O Circular Campina Cidade Velha realiza seu primeiro circuito do ano. O projeto, que há mais de uma década ressignifica a relação entre cidade, centro histórico e cultura, chega à sua 55ª edição reforçando o compromisso com a ocupação do território, a valorização do patrimônio e a construção de redes comunitárias de afeto e resistência.
Neste domingo, 6 de abril, mais de 30 espaços culturais envolvidos – entre ateliês, museus, galerias, lojas colaborativas e casas estarão abertos especialmente para a ocasião –, e o que já era tradição se renova com a estreia de cinco novos empreendimentos que escolheram começar suas trajetórias dentro do circuito:
Mairí Belém, Espaço Cultural Gruta, Puba Bar, Hum Caboco e Jambu Mineiro. Adelaide Oliveira, da equipe do projeto, vê nesses movimentos de adesão de espaços uma prova concreta do papel mobilizador do Circular.
“A chegada de cinco novos espaços nesta edição mostra como o Circular é um projeto agregador, que estimula empreendimentos – novos e antigos – a se instalarem no centro histórico. Isso reforça o papel do projeto como catalisador da economia criativa local”, destaca a atual coordenadora do projeto.
Adelaide reforça que mesmo sendo negócios, todos compartilham o compromisso com a valorização do território, apostando no potencial cultural e turístico da região. “Para o Circular, é uma alegria ver mais pessoas acreditando e investindo nesse lugar tão simbólico para Belém.”
Ocupações que criam sentido

O Espaço Mairí, por exemplo, ocupa um antigo galpão de loja de móveis, agora reconfigurado como ponto de encontro para arte, infância e música. Para Fagner Ramos, idealizador do espaço, a participação no Circular é mais do que estratégica: é identitária.
“A Praça do Carmo só tem vida com a circulação de pessoas. Não teria sentido abrir um espaço ali sem estar presente no Circular. É o próprio projeto que nos encoraja. Sou muito grato por tudo o que esse movimento faz pela cidade.”, afirma Fagner.
A reocupação de espaços colocados à venda pelos proprietários ou para alugar, repete um padrão que marca o processo de resistência cultural na Cidade Velha. Se antes os casarões abriam as portas para lojas e comércios tradicionais, hoje recebem empreendedores criativos, artistas e produtores que acreditam na potência viva daquele território.

O Puba Bar, que também estreia nesta edição, também traz essa relação de pertencimento desde antes de abrir as portas. “Comprei essa casa em 2021 já pensando que um dia estaria no Circular. A gente já participava como público, e agora participa como espaço, num movimento natural de quem quer ver o centro histórico vivo”, conta o chef Thiago Castanho, um dos sócios.
Para a artista Letícia Álvares, do recém-inaugurado Espaço Cultural Gruta, fazer parte da rede Circular é uma maneira de ampliar o alcance do seu trabalho e integrar uma rede que pulsa cultura. A programação do Gruta inclui exposição de aquarelas, feira criativa e roda de conversa com o movimento Urban Sketchers Belém.
“A inclusão na rede representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade dos nossos artistas e fortalecer a conexão junto à rede cultural de Belém”, afirma.
Além da movimentação afetiva e simbólica, há também a força econômica. O Circular transforma os domingos da cidade: atrai visitantes, estimula vendas, impulsiona gastronomia, arte e turismo, mesmo entre calçadas quebradas, casarões descuidados e iluminação precária. O que poderia ser apenas mais uma data no calendário, torna-se um exercício coletivo de memória e criação de futuro.
Programação no novos espaços

O Espaço Mairí (Rua Siqueira Mendes, 186 – Cidade Velha), estreia com programação das 15h às 20h. Às 16h, recebe a contação de histórias “Histórias de Rio Mar” com Leonel Ferreira, e às 16h45, a festa segue com os DJs do coletivo Black Soul Samba.
