Rodas de conversa, oficinas e workshops (inscrições abertas), além de apresentações musicais que reafirmam a força de uma tradição que atravessa séculos e que segue se reinventando. A terceira edição do Festival de Carimbó do pará será realizada neste domingo, das 10h às 23h, no memorial do Povos.
O domingo festivo (24), antecipa a celebração da próxima terça-feira, 26 de agosto, que marca o Dia Municipal do Carimbó, instituído em homenagem ao aniversário de Mestre Verequete, um dos maiores símbolos da cultura popular paraense. No plano terreno ele faria 109 anos.
E também os quatro anos de existência da OCP que neste consolidou seu papel como espaço de salvaguarda, pesquisa e educação musical. Criada em 2021, a Orquestra nasceu com a missão de abrir novos caminhos para a linguagem do carimbó, levando-a ao universo sinfônico sem perder de vista sua raiz comunitária.

Patrimônio vivo, resistência necessária
Este ano, o festival amplia a programação e vai além do palco. Traz oficinas como a de flauta artesanal, ministrada pelo Mestre Marinho, de Marapanim, lembrando que a música tradicional se faz de materiais retirados da mata, mas também de saberes transmitidos oralmente, entre gerações. Neste sentido há vivências de carimbó voltadas para crianças.
A OCP reúne músicos populares e instrumentistas de formação clássica, compondo um mosaico sonoro que une cordas, sopros e percussão.
A ideia, explica o fundador Jonny Lobato, é construir pontes: trazer mestres do carimbó para o diálogo com a linguagem orquestral, registrando e transcrevendo melodias que até pouco tempo viviam apenas na memória de quem as tocava.
Assim, gêneros como o Samba de Cacete, o Boi de Máscaras e até a guitarrada já foram revisitados pela formação, que entende o repertório como campo vivo de experimentação.

Na programação musical vamos de “Os Quentes da Madrugada”, grupo da Irmandade de Carimbó de São Benedito, de Santarém Novo, ao grupo Flor da Cidade, de Marapanim, que mantém viva a obra de mestres como a de Mestre Pelé. Já à noite, se apresenta a Orquestra de Carimbó do Pará, Som de Pau Oco e Muleques do Carimbó.
Em tempos em que o planeta discute a crise climática, o carimbó, nascido da relação íntima entre comunidades e a floresta, os rios, os quintais, mostra-se mais atual do que nunca. Sua resistência é também um chamado para pensar sustentabilidade, porque preservar a cultura significa preservar o território e os modos de vida que se equilibram com a natureza.
O 3º Festival de Carimbó da OCP foi aprovado pelo edital de Fomento à Circulação de Projetos Culturais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB (Secult/Governo Federal) e contará com apoio da Prefeitura de Belém, através da Secretaria de Cultura e Turismo – Semcult.
Serviço
3º Festival de Carimbó da OCP. Domingo, 24 de agosto, das 10h às 23h, no Anfiteatro do Memorial dos Povos – Av. Gov. José Malcher, 257 (próximo à Praça da República)
PROGRAMAÇÃO
Formação
10h às 12h – Vivências de Carimbó para crianças (Carlos Moraes e Thais Cybelle). Inscrição: Aqui
10h às 12h – Oficina: A flauta Artesanal no carimbó de Marapanim (Mestre Marinho). Inscrição: Aqui.
14h às 16h – Workshop: Improvisação do carimbó (Diretor Geral da OCP – Jonny Lobato). Inscrição: Aqui
14h às 16h – Oficina: Arte em Flores (Oneno Morais). Inscrição: Aqui
16h às 17h – Palestra: “O Caminho do Sucesso: Registro de Obras, Fonogramas e Direitos Conexos” – Rodrigo Ramos (Mestre em ensino, compositor e produtor). Inscrição: Aqui.
Apresentações Musicais
17h30 às 18h – Grupo Flor da Cidade (Marapanim)
18h15 às 18h45 – Os Quentes da Madrugada (Santarém Novo)
19h às 19h30 – Os manos (Vigia)
19h45 às 21h30 – Orquestra de Carimbó do Pará (Belém)
21h45 às 22h15 – Som de Pau Oco (Belém)
22h30 às 23h – Muleques do Carimbó (Belém)


