Fórum Circular realiza 4a edição debatendo patrimônio, clima e sustentabilidade

Cinco anos separam a última edição do Fórum Circular do reencontro que acontece agora, com o público, nos dias 30 e 31 de outubro, na Casa da Linguagem, em plena Campina e em meio às ações que antecedem a COP 30.

Meia década. Tempo suficiente para que a cidade mudasse, que o planeta aquecesse ainda mais e que a palavra “clima” deixasse de ser apenas científica para se tornar urgente, cotidiana, política.

É com esse pano de fundo que o Circular retoma seu Fórum, agora com o tema “Patrimônio, Clima e Sustentabilidade”, ressignificando o Centro Histórico de Belém como território de memória e de futuro.

A programação, composta por debates e mesas que vão da ciência às políticas públicas, do cinema à música, mostra que a cultura é uma força de transformação — capaz de mobilizar olhares, despertar pertencimentos e inspirar novas práticas coletivas.

Na Casa da Linguagem, o público encontrará ainda um Eco Ponto para troca de roupas, sapatos e produtos de higiene, uma parceria entre a Renner, o MPE – Mulheres Por Elas e o Circular. Haverá também uma feirinha criativa, reunindo empreendimentos da economia criativa presentes nas edições mensais do projeto, que ocupam os bairros da Campina, Reduto e Cidade Velha.

O 1o Fórum, em 2018. Foto: Cláudio Ferreira

O Fórum Circular foi criado em 2018, quando o projeto recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Iphan. O objetivo? Pensar o patrimônio como um território fértil, cultural e econômico, uma experiência viva.

O primeiro foi realizado no auditório dos Mercedários/UFPA, espaço que agora vemos restaurado. Em 2019, o segundo ganhou morada no Museu de Arte Sacra, e em 2020, no auge da pandemia, o evento aconteceu em formato digital. Desde então, aguardava-se o momento desse reencontro com o público e com as ruas da Campina, berço de onde o Circular surgiu há doze anos.

O retorno acontece às vésperas da COP30, e marca também a chegada de um novo patrocinador: Lojas Renner S.A., que soma forças para abrir um novo ciclo do projeto.

“Nosso patrocínio ao Circular está em linha com o desejo de deixar um legado para a cidade, porta de entrada da Amazônia no Brasil e território fundamental de debate sobre soluções climáticas”, afirma Regina Durante, vice-presidente de Gente, Sustentabilidade e Relações Institucionais da Renner.

Oficina Circular, no 2o Fórum, em 2019, no Museu de Arte Sacra. Foto: Cláudio Ferreira.

Cidade, território e resistência

O Fórum abre com a fala de Lucas Nassar, que propõe um olhar sobre “Belém às vésperas da COP30: Identidade e Resiliência”. Em seguida, a Mesa 1 – Patrimônio, Território e Resistência mergulha na força dos coletivos e das periferias como motores de um futuro possível.

Entre as vozes convidadas, Maynara Santana, comunicadora e ceramista de Icoaraci, fala da arte como herança do barro e da palavra; e Suane Barreirinhas, mobilizadora cultural, provoca a pensar a política como território de mulheres e amazônidas.

Também participam Joana Menezes, educadora popular, trazendo a perspectiva da justiça climática vivida nas comunidades ribeirinhas; e Silvana Palha, artivista que reaproveita resíduos para erguer paredes e resistências. A mediação é da arquiteta Taynara Gomes, doutora em urbanismo e presidente do CAU-PA.

Do filme Cozinhando no Calos de Belém, antes da Chuva, que está na programação do fórum.

Futuros possíveis

Ainda na manhã de abertura, vamos debater sobre a Construção de Futuros Possíveis. A mesa discute o papel da economia circular na criação de um modelo de cidade mais justo e regenerativo.

A engenheira florestal Kamila Garantizado, da Renner, compartilha experiências de sustentabilidade na moda; o casal Charles e Iracema, do Ygara Artesanal & Turismo, fala da Ilha do Combu como espaço de aprendizagem e espiritualidade.

Também participam Carol Miranda, arquiteta e fundadora da Prana Tropical, que defende o saneamento ecológico como prática de vida; e o empreendedor Paulo Reis, da Manioca e Amazonique, que revela como a biodiversidade pode gerar novos negócios sem esgotar os recursos da floresta.