O Puba Bar, também localizado na Cidade Velha, abre suas portas como bar e estúdio, integrando oficialmente o circuito nesta edição. O Espaço Cultural Gruta (Passagem Nélio Lobato, 62), funciona das 9h30 às 18h com exposições de aquarelas e ilustrações de Letícia Álvares, Daniel Pina e Renan Ruffeil, feira de artesanato, cosméticos amazônicos e venda de lanches naturais.
Na Campina, a Casa Jambu Mineiro (Rua Ferreira Cantão, 278 – esquina com Caetano Rufino) realiza sua inauguração oficial das 11h às 19h: o almoço com petiscos abre a casa às 11h, seguido de samba de roda com Yuri Guedelha e Cia às 12h e, às 15h, show com Tici Santos. O couvert artístico é de R$ 5.
Também na Campina, nas divisas com o bairro de Nazaré, o restaurante Hum Caboclo (Travessa Dr. Moraes, 33) funciona das 11h30 às 15h, oferecendo comida e drinks em um casarão restaurado. Às 13h, a programação musical fica por conta da cantora Alba Maria acompanhada de Floriano.
Dê um rolê e você vai ver…

E tem muito mais. Nesta edição, o público poderá explorar diferentes experiências culturais em cada um dos bairros do centro histórico. Seguem aqui algumas dicas.
Na Campina, a arte e a gastronomia se entrelaçam com exposições como a de Guido Elias na Kamara Kó Galeria, a mostra dedicada ao mestre Tó Teixeira no Palacete Faciola e a programação do Cineclube Fotoativa. Entre outros espaços, também estão a Tapi-Óka, a Casa Igá e Avintura Vinhos Finos.
Já o bairro da Cidade Velha reúne manifestações de ancestralidade e criatividade urbana, com destaque para o Centro Cultural do Bené, a Casa Apoena e o Terreiro Ogum Beira Mar,entre outros espaços como o Mercado do Porto do Sal, com o Coletivo Aparelho, que conectam arte, infância, música e roda de conversa.
No Reduto, a programação gira em torno de temas urbanos e ambientais, com o Lab da Cidade, na Vila Prana, que promove duas rodas de conversa envolvendo cidade, sustentabilidade e COP 30, e o Espaço Vem.
Como nasce um projeto…

A ideia de realizar o Circular Campina Cidade Velha nasceu em 2013. Ainda não era exatamente esse ainda, o formato do projeto quando Makiko Akao, da Kamara Kó Galeria, e outros artistas que mantinham seus ateliês e oficinas de arte no centro histórico, resolveram promover o Circuito das Artes, realizado em dezembro daquele ano.
O objetivo era tentar trazer de volta as pessoas para o centro histórico, que estava sendo enterrado vivo com a falta de políticas públicas para os bairros, afastando a todos e os próprios moradores que começavam a deixar suas casas.
E nos primeiros movimentos desta iniciativa ficou bastante claro aos seis empreendedores culturais envolvidos que eles não estavam sozinhos. Várias outras iniciativas colaborativas e coletivas estavam se instalando no centro histórico ocupando casas e casarões antigos.
Já em 2014 o projeto realizou sua primeira edição no formato em que segue até hoje, bimestral, realizado nos meses de abril, junho, outubro e dezembro, com a proposta de promover encontros e reativar laços entre o centro histórico e seus habitantes.
A cada edição, a cidade é chamada a repensar seu patrimônio, material e imaterial. Ao provocar tudo isso, o Circular também ensina – mostra como poderia ser se as políticas públicas olhassem com mais cuidado para Campina, Reduto e Cidade Velha. Enquanto isso não acontece de forma plena, a sociedade civil segue resistindo – ocupando, cuidando, criando.

Muito além das edições bimestrais, o Circular se desdobra em outras frentes. A Revista Circular Digital compartilha conteúdos sobre patrimônio, arte e cultura urbana. O projeto também realiza um Fórum que aproxima sociedade civil e autoridades para pensar coletivamente os rumos do centro histórico.
