Foto do cantor Olivar Barreto - Esse Ruy é Minha Rua

Olivar Barreto volta a Ruy Barata em nova montagem de “Esse Ruy é Minha Rua”

Olivar Barreto reencontra a obra de Ruy Barata no palco do Teatro do SESI, em Belém, no próximo dia 4 de setembro, às 20h, com uma nova montagem de “Esse Ruy é Minha Rua”.

O show recupera um projeto que acompanha o cantor desde 2009, virou disco em 2011 e o show chegou, pela primeira vez ao teatro, em 2019. Tantos anos depois, Olivar diz que retornar a Ruy será sempre algo novo, pois é fonte que permanece inesgotável.

“A obra do Ruy Barata em parceria com Paulo André é parte substancial do que melhor se criou na música feita na Amazônia. Altamente sofisticada e popular em termos de canção e poesia. É uma fonte que nunca seca.”, afirmou Olivar.

O artista conta que todas as vezes que se volto à obra do Ruy, descobre novas conexões. “Encontrar com Ruy é encontrar com a minha terra e comigo mesmo porque, a meu ver, o Ruy era um pensador à frente do seu tempo. Ele projetava o futuro no seu modo de viver e na sua criação”, disse Olivar, em entrevista ao Holofote Virtual.

Para este show, ele preparou novo roteiro, reunindo canções do álbum de 2011 e outras mais conhecidas do público. No palco, estará acompanhado por João Daibes, ao piano; William Jardim, no violão e guitarra; Wesley Jardim, no baixo; e Márcio Jardim, na percussão e bateria, que também assina a direção musical. “Um grupo de músicos extremamente talentosos”, ressalta o cantor.

Capa do álbum esse Ruy é minha rua
Capa do álbum Esse Ruy é minha Rua, lançado em 2009

Ruy é referência para Olivar desde sempre

O contato com a obra de Ruy Barata é também uma forma de voltar às próprias origens. Olivar nasceu na casa dos avós paternos, em um barracão dos anos 1930, no rio Baquiá Grande, região das ilhas do município de Gurupá, na outra ponta do Marajó, antes do Baixo Amazonas.

A família mudou para Belém quando ele tinha seis meses e se instalou no Jurunas. Foi no bairro que Olivar começou, como ele mesmo diz, a perceber o mundo. Mas a ligação com Gurupá permaneceu: dos cinco até por volta dos 16, 17 anos, ele passava todas as férias escolares na região.

“Naquele paraíso onde eu tinha a impressão que o tempo era suspenso. A obra do Ruy é ambientada neste cenário, nas letras, na sua poesia e nas canções feitas pelo Paulo André. Inevitavelmente ela me remete à minha infância e adolescência”, lembra.

Com uma carreira que já passa de três décadas e não ficou restrita a esse repertório, Olivar transitou por diferentes caminhos da MPB, da música amazônica e, mais recentemente, buscou outras sonoridades e uma aproximação com o pop. É também com essa bagagem que retorna agora às canções de Ruy.

Olivar Barreto – Foto: Bruno Pellerin

Diversos interesses musicais

Seu primeiro show foi dedicado à obra de Noel Rosa. Depois vieram trabalhos sobre a Tropicália e Gilberto Gil. Mais recentemente, ao lado de Andréa Pinheiro, apresentou um show dedicado a Edu Lobo, além de trabalhos sobre Cartola e Nelson Cavaquinho. No formato voz e violão, conta, o pop também ocupa bastante espaço.

Entre tantos interesses dentro da MPB, “que por si só já é um vasto território”, Olivar acredita que suas escolhas remontam à própria forma como começou a consumir música ainda criança.

“Eu ouvia e gravava músicas em fitas cassete, sempre procurando misturar estilos e gêneros para descobrir novos resultados. Era um dos meus passatempos prediletos”, conta.

“Esse Ruy é Minha Rua” chega ao palco por meio do edital Palco Criativo SESI – Ocupação Artística do Teatro do SESI Pará, iniciativa que abre novas oportunidades tanto para artistas e músicos quanto para o público, que tem a chace de acessar obras e compositores, trabalhos inéditos ou reedições da música feita na Amazônia.

“Enxergo a cena musical de Belém, bem ativa e pulsante. Tem muita gente boa, novos compositores assim como uma nova geração de músicos extraordinários. Esta é uma cidade culturalmente destacada com tradição musical que remonta mais de 130 anos do primeiro conservatório de música além de ser um celeiro de criação musical e uma importante vitrine da música Amazônica e brasileira”, comenta.

Olivar analisa o cenário atual, com mais possibilidades, hoje, para quem produz. “Através das leis de incentivo à cultura, das leis de fomento e dos editais públicos, estamos num momento com mais oportunidades, mas isso não quer dizer que seja suficiente diante da demanda, que é constante e diversificada.”

Além do show abrindo setembro, o artista já está atento e olhando para os próximos projetos. Sua produção está disponível nas plataformas de streaming e ele pretende lançar, em breve, um álbum de canções inéditas, com produção musical de Arthur Kunz, no qual se aproxima ainda mais do pop rock.

Anota!

Esse Ruy é Minha Rua – Um Tributo Musical à Obra de Ruy Barata
Quando: 4 de setembro de 2026, às 20h
Onde: Teatro do SESI – Belém
Classificação: Livre
Ingressos: R$ 30

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