Espíritos da Floresta: MAHKU se despede do público neste domingo na CAIXA Cultural Belém

A exposição Espíritos da Floresta: MAHKU entra em seus últimos dias de visitação em Belém deixando como rastro números expressivos de público, além de uma experiência que envolve a arte com espiritualidade, política e território.

Desde a abertura, mais de 140 mil pessoas passaram pelas galerias da CAIXA Cultural Belém, em um encontro entre a cidade e a produção do coletivo indígena MAHKU.

Para a curadora Aline Ambrósio, esse volume de visitantes revela algo que vai além do êxito institucional.

“Esse dado nos emocionou profundamente. Ele mostra a força e a urgência da arte indígena contemporânea no Brasil hoje”, afirma. Segundo ela, a resposta do público tem sido marcada por relatos recorrentes de encantamento, cura e sensação de presença espiritual, confirmando a proposta curatorial.

Inspirada nas cosmovisões indígenas, a exposição parte do entendimento de que não há separação entre humanidade e natureza.

“Nós somos natureza”, reforça Aline. Essa concepção atravessa tanto as pinturas do MAHKU quanto a curadoria e a expografia, criando um espaço onde muitos visitantes relatam “sentir a floresta” e “escutar os cantos”, mesmo em silêncio.

“Isso indica que estamos conseguindo restaurar uma conexão sensível entre arte, espiritualidade e território”, avalia.

A visita, segundo a curadora, passa a ser reflexiva e transformadora, conectando arte, ativismo, política e espiritualidade. “Vivemos um tempo que exige cura. A floresta precisa de cura, a humanidade precisa de cura”, afirma. Não por acaso, os cantos que atravessam as obras são, sobretudo, cantos de cura.

Um dos marcos simbólicos da exposição é o mural de 140 m² realizado na fachada da CAIXA Cultural Belém. Inicialmente concebido como intervenção temporária, ele foi incorporado de forma permanente à arquitetura do edifício. “Esse gesto afirma a arte indígena como parte viva da paisagem urbana”, destaca Aline. Mesmo após o encerramento da mostra, o mural permanecerá como memória e presença contínua da floresta no cotidiano da cidade.

Lideranças marcaram presença

Do lado do coletivo, o artista e liderança Ibã Sales Huni Kuin reforça que a exposição em Belém estabelece um diálogo profundo com a Amazônia urbana. Para ele, o encontro entre o MAHKU e a cidade produziu uma conexão sensorial conduzida pelos cantos huni meka, pelas cores e pelas vibrações da luz.

“Acredito que, em alguns momentos, esse diálogo foi transcendental, uma miração de imagens da floresta guiada pelo som do nixi pae”, relata.

Ibã também destaca o caráter diretamente político do trabalho do coletivo. O lema “vende tela, compra terra” não é metáfora: os recursos obtidos com a venda das obras são revertidos na compra e proteção de territórios no Acre, garantindo a floresta em pé e o cuidado com as 42 aldeias huni kuin do Alto e Baixo Rio Jordão e do Alto Tarauacá.

“Seguimos enfrentando invasões de fazendeiros. Nossa luta não acabou. Sem território e sem floresta não há vida”, afirma.

As ações educativas e mediações, realizadas ao longo da exposição, reforçaram essa dimensão viva da arte indígena. Para Aline Ambrósio, um dos pontos centrais é mostrar que, nas culturas indígenas, arte e vida são inseparáveis.

“A arte só existe plenamente quando está conectada ao cotidiano, ao território e às relações vivas com a floresta”, explica. Nas mediações, o público é convidado a olhar e sentir a terra “com o corpo inteiro”, em um exercício de escuta, respeito e reconexão.

Neste domingo, em seu último dia em cartaz, Espíritos da Floresta: MAHKU se despede e deixa em nós impacto visual e capacidade de instaurar um espaço de cura, reflexão e encontro entre mundos.

Serviço

“Espíritos da Floresta: MAHKU”

Curadoria e Realização: Aline Ambrósio

Período de visitação: até o dia 25 de janeiro de 2026

Local: Caixa Cultural Belém | Av. Mal. Hermes, S/N – Armazém 6 Porto Futuro II – Umarizal, Belém/PA

Horário de funcionamento: terça a sábado, das 11h às 22h; domingo e feriado, das 12h às 22h

Entrada gratuita

Realização: Aline Ambrósio Produção LTDA

Patrocínio: CAIXA Econômica Federal e Governo Federal

A exposição conta com recursos de acessibilidade e texto bilíngue para atender o público visitante internacional.

 

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