Foto: Nailana Thiely

“A Trajetória de Cada Um” reúne fotógrafos, curador e público para mesa redonda no Centro Cultural Banco da Amazônia

Com as próximas mesas-redondas programadas para os sábados, 28 de março e 11 de abril, sempre às 10h, a programação da exposição “Uma Belém no olhar de alguém” segue mobilizando o público no Centro Cultural Banco da Amazônia.

Na manhã do dia 21, foi realizado o primeiro encontro da série “A trajetória de cada um”, momento de conhecer um pouco mais sobre os artistas que compõem a mostra, aberta à visitação até o mês de maio. Conduzidos pelo curador da mostra, o artista visual, professor e pesquisador Emanuel Franco, os fotógrafos Andréa Noronha, Bizi, Cristina Gemaque, Deia Lima, Marcelo Vieira, Renato Neves e Rosana Uchôa falaram sobre seus trabalhos.

Foi a primeira de uma série de três mesas-redondas que destacarão os artistas da mostra. Para Emanuel Franco, a iniciativa possibilita àqueles que forem visitar o espaço conhecer os criadores por trás das imagens à mostra.

“As mesas são uma forma de aproximar os artistas do público, divulgando a produção deles, porque, a cada vez que a gente tem uma oportunidade de uma exposição como essa, aumenta um pouco o circuito de produção fotográfica do estado, que já é muito valorizado, nacional e internacionalmente”, diz o curador.

Dentre os 21 fotógrafos que integram a exposição, com um total de 35 fotografias sobre Belém, há nomes de diferentes gerações e caminhos de experimentação na arte. “Quando fui convidado a essa curadoria, eu tinha registrado vários fotógrafos, não só os que tinham uma produção mais antiga, mas outros mais novos. Acho que é importante valorizar essa produção nova”, reflete Emanuel.

O curador também destaca a multiplicidade de olhares sobre o mesmo tema, assim como o título da exposição já indica. Além da tecnologia na produção de imagens, você tem processo de composição em que pode ter vários outros elementos das artes visuais, da pintura, da escultura. Hoje você vê aqui trabalhos que têm essa ligação com as artes visuais”.

Emanuel Franco, curador na condução do debate. Foto: Nailana Thiely

Histórias que se conectam

Durante sua fala, a fotógrafa Déia Lima destacou o fato de Belém ser uma grande escola de fotografia e a presença do ambiente da cidade e suas paisagens icônicas, como o Ver-o-Peso, em sua fotografia. Ela também refletiu sobre a importância do Núcleo de Oficinas Curro Velho no seu processo de educação do olhar para a fotografia, assim como o curso de Artes Visuais.

Renato Neves se definiu como um “fotista”. Ele contou que a fotografia surgiu para ele inicialmente como suporte educativo com seus alunos, até ter o olhar da premiada fotógrafa Paula Sampaio sobre sua produção e o estímulo para seguir.

“A imagem é uma forma que eu tenho de vencer a dificuldade que eu tenho do uso da palavra. Através da luz, eu consigo verbalizar o barulho, a afetividade, o movimento da cidade… para mim é muito de poesia. Gosto muito da experimentação da imagem”.

Já Rosana Uchôa compartilhou o sentimento de expor no Centro Cultural do Banco da Amazônia, lugar ligado ao início de sua vida profissional. “Eu estagiei no banco, então é um lugar bem afetivo para mim”.

Hoje, aposentada do Tribunal Regional do Trabalho, ela contou que a fotografia surgiu como um respiro de alma, diante da vida profissional pontuada por tarefas emocionalmente muito difíceis. “Tentei muitas artes, dança, pintura, mas a fotografia foi o que ficou na minha vida”, disse a artista, cujos trabalhos hoje também ganham a interferência do bordado. “As imagens que estão na mostra não têm, mas faço muito essa junção”.

