Indicada ao Prêmio HQ Mix 2025, a quadrinista paraense Helô Rodrigues, a Helô Ilustra, construiu uma carreira independente que nasceu nas redes sociais e hoje reúne trabalhos para marcas como Disney+, Universal Studios, Telecine e Red Bull.
No sábado, 27 de junho, das 10h às 12h, ela ministra a oficina “Tirinhas: Introdução”, no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém. As inscrições abrem no dia 22, em formato on-line pelo perfil @expohumoramazonia.
Destaque da cena contemporânea paraense, a artista consolidou um trabalho em que maternidade, regionalidade e empoderamento feminino aparecem como temas centrais. Foi premiada duas vezes por Melhor Direção de Arte pelo curta-metragem Visagens e Visões, além de ter realizado sua primeira exposição individual em 2022.
A atividade é gratuita e faz parte da programação formativa da mostra “Futebol – Exposição Nacional de Humor do Banco da Amazônia”, em cartaz até setembro. Durante duas horas, Helô Rodrigues vai apresentar princípios básicos da construção de tirinhas, abordando narrativa, criação de personagens e maneiras de transformar situações do cotidiano em histórias visuais. Não é preciso ter experiência prévia.
“A importância dessas oficinas é justamente de trazer essas pessoas que possuem a vontade de trabalhar com quadrinhos, com roteirização, com quadrinização, mas não sabem de onde partir”, destaca a quadrinista.
Para Helô, a diversidade de estilos e possibilidades do mercado é um estímulo para quem está começando. “Cada quadrinista tem um estilo, um movimento, então é conseguir fazer essas pessoas enxergarem que tem como trabalhar com quadrinhos, tem como estar nos lugares, ganhar prêmios e trabalhar para empresas, enfim, fazer publicações com suas ideias”, incentiva a artista.

As mulheres no traço
A quadrinista também ressalta o espaço dado às mulheres na programação, que conduzem todas as oficinas formativas até o final da exposição, em setembro.
“Quando eu comecei, tinha apenas duas meninas e foi nelas que eu me inspirei e que me deram forças para eu poder continuar. Porque dentro de um cenário onde a maioria das pessoas que trabalham são homens, a gente fica com receio. Graças a Deus, hoje em dia isso tem mudado muito. Tem cada vez mais mulheres dentro desses lugares, querendo saber mais, querendo entender mais e direcionar seus trabalhos para os quadrinhos”, comemora.
Integrante do coletivo de quadrinistas Traço Norte, Luz, 20 anos, também destaca a escolha de facilitadoras mulheres para avançar na equidade de representação nas artes gráficas. “Academicamente, a gente praticamente só estuda artistas masculinos. As artistas mulheres não foram muito documentadas”, comenta Luz que ministrou a segunda oficina do projeto.
Para ela, embora haja mais mulheres produzindo, expondo, porém, mas por coletivos independentes. “Estamos lutando para mudar isso, nos organizando para ocupar espaços. E a gente precisa fazer isso pela gente, precisa que mulheres artistas apoiem outras mulheres artistas”, opina.

Assim como Luz, Misu, nome artístico de Maria Sena, 20 anos, é estudante de Artes Visuais e também faz parte do coletivo Traço Norte. Em agosto, ela vai ministrar uma oficina sobre roteiro e sequência em quadrinhos. Criada numa casa com forte presença feminina, ela conta que sempre foi incentivada a consumir obras de mulheres. Referências que hoje transparecem no seu trabalho.
“Minhas histórias sempre foram mais introspectivas, emotivas, diferente da maioria dos quadrinhos, que são mais voltadas à ação”, diz ela que ainda pontua os quadrinhos como um nicho bastante masculino e que, como artista, vem trabalhando para mudar essa realidade. “Às vezes sinto dificuldades, percebo que as minhas referências, a arte que consumo é muito divergente do que meus colegas consomem”, reflete.
“Ter essa oportunidade de mostrar o meu trabalho me impulsiona, e é ter a chance de inspirar artistas tão jovens quanto eu, ou mais velhos, que querem retomar sua produção. Poder partilhar dessa experiência traz essa sensação de comunidade, de que a gente pode se ajudar e perseverar nesses espaços e ter nosso lugar”, continua Misu.
As oficinas que estão sendo realizadas até setembro integram a programação formativa da mostra “Futebol – Exposição Nacional de Humor do Banco da Amazônia”, em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, até 13 de setembro. Idealizada pelo cartunista J. Bosco e pelo artista e produtor cultural Leonardo Dressant, do Mapuá Estúdio, a mostra também presta homenagem ao cartunista paraense Biratan Porto e marca a retomada da tradição do humor gráfico na Amazônia.
Serviço
Oficina “Tirinhas: Introdução”, com Helô Rodrigues
27 de junho de 2026
10h às 12h
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia
Endereço: Av. Presidente Vargas, 800, Campina
Inscrições abertas: perfil @expohumoramazonia
Link: https://forms.gle/JvhrbAPA9K2YpNjM7
Vagas limitadas: 20

