Fotos: Bianca Duarte

Ana Clara celebra projeto intimista na Elf Galeria e prepara audiovisual de “Refúgio do Calor”

Existe um lugar onde a arte pode nos levar, um lugar de aconchego, de pertencimento, de certezas dos rumos a seguir.  Um lugar como um abraço.  É assim o “Refúgio de Calor” construído pela cantora e compositora Ana Clara para dar vazão ao seu trabalho: uma música feita de sensibilidade, sutilezas, sonoridades pop, da docilidade e presença da voz da cantora, e de conexão com a cena contemporânea da música popular brasileira.

A primeira mostra disso ganhou espaço na Elf Galeria, em um sábado chuvoso de pequenas alegrias e corações cheios, no dia 14 de março, entre paredes de histórias.

“Foi muito emocionante. O sentido é uma das prioridades nos meus trabalhos, e esse projeto reuniu muitas variáveis realmente especiais”, diz a cantora.

Não de forma planejada, o projeto acabou encontrando a despedida da galeria, um empreendimento familiar importantíssimo na cena das artes visuais de Belém, que encerrou oficialmente suas atividades.

Ana Clara. Foto: Bianca Duarte

Um casulo de afetos e arte

Lá a música ganhou casulo, construído com os desenhos da artista visual Keyla Sobral, cuja visualidade de formas econômicas e muitos significados dialoga muito bem com Ana Clara.  Aplicados com lambe em todas as paredes da galeria, os desenhos abraçaram os versos de canções como “Lunar”, “Prumar” e “Ele sabe dançar”.

Ana Clara destaca que ter a artista no projeto idealizado por ela foi “uma alegria enorme”. “Fiquei muito feliz por ela ter se envolvido de forma tão presente e generosa. O espaço ficou lindo com as obras, a ideia dela pra essa composição foi perfeita, e contamos com o trabalho muito dedicado do Canhotto, da Dy Silva e do Paulo Alves na montagem”.

De pertinho, como parece preferir, Ana Clara cantou para gente de todas as idades – para amigos feitos entre os caminhos da música e das artes, fãs, e para quem estava por ali a primeira vez para conhecê-la.

Junto com os guitarristas Eduardo Feijó e Erik Lopes, o contrabaixista Manuel Malvar e a baterista Deni Melo, e com a interpretação em Libras de Bruno Pantoja e Noemy Oliveira, Ana Clara deu ainda ao público a chance de entender seu processo criativo e ouvir duas canções inéditas.

As faixas “Fuga e Destino” e “Ilumina” são composições feitas em 2025 e que só agora Ana Clara e os músicos estão podendo trabalhar. “Ambas ainda estão em processo de construção. ‘Fuga e destino’ é minha, uma composição que levei quase um ano para terminar. Iniciei pela letra”, conta.

Ana tinha uma ideia central, mas diz que de vez em quando acrescentava novos versos, e que não estava conseguindo desenvolver, até que… “No ano passado consegui finalizar já durante a criação da melodia. Levei pra banda a princípio pensando na sonoridade post-punk como referência, e ao longo do trabalho conjunto ela foi se encaminhando mais pra uma estética indie”, conta.

Já “Ilumina” é a primeira parceria dela com Erik Lopes, guitarrista da banda. “É um grande amigo de quem sou fã. Eu estava num momento de fluxo de composição e pedi que ele me mandasse algum material dele em que eu pudesse trabalhar. Ele me mandou a base dessa música. Uma tarde, escutando repetidas vezes, a letra veio de uma vez”, conta a cantora.

“Pra mim, ela tem muito a ver com a atmosfera que eu queria no ‘Refúgio de Calor’, com uma ideia de se recolher e prestar atenção às coisas em meio a uma realidade caótica”, reflete.

Segundo Ana Clara, as músicas devem ir ganhando contornos durante os shows, e com a receptividade do público, antes do registro. “Penso que já chegamos a formas bem legais, mas ainda tocaremos bastante pra refinar e chegar às versões que serão lançadas mais adiante”.

Ana Clara com Keyla Sobral, na Galeria Elf em um dia de calor cultural. Foto: Bianca Duarte

Um trabalho feito em equipe

A direção técnica de som da apresentação foi feita por Eduardo Feijó, com o acompanhamento de Lucas Padilha, músico com o qual Ana Clara tem uma ampla colaboração já há alguns anos – inclusive com álbum lançado em parceria. O suporte de roadie foi de Augusto Oliveira e o apoio técnico, de Rodrigo Sardo.

A identidade visual do projeto é assinada por Tita Padilha, com fotos de divulgação de Leonardo Venturieri e cobertura em foto e vídeo de Bianca Duarte. A assistência de produção é de Paula Allen; montagem da obra visual, de Canhotto e Dy Silva; suporte técnico da Elf Galeria, de Paulo Alves; e gestão da Elf, de Luena Müller.

Com 11 músicas no setlist – nove delas disponíveis nas plataformas digitais de música -, Ana Clara explica que o repertório de “Refúgio de Calor” foi pensado para combinar faixas de diferentes fases de sua produção e mostrar um pouco do trabalho que ela e a banda estão fazendo agora. Isto inclui faixas dos trabalhos “Ana Clara” (2015) e “Canções de Flutuação” (2024).

“Tirei algumas músicas que estávamos tocando sempre e trouxe de volta outras que há algum tempo não apresentávamos. Sobre os arranjos, não mudamos muita coisa. O foco ficou nas dinâmicas e andamentos, para não extrapolar os volumes, considerando o perfil de som que fazemos e que estaríamos num espaço adaptado, não planejado acusticamente para apresentações musicais”, conta.

Agora, tudo isso estará no audiovisual que completa o projeto, que está em fase de gravação. O trabalho em breve chegará ao YouTube da cantora, que também espera levá-lo para projeções junto a outros públicos, incluindo ainda conversas com ela e a banda.

compartilhe

Categorias