Na abertura, logo no início deste mês, o público ficou maravilhado com uma mostra inovadora e calorosa, que traz o imaginário do homem sertanejo de forma muito assertiva em toda a sua subjetividade.
A exposição foi trazida a Belém pelo Estúdio Sauá (RJ) e teve a curadoria de André Parente. Ela conta um pouquinho da história do sergipano Cícero Alves dos Santos, conhecido como Véio.
O apelido que virou nome artístico vem da infância, quando ele, ao invés de brincar com as outras crianças, gostava de ouvir as histórias dos adultos, principalmente dos mais velhos que se reuniam na praça. Ouviu, assim, histórias de vaqueiros, lendas e caçadas; essa foi a primeira e maior inspiração do Véio, que começou a esculpir suas obras ainda criança, com cera de abelha.
Véio trabalha somente com troncos de madeira já morta; nenhuma árvore é derrubada para que possa surgir a arte do Véio. “Cada obra desta tem sua forma e seu porquê”, faz sempre questão de lembrar.
Suas obras se distinguem por um conceito único e genial, não sendo encontradas em nenhuma escola de arte, pois são criação do próprio sr. Cícero. As obras dividem-se em dois grupos: as de “Tronco Aberto”, em que o artista entalha figuras próprias do sertão, imagens do cotidiano, animais e também crenças, como na obra Os Penitentes.
Também há esculturas em “Tronco Fechado”, em que o Véio dá forma à peça de madeira no estado em que ela é encontrada, dando-lhe cores e expressividade, deixando para que o espectador de sua obra possa dar significado ao que está observando.
“O bom da arte é quando você observa, consegue analisar a obra e chegar à sua conclusão.” — Véio.

O sertanejo e os amazônidas
As obras do Véio já foram apresentadas em várias capitais brasileiras, assim como na Europa e em outros países do exterior, mas a exposição trazida pelo Estúdio Sauá é a primeira vinda das obras do mestre para a Amazônia.
Daniel Leão, arquiteto e cenógrafo, conta que o projeto foi apresentado para a Caixa Cultural e aprovado para uma turnê que traz a exposição à capital paraense neste ano e, em 2027, será apresentada em Brasília e Fortaleza. “Já havia um interesse muito grande em trazer a exposição para Belém, um desjo que partiu da equipe, com Renata Frignani e Tânia Sarquis, que têm ouvido falar muito da cidade nos últimos tempos”, diz.
Véio também falou de sua experiência na cidade e de como ele vê a ligação de sua arte com o bioma amazônico, tão diferente, porém tão cheio de dificuldades quanto o sertão.

“A minha vontade era de que, um dia, eu pudesse fazer alguma apresentação aqui, para que pelo menos o pessoal daqui conhecesse os colegas lá do Alto Sertão. O pessoal que vive numa região também muito difícil, enquanto aqui vocês têm essa abundância de água e lá nós temos a necessidade da água.”
A exposição “A forma viva na arte de Véio”, na CAIXA Cultural Belém, fica aberta para visitação até o dia 31 de maio de 2026.
Você pode visitá-la de terça-feira a domingo, no horário das 10h às 21h. A entrada é gratuita e a classificação é livre para todos os públicos.

