Carimbó: Festival da ACENA reafirma cultura e território às vésperas da COP 30

Por dois dias, o bairro do Coqueiro, em Belém, será tomado pela batida do curimbó, pelas saias rodadas e pelas vozes que cantam histórias de um lugar.

O III Carimbó ACENA Fest, neste sábado, 16, e domingo, 17 de agosto, celebra o ritmo que é patrimônio cultural e imaterial do Brasil desde 2014, reunindo quinze grupos, mestres e mestras para um encontro que é mais do que música e dança: é memória viva e estratégia de futuro.

Idealizado pelo Ponto de Cultura ACENA – Associação Cultural e Esportiva de Negros, Negras e Afrodescendentes da Amazônia – o festival é também uma arena para diálogos e reconhecimento.

Este ano, presta homenagem a Mestra Nazaré Pereira, Mestra Nazaré do Ó e Mestre Ney Lima Pela Paz, figuras que atravessam gerações e territórios com seu fazer cultural. Haverá rodas de conversa, apresentações de grupos tradicionais e estilizados, e encontros intermunicipais que reafirmam a força do carimbó como elemento de identidade e mobilização comunitária.

Nazaré Pereira com a diretoria do Acena. Foto: Acena/Divulgação

Cultura e clima: por que falar disso agora?

À primeira vista, um festival de carimbó pode parecer distante das discussões sobre a crise climática. Mas, na Amazônia, cultura e meio ambiente são indissociáveis. O carimbó nasce da relação direta com o território: dos tambores feitos de madeira local aos cânticos que narram rios, ventos e modos de vida.

Preservar essa manifestação é também preservar saberes ecológicos, formas sustentáveis de existência e redes comunitárias que resistem à pressão da degradação ambiental.

Em um ano em que Belém se prepara para sediar a COP 30, eventos como o ACENA Fest lembram que não existe futuro climático sem futuro cultural. O combate à crise ambiental passa por reconhecer e fortalecer as comunidades que há séculos mantêm relações equilibradas com seus ecossistemas. Cada roda de carimbó é, de certo modo, uma aula prática de resiliência, adaptação e pertencimento.

Mestra Nazaré do Ó. Foto: Pierre Azevedo

Programação

16/08 – Sábado

  • 14h – Roda de conversa com mestras e mestre homenageados

  • 15h – Homenagem à Mestra Nazaré Pereira

  • 16h – Grupo de Cultura Regional Iaçá (Belém)

  • 16h45 – Grupo de Carimbó Pica Pau (Vista Alegre – Marapanim)

  • 17h30 – Conjunto de Carimbó Beija Flor (Marudá)

  • 18h15 – Regional Frutos do Pará (Belém)

  • 19h – Coletivo Tamborimbó (Belém)

  • 20h – Regional Jurupari (Belém)

  • 20h45 – Banda ACENA (Belém)

17/08 – Domingo

  • 14h – Homenagem à Mestra Nazaré do Ó e show com Conjunto Carimbó Água Negra

  • 15h – Homenagem ao Mestre Ney Lima Pela Paz e show com Os Falsos do Carimbó

  • 16h – Grupo Asa Branca (Belém)

  • 16h45 – Grupo de Expressões Parafolclóricas Uirapuru (Belém)

  • 17h30 – Grupo Cuia Pitinga (Curralinho – Marajó)

  • 18h15 – Grupo de Carimbó Bico de Arara (São Caetano de Odivelas)

  • 19h – Coletivo Tamborimbó (Belém)

  • 20h – Grupo Parananin (Ananindeua)

  • 20h45 – Carimbó Mururé (Belém)

Serviço

Local: Av. Augusto Montenegro, Conjunto Maguari, Alameda 19, nº 14, Coqueiro – Belém/PA
Datas: 16 e 17 de agosto de 2025
Horário: 14h às 23h
Informações: (91) 98152-2682 (WhatsApp)

O III Carimbó ACENA Fest é realizado com recursos da Lei Aldir Blanc – PNAB 2024, por meio da Fundação Cultural de Belém (FUMBEL), com patrocínio do Governo Federal e do Ministério da Cultura.

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