Clima, o Novo Anormal se despede do público, neste domingo, no Centro Cultural Banco da Amazônia

Não é para você desesperar. Na verdade, é para se desesperar sim! Com esse apelo se inicia a exposição “Clima – O Novo Anormal”, que exibe logo na entrada o minidocumentário com direção e roteiro de Claudio Angelo e do cineasta Fernando Meirelles.

De forma sensorial, leva seus visitantes a um passeio pelo passado, presente e futuro, utilizando diversos tipos de experiências. Uma delas é a obra “O Trio Infernal”, que fala sobre os três principais poluentes: petróleo, gás e carvão. É possível ver pessoalmente o petróleo e até sentir seu cheiro, em amostras reais do produto presentes na exposição.

A viagem pelo uso da energia nos remete ainda à primeira metade do século XVIII, quando a máquina a vapor foi inventada e a Revolução Industrial trouxe, em apenas dois séculos, um aumento na concentração de dióxido de carbono em nossa atmosfera nunca visto antes.

O gráfico de emissão de CO² nos últimos 10 mil anos de assentamento humano na Terra, comparado com os dois últimos séculos, não deixa dúvidas à comunidade científica sobre a ação humana na crise climática.

Uma exposição com muitos subtextos

Dentre as obras apresentadas, é possível interagir com várias delas. Assim como na mostra do petróleo, também é possível conferir nossa emissão pessoal de carbono na atmosfera em um medidor que, por meio da leitura de código de barras, permite verificar a diferença entre as emissões ao utilizarmos transporte público ou transporte individual — ou até mesmo a emissão gerada por uma simples caminhada pela rua. Também é possível verificar quanto se emite ao utilizar ar-condicionado ou ventilador.

Na “Mesa de Jantar Interativa”, o consumo de um alimento ou outro revela a quantidade final de gás carbônico que nossas escolhas geram. Essa é uma mensagem que a exposição não deixa de transmitir: há também em cada um de nós uma parcela de responsabilidade pelo que está acontecendo.

“Normalmente senhoras e senhores na faixa de 40, 50 até 70 anos falam que se sentem culpados. Eles se culpam pelo problema. Há ali um aparelhinho em que você calcula sua pegada de carbono, quanto você ajudou a emitir de carbono no planeta. Aí você calcula, e normalmente quando eles terminam ou quando veem as queimadas no fundo, eles se culpam”, explicou uma das mediadoras da exposição.

Mas obras como o próprio documentário inicial e a instalação “Mas então, de onde vem a energia?” abordam também uma responsabilização pouco discutida, até mesmo nas conferências climáticas: o nosso modo de produção.

“De onde vem a energia?” mostra que as fontes consideradas “alternativas” acabam, na prática, se somando às fontes convencionais. Em vez de serem uma solução definitiva, acabam contribuindo para ampliar as emissões de CO², devido à forma como o sistema produtivo está estruturado.

Já na “Mesa de Jantar Interativa”, por exemplo, é abordada a produção de alimentos da agricultura familiar como uma alternativa real ao agronegócio. A mensagem aparece em um novo subtexto: há solução sem mudar nossa forma de produção? Surge também uma responsabilização política.

“Olha, eu não considero que a culpa seja nossa. A senhora que se culpa está apenas tentando sobreviver, tentando criar seus filhos e ganhar seu salário”, complementou a mediadora.

Os pontos de “não retorno” e Belém a 40°C

O público em geral parece apreciar as obras pela beleza estética e pela interatividade. A obra “Efeito Estufa”, em que um globo mostra as mudanças climáticas em tempo real, é de tirar o fôlego. Também é possível interagir com experiências de realidade virtual e visitar uma sala de projeção sobre o aumento do nível do mar, que nos convida à contemplação e à reflexão.

O visual da exposição é realmente deslumbrante e imperdível. Mas a mensagem final que ela busca transmitir é um alerta: cidades costeiras podem desaparecer com a elevação do nível dos mares, incluindo Belém do Pará.

A capital paraense também enfrenta a possibilidade de registrar temperaturas de até 40°C. Em uma cidade com umidade média de cerca de 60%, a sensação térmica poderia ser ainda mais elevada.

Você consegue se imaginar nesse cenário?
Ainda não visitou a exposição?

Antes de tudo, ela é uma divulgação científica e artística que tenta alertar as pessoas para a urgência de mudarmos a forma de encarar a crise climática. Talvez algo que não tenha ficado muito claro na última conferência climática da ONU, a COP30, seja justamente a pressa necessária para combatermos o aquecimento global.

Corra: este domingo, 15 de março, última oportunidade para viver uma experiência visualmente estimulante e, ao mesmo tempo, um convite à reflexão sobre o nosso tempo. Aberta desde novembro de 2025, com apoio da Temporada França–Brasil, patrocínio master do Banco da Amazônia e patrocínios via Lei Rouanet.

Serviço

Clima – O Novo Anormal . Em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia, na Av. Presidente Vargas, em Belém. A entrada é gratuita e a exposição fica em cartaz somente até o dia 15 de março.

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