E tem produzido uma série de documentários que narram experiências e histórias que fazem pulsar a cidade. Já estão disponíveis no YouTube dois filmes: “Experiência Circular – Encontros e Afetos no Centro Histórico de Belém”, e “Ser Circular é Tocar o Coração da Cidade”.
O terceiro, “Histórias da Campina”, será lançado em junho, ampliando ainda mais essa memória audiovisual. Para conhecer mais sobre a essência do projeto, vale assistir ao primeiro documentário: acesse abaixo.
BAIRRO DA CAMPINA
ASSEMBLEIA PARAENSE – 10h às 16h
Av. Presidente Vargas, 762
• Espaço Terrace aberto ao público
AVINTURA VINHOS FINOS – 9h às 12h
Rua Carlos Gomes, 138, loja 8 (Térreo do Ed. José Peixoto da Costa)
• Degustação de 3 rótulos de vinhos leves e 3 rótulos de vinhos tintos
• Acompanhamentos à parte (consultar cardápio)
• 16h30 – Voz e violão com o casal Avintura
BALATA – 10h às 18h
Rua Carlos Gomes, 241
CASA IGÁ – 8h às 16h
Tv. Frei Gil de Vila Nova, 215
CASA JAMBU MINEIRO – 11h às 19h
Rua Ferreira Cantão, 278 (Esq. com Caetano Rufino)
• 11h – Almoço e petiscos
• 12h – Samba de roda com Yuri Guedelha e Cia
• 15h – Show com Tici Santos
• Couvert artístico: R$ 5
CENTRO CULTURAL DA JUSTIÇA ELEITORAL DO PARÁ – 8h às 14h
Rua João Diogo, 254
• Feirinha de artesanato
• Exposição: O Alvorecer da Justiça Eleitoral no Pará
CENTRO CULTURAL PALACETE FACIOLA – 9h às 12h
Av. Nazaré, 138 (esq. com Dr. Moraes)
• 9h – Abertura dos portões
• 9h25 – Fala de abertura
• 9h30 – Curta A aventura de Patyzuli no Círio
• 9h40 – Documentário Ritmos de Juaba
• 10h05 – Bate-papo com realizadores
• 11h – Documentário Tó – Violão Mestre
FOTOATIVA – 9h às 19h
Praça das Mercês, 19
• Estúdio Aberto – Exposição da Bienal das Amazônias
• 10h às 12h – Oficina de fitotipia com Laíza Ferreira (livre, para crianças e adultos)
• 16h – Cineclube Fotoativa: Ori (1989), comentários de Emerson Caldas e Raphael da Luz
HUM CABOCO – 11h30 às 15h
Trav. Dr. Moraes, 33
• 13h – Música com Alba Maria e Floriano
KAMARA KÓ GALERIA – 10h às 18h
Tv. Frutuoso Guimarães, 611
• Exposição: Um imenso estranhamento com a natureza – Guido Elias
PURÃO VEGANO – 11h às 15h30
Tv. Padre Prudêncio, 166
• Almoço vegano com cardápio afetivo
TAPI-ÓKA – 8h às 16h
Tv. Frei Gil de Vila Nova, 223
• Lançamento do Beiju da Makini
• Novas bebidas e receitas fixas
• Participações: Arte de Kiloa, Makini, Amazônia Looks, AMAY
BAIRRO DA CIDADE VELHA
BAR E RESTAURANTE NOSSO RECANTO
Rua Siqueira Mendes, 24 – em frente à Praça do Carmo
CASA APOENA – 12h às 20h
Rua São Boaventura – Próx. ao Mercado do Sal
• 12h – Almoço Apoena
• 12h às 19h – Feirinha Criativa
• 13h – Show com Adilson Alcântara
• 16h – DJ Nat (na rua)