À tarde, o debate se desloca para a Mesa 3 – Cidades, Turismo e Impactos Ambientais, que questiona: qual é o turismo que queremos? Entre os participantes, Ágila Rodrigues (UFPA), Cilene Sabino (SEMCULT), Raquel Ferreira (Monotour) e Prazeres Quaresma, chef ribeirinha do restaurante Saldosa Maloca, discutem a necessidade de equilibrar desenvolvimento, renda e preservação.

Boiúna, de Adriana de Faria. Curta premiado em Gramado, na programação da mesa 2.

Cinema e imaginação política

O Fórum também amplia o olhar sobre o papel da cultura na transformação social. É o momento da Mesa “Cinema, Amazônia e Clima”, que propõe ver o cinema como ferramenta de imaginação política e ação cultural diante da crise climática.

A sessão reúne quatro filmes: Tuire Kaiapó – O Gesto do Facão, do Coletivo Beture, sobre a guerreira que enfrentou a Eletronorte; Cozinhando no Calor de Belém Antes da Chuva, de Auda Piani, sobre o protagonismo das mulheres nas ilhas e seus saberes alimentares; Boiúna, de Adriana de Faria, ficção premiada que mergulha no imaginário ancestral amazônico; e Histórias da Campina, curta dirigido por Larissa Ribeiro e produzido pela Associação Circular com recursos da Lei Paulo Gustavo.

Antes das exibições, o público participa de um bate-papo com Ângela Gomes (professora de cinema da UFPA), Auda Piani e Tayana Pinheiro, produtora executiva de Boiúna. Curadoria e mediação da mesa serão minhas, aguardo vocês.

O diálogo pretende refletir sobre como a linguagem audiovisual dá voz a quem vive a Amazônia, conecta ciência e experiência, fortalece a memória e amplia o repertório público para escolhas mais justas e sustentáveis.

Roda de Lambada com o Lambada Social Club e a DJ Jack Sainha, na Praça do Carmo (sexta, 31).

Museus, clima e cultura

A sexta-feira começa com a quinta mesa: Museus e a Cidade de Belém, que discute o papel das instituições museológicas na adaptação das cidades frente às mudanças climáticas. Sue Costa (Museu Goeldi), Tadeu Costa (MUFPA), Armando Sobral (Sistema Integrado de Museus) e Murilo Rodrigues (Museu do Cicloativismo) dialogam sobre museus como motores de transformação social, com mediação da artista Evna Moura, que propõe uma leitura ecofeminista dos territórios e da arte.

Logo depois, o painel Impactos das Mudanças Climáticas nas Cidades Amazônicas coloca ciência e direito lado a lado. Brenda Brito (Imazon), Eliane Moreira (UFPA/MPPA) e Mariana Guimarães (Comitê COP30) debatem desmatamento, vulnerabilidade urbana e direitos territoriais, com mediação da jornalista Ivana Oliveira.

O Circuitinho Edição Especial, 1/11, com saída 8h30 do teatro Waldemar Henrique, na Praça da República. Foto: Renato Chalú

Encerrando as discussões, a mesa Cultura e Clima reafirma o lugar da arte como ferramenta de adaptação e de futuro. Participam Lívia Condurú (Bienal das Amazônias), o cantor Arthur Nogueira (curador da agenda cultural da COP30) e o fotógrafo Miguel Chikaoka, referência da fotografia amazônica. A mediação é da jornalista Natália Mello (Amazônia Vox).

Na sexta-feira, 31, o Fórum se estende até a Praça do Carmo, com música e celebração: DJ Jack Sainha e o grupo Lambada Social Club encerram o evento ao som de guitarradas, bregas e lambadas — lembrando que cultura, aqui, é também corpo em movimento.

E no dia 1º de novembro, sob o lastro do Fórum, o Circular realiza uma edição especial do Circuitinho Circular na Praça da República, com saída às 8h30 da frente do Teatro Waldemar Henrique.

Serviço

4º Fórum Circular – Patrimônio, Sustentabilidade e Clima

Data: 30 e 31 de outubro, 9h às 18h.

Local: Casa da Linguagem (Av. Nazaré, 31 – Campina) e Praça do Carmo (Rua Siqueira Mendes, s/n – Cidade Velha).

Dia 1º de novembro (Circuitinho Circular Especial), 8h30 – Saída frente do Teatro Waldemar Henrique.

Programação completa: Aqui.

Realização: Associação Circular. Patrocínio: Lojas Renner S.A. Apoio: UFPA – Fórum Landi e ICA, Governo do Pará, Fundação Cultural do Pará e Casa da Linguagem

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