Depois do ato público “O MABE pede socorro”, realizado no dia 7 de junho, em frente ao Palácio Antônio Lemos, a mobilização em defesa do Museu de Arte de Belém (MABE) retorna às ruas.
A movimentação ocorre num cenário que o setor cultural vem acompanhando desde o início da atual gestão da prefeitura de Belém: a dificuldade de consolidar uma estrutura administrativa para a política cultural do município.
Nos últimos meses, mudanças de cargos, substituições de servidores e sucessivas alterações na Secretaria Municipal de Cultura passaram a fazer parte da rotina da pasta.
Em meio a esse processo, o Museu de Arte de Belém (MABE), é apenas uma ferida aberta num processo mais que coloca em jogo o patrimônio histórico de Belém, trazendo junto outras questões.
As desativações dos serviços de educação em arte e do memorial a Bruno de Menezes no Palacete Pinho, o não funcionamento do Museu Casa Francisco Bolonha e a expectativa pela reabertura do Cine Olympia, que segue sem uma definição sobre seu funcionamento.
No mais, junte a isso, as incertezas administrativas, equipes reduzidas e reivindicações que continuam sem respostas concretas.
Neste domingo (5), às 11h, servidores, pesquisadores, artistas, estudantes e frequentadores do museu realizam a Vigília em Defesa do MABE, com o objetivo de ampliar o debate sobre a situação da instituição e fortalecer o abaixo-assinado que será encaminhado aos órgãos de fiscalização e proteção do patrimônio.
A mobilização pelo MABE ganhou força há cerca de dois meses, quando servidores levaram as denúncias à Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), com repercussão nas redes sociais.
Desde então, a comunidade cultural passou a discutir publicamente questões como a ausência de uma estrutura administrativa consolidada para o museu, a redução das equipes técnicas, os riscos à preservação do acervo e a indicação da atual direção do equipamento, criticada por profissionais da área por não possuir experiência em gestão museológica.
A indicação política ao cargo de diretor do Museu, hoje ocupado pelo matemátido Josias da Silva Higino Filho, filho do vereador e pastor Josias Higino (PSD), aliado de Igor Normando, tem sido questionada também. E essa é apenas uma das questões que hoje envolve todo o cenário da gestão da cultura municipal.
MABE no centro do debate

Instalado no histórico Palácio Antônio Lemos, o Museu de Arte de Belém guarda um dos mais importantes acervos públicos da Amazônia, com mais de dois mil bens culturais entre pinturas, esculturas, mobiliário, fotografias, porcelanas, documentos e obras que ajudam a contar a história de Belém, do Pará e da região amazônica. O prédio que abriga o museu também é protegido por instrumentos de tombamento nas esferas federal, estadual e municipal. E também é a sede oficial da prefeitura.
Nos bastidores, houve uma tentativa de diálogo. Fontes ouvidas pelo Holofote Virtual informaram que, poucos dias após o ato realizado em 7 de junho, a ex-secretária municipal de Cultura, a psicóloga Raphaela Segadilha (exonerada neste 1° de julho do cargo), esteve no MABE acompanhada da secretária adjunta, Hanna Racquel Ferreira Sosinho, outra nomeação criticada nas redes sociais. Desde janeiro de 2025, no cargo, a adjunta também não tem experiência em gestão cultural.
A reunião ocorreu ainda com participação do superintendente da SEMCULT, Aiuá Reis Queiroz, que foi exonerado no dia 19 de junho de 2026, por tentar fraudar um edital PNAB para pagar cachês atrasados dos jurados do carnaval 2026.

Público e servidores do MABE aguardam retornos
Na ocasião, a equipe técnica apresentou um diagnóstico da situação do museu e elaborou um documento reunindo as principais demandas da instituição, que seria encaminhado ao gabinete do prefeito.
Passado um mês do encontro, porém, ainda não houve retorno sobre os encaminhamentos apresentados, o que reforçou a decisão de realizar uma nova mobilização pública.
Além de manter o tema em evidência, a vigília pretende ampliar o número de assinaturas do abaixo-assinado antes de seu envio ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público do Estado, ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a outros órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio cultural.
A expectativa dos organizadores é que o novo ato reafirme a importância do MABE para a memória de Belém e pressione o poder público a apresentar respostas concretas para a preservação do museu e de seu acervo.
Será uma questão para o novo secretário de cultura do município, nomeado nesta semana, Michell Durans.
Advogado criminalista e ex-secretário de Esporte do município, sua nomeação segue o padrão de Igor Normando, que vem mantendo a instabilidade na pasta da cultura que segue ausente e sem direcionamento na política cultural do município.
Serviço
Vigília em Defesa do MABE
Data: domingo, 5 de julho de 2026
Horário: 11h
Local: em frente ao Palácio Antônio Lemos, Cidade Velha, Belém.
Assine a Petição: Link
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