• 19h – Reggaetown + DJ Faca
CASA DA LUNA – 10h às 18h
Trav. Marquês de Pombal, 44
CASA DAS ICAMIABAS
Rua Dr. Malcher, 23
CENTRO CULTURAL DO BENÉ – 10h às 18h
Tv. Dom Bosco, 27
• 10h – Feira Criativa
• 12h – Venda de almoço
• 12h às 14h – Show com The Papudos
• 16h às 18h – Show com Mário Renan
COLETIVO APARELHO
Mercado do Porto do Sal – R. São Boaventura
ESPAÇO CULTURAL GRUTA – 9h30 às 18h
Passagem Nélio Lobato, 62
• Exposição: Daniel Pina, Letícia Álvares e Renan Ruffeil
• Feira de artesanato e cosméticos amazônicos
• Venda de lanches e bebidas naturais
FEIRA AMAZÔNIA CRIATIVA – 10h às 15h
Espaço São José Liberto – Praça Amazonas
• Moda sustentável, gastronomia e artesanato
• Atração cultural paraense
MAIRÍ – 15h às 20h
Rua Siqueira Mendes, 186
• 16h – Contação de histórias com Leonel Ferreira
• 16h45 – DJs Black Soul Samba
PAPEL DA AMAZÔNIA e ATELIÊ DO ZOCA – 10h às 18h
Rua Dr. Rodrigues dos Santos, 181
• 10h às 16h30 – Abertura da Esquina do Papel e do Ateliê
• 11h – Larissa Leite e Julio Mendes – Voz e violão
PIMENTA NA CUIA – a partir das 11h
Rua Almirante Tamandaré, 123
• DJ Moriel (vinil), exposição Cores do Carimbó – Marcelo Rui
• Show com Andrea Pinheiro
RESTAURANTE CELESTE – 10h às 18h
Rua Padre Champagnat, 302
SISTEMA INTEGRADO DE MUSEUS E MEMÓRIAS – 9h às 17h
Complexo Feliz Lusitânia e outros
TERREIRO CULTURAL OGUM BEIRA MAR E MAMÃE OXUM – 10h às 18h
Beco do Carmo, 161
• 8h – Café com Axé
• 9h – Meditação guiada com Jeise Lima
• 10h às 12h – Encantaria para crianças
• Feijoada e AcaraZé (acarajé do Seu Zé Pelintra)
• Giraê – bazar criativo
• 14h – Cine Aruanda: ParaNorman
• 15h30 – Cine Aruanda: Besouro
BAIRRO DO REDUTO
BISTRÔ CAFÉ CLUB – 9h às 13h
Av. José Malcher, 147
• Brunch com sugestão da chef Fabi Soares
• Música ambiente
• Estacionamento com desconto para clientes
ESPAÇO VEM – 10h às 18h
Rua Ó de Almeida, 1084
• 11h – DJ Jack Sainha
• Lançamento da coleção Retrô Chic
• Gastronomia da Mururé com pratos regionais da chef Lorena Costa
ESTÚDIO BOHHO & EURICA
Rua Tiradentes, 16
VILA PRANA E LAB DA CIDADE – 9h às 18h
Rua 28 de Setembro, 913 (esq. com Trav. Rui Barbosa)
• Rua aberta: “Essa rua é minha praça”
• 9h – Abertura da Casa da Cidade e da exposição Lab pelas Cidades
• 9h às 12h – MiniFest de Café na Rua
• 9h às 12h – Brincadeiras de Páscoa com tia Ló (Pix R$ 10/criança)
• 9h às 12h – Oficina Raio que o Parta (R$ 30)
• 10h às 13h – Oficina Geotinta de Barro (R$ 20)
• 10h às 11h30 – Roda de conversa: COP30 e transição energética
• 11h às 11h30 – Bate-papo: Ecologia urbana
• 11h30 às 13h – Mesa redonda: COP30, Comunicação e Cultura
Acesse também no site: www.projetocircular.org.


