Em cartaz no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, a exposição “Brasil: Terra Indígena” segue aberta à visitação até 28 de dezembro, entrando em sua última fase.
A mostra reúne mais de 2 mil peças e apresenta um amplo panorama da presença indígena no território brasileiro, reunindo produções culturais, artefatos e registros fotográficos de mais de 300 povos originários, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal.
Instalada em um dos espaços mais simbólicos da cidade, a exposição propõe uma experiência imersiva que convida o público a reconhecer os povos indígenas como protagonistas vivos da história, da cultura e das soluções sustentáveis para o futuro do país. Cestarias, cerâmicas, indumentárias, objetos rituais e obras contemporâneas dialogam com fotografias produzidas por 45 artistas indígenas, que registram o cotidiano, os territórios e as lideranças da atualidade.
A curadoria, construída de forma coletiva, também se apoia em imagens históricas e etnográficas do acervo do Instituto Moreira Salles, com trabalhos de fotógrafos como Maureen Bisilliat e Marcel Gautherot, ampliando o olhar sobre a diversidade e a permanência das culturas indígenas ao longo do tempo.

Para o curador e diretor do Centro Cultural Vale Maranhão, Gabriel Gutierrez, a exposição se afirma como um gesto político e simbólico. Em um contexto em que Belém se prepara para sediar a COP 30, a mostra reforça a centralidade dos povos indígenas nas discussões sobre clima, território e futuro. “Não haverá sustentabilidade possível sem o reconhecimento e a escuta dos povos originários”, aponta.
Além do conjunto material e visual, “Brasil: Terra Indígena” dedica atenção especial às línguas indígenas, apresentando um mapa inédito desenvolvido para a exposição. A Amazônia concentra quase duas centenas de línguas ainda faladas no Brasil, muitas delas ameaçadas, revelando a urgência da preservação não apenas territorial, mas também linguística e cultural.
Segundo Emanoel de Oliveira Junior, coordenador de museologia do Museu Goeldi, a exposição convida o visitante a ver, ouvir e sentir outras formas de compreender o mundo. “Não se trata de herança do passado, mas de um conhecimento vivo, fundamental para pensar futuros possíveis”, afirma.

A escolha de Belém como sede da mostra também carrega um forte simbolismo. Para o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, a cidade se apresenta como um “museu vivo” da herança indígena amazônica. Integrada ao Parque Zoobotânico, a exposição dialoga diretamente com a biodiversidade local, reforçando a conexão entre cultura, ciência e território.
A mostra integra um conjunto de iniciativas culturais articuladas em Belém no contexto da COP 30, que inclui a inauguração do Museu das Amazônias, a Bienal das Amazônias e ações de preservação do patrimônio histórico da cidade, fortalecendo a presença da cultura como eixo estratégico nas discussões globais sobre meio ambiente e desenvolvimento.
Serviço
Exposição: Brasil: Terra Indígena
Local: Museu Paraense Emílio Goeldi – Centro de Exposições Eduardo Galvão
Endereço: Av. Magalhães Barata, 376 – São Brás, Belém (PA)
Visitação: até 28 de dezembro
Horários: quarta a domingo (inclusive feriados), das 9h às 16h
(bilheteria até 15h)
Ingressos: R$ 3,00 (inteira) | R$ 1,50 (meia) | gratuidades conforme Lei