Mesa Redodna “A Trajetória de Cada Um”. Foto: Nailana Thiely

Amiga de longa data de Rosana e parceira de viagens dela, Cristina Gemaque encontrou a fotografia por amor, como uma forma de dividir com o marido os registros das viagens em que ele não podia ir. O trabalho se desenvolveu e, há cerca de dez anos, passou a dividir essa produção com o público. Este ano, lançou seu primeiro livro, em que une fotografia a relatos afetivos, “Diário de uma Desconhecida”.

Artista plástica, Andréa Noronha diz que a fotografia, como expressão artística, foi uma descoberta mais recente.

“Não me arrependo de não ter começado antes, porque fiz escolhas. Mas tive a sorte de ter uma mãe que comprou uma câmera e nos fazia fotografar todo final de semana, então fotografia é algo que eu trago dentro do coração, e poder utilizar essa ferramenta hoje para me inspirar é especial, para registrar o quanto nós temos de magia”.

Arquiteto e designer de interiores, Bizi também viu a fotografia surgir da necessidade de registrar suas viagens. “Assim como meus pais, eu sempre fui um viajante contumaz e precisava registrar esses momentos, e consegui fazer isso apenas pela sensibilidade. Depois senti necessidade de organizar isso, encontrei o Valério Silveira, que me ajudou muito nesse processo”, contou.

Um caminho que também conversa com o de Marcelo Vieira.

“Minha família é do Nordeste e, eventualmente, tinha os fotógrafos de família que iam em casa. Eu era apaixonado por aquele processo que eu não entendia, era muito curioso. Já adulto, trabalhando, pude comprar uma câmera e começar a experimentar”, destacou ele, que mantém sua atuação como engenheiro de obras como profissão, mas nunca abandona a fotografia.

Além deste, haverá novos encontros nos sábados, 28 de março e 11 de abril. Foto: Nailana Thiely

A mostra “Uma Belém no olhar de alguém”

Aberta em janeiro de 2026, “Uma Belém no olhar de alguém” foi desenhada como uma homenagem à capital paraense, pelo aniversário da cidade.

“Por isso a cidade, o cotidiano, a arquitetura estão entre os temas das fotografias. Trabalhei 325 imagens que me foram fornecidas pelos fotógrafos com que entrei em contato e selecionei 35 de 21 fotógrafos, então temos um recorte de todos esses segmentos da cidade, dessas particularidades”, conta o curador Emanuel Franco.

Para Emanuel Franco, é significativo ter essa montagem em um ambiente como o Centro Cultural Banco da Amazônia. “A importância é ela ser participativa de um processo cultural que Belém precisa muito, dessa manutenção da cultura, da valorização dos segmentos das artes visuais. Essa iniciativa do banco soma a isso: que seja mantida essa valorização da produção local”.

A exposição tem patrocínio do Banco da Amazônia e realização do Governo Federal, “Uma Belém no Olhar de Alguém”. São 35 fotografias de 21 artistas que registram diferentes perspectivas da capital paraense, propondo um percurso visual pelo cotidiano, pelas paisagens e pelos contrastes da cidade.

Cláudia Águila, da coordenação do Centro Cultural Banco da Amazônia, recebendo o público. Foto: Nailana Thiely

Novas mesas-redondas estão programadas

Neste próximo sábado, 28 de março, um novo encontro vai reunir os fotógrafos Alexandre Baena, Fabíola Tuma, Iza Girard, Mariano Klautau Filho, Nádia Borborema, Patrícia Brasil e Valério Silveira. As inscrições já estão abertas.

Exposição: Uma Belém no olhar de alguém

Inscrições para a próxima mesa-redonda “A trajetória de cada um”:
Sábado, dia 28 de março, às 10h
https://forms.gle/MV63D7seDebQQALt9

Visitação: Até maio, de terça a sexta, das 10h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.

Local: Centro Cultural Banco da Amazônia (Av. Pres. Vargas, esquina com Carlos Gomes – Campina)

Quanto: Entrada gratuita

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