Para os moradores de Icoaraci, “pé redondo” é um apelido super familiar. Ele já faz parte dessa cultura e nasceu do saudável e sustentável hábito de andar de bicicleta pelas ruas do distrito.
“Aqui, muitas vezes vamos de bike a quase todos os lugares: escola, trabalho, almoço de família, feira, restaurante, igreja, orla, comprar açaí… Em tudo que é canto da Vila Sorriso, tem um pé redondo”, diz o manifesto publicado nas redes sociais para divulgar a ação.
Mas se andar de bicicleta faz parte desse cotidiano, “nem só de bike vive o pé redondo”, chamam atenção. A riqueza e diversidade cultural do território também se revelam em outros fazeres como na cerâmica, nas artes visuais, na música, no teatro, na gastronomia, na fotografia, na literatura e nas tantas expressões que pulsaram e ainda pulsam em Icoaraci.
Foi a partir dessa reflexão que um grupo de agentes culturais pés redondos se reuniu no Espaço Coisas de Negro e, entre memórias afetivas, bate-papo, bicicletas estacionadas e muita vontade de fazer arte, deu a primeira pedalada de um movimento coletivo, contínuo e diverso. O objetivo é claro: chamar atenção para o território e para tudo o que nele se produz.
“Queremos fazer a cultura daqui continuar a girar, manter pulsante a arte feita na periferia e perpetuar um legado que é nosso”, afirmam os artistas e produtores que integram o movimento.

Cultura alimentar na programação inaugural
O Circuito Cultural Pé Redondo inaugura-se nesta sexta-feira, 17 de outubro, às 19h, na Estação Cultural de Icoaraci. O projeto Elas Fazem o Pirão Render – Quando a Farinha é Pouca confirmou participação na abertura. A iniciativa marca o início de uma série de ações que visam fortalecer a rede de espaços culturais autônomos e coletivos da capital paraense, promovendo encontros entre arte, comida e memória.
Nesta primeira etapa, o Pirão de Auda Piani, levará à Estação uma barraca com degustações e pequenas vendas, apresentando ao público um recorte da pesquisa culinária desenvolvida em comunidades tradicionais.
A ação mantém o caráter de partilha e valorização dos saberes femininos, reunindo receitas e histórias que revelam o papel da comida como expressão cultural e identidade amazônica.

Sete espaços parceiros
O Circuito Cultural Pé Redondo reúne os espaços Na Casa do Artista, Koringa, Coisas de Negro, Barracão do Vaiangá, Cerâmica Família Santana, Poronga Acesa, Ninho de Caba e Foto Simaque que, ao longo dos próximos meses, realizarão ações conjuntas.
A participação do Elas Fazem o Pirão Render Quando a Farinha é Pouca inaugura também um novo ciclo do projeto dentro da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), com ações previstas para Cotijuba (29 e 30 de outubro) e Ananindeua (8 de novembro), envolvendo oficinas, vivências e trocas culinárias.
A abertura do circuito Pé Redondo será sediada na Estação Cultural de Icoaraci, um dos equipamentos culturais do estado. Instalado no edifício histórico da antiga Estação Ferroviária Pinheiro, inaugurada em 1906, o espaço foi restaurado e transformado em um centro de convivência, arte e economia criativa.
Desde sua reinauguração, a Estação tem abrigado exposições, apresentações artísticas e ações de formação cultural, consolidando-se como um ponto de referência para a comunidade de Icoaraci e para o fomento da cultura amazônica. Recentemente, passou por uma nova readequação estrutural, que incluiu a instalação de uma sala de cinema e áreas de uso compartilhado voltadas a artistas e coletivos locais.
Serviço
Abertura do Circuito Cultural Pé Redondo
Data: Sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Local: Estação Cultural de Icoaraci – Belém (PA)
Participação: Elas Fazem o Pirão Render – Quando a Farinha é Pouca
Atividade: Barraca com degustações e vendas de produtos artesanais
Realização: Circuito Cultural Pé Redondo


