 2 e 3 de maio (sexta, sábado e domingo)
Horário: 15h30 às 16h50

Ingressos:

R$ 50 (inteira)

R$ 25 (meia-entrada)

R$ 15 (credencial plena Sesc)

Como comprar:

Pelo aplicativo Credencial Sesc SP

Ou diretamente nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo

Classificação: 14 anos

Local: Sesc Casa Verde (SP)
Endereço: Av. Casa Verde, 327

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