“Ipuãs”, novo EP de Márcio Macêdo, já está nas plataformas digitais, neste domingo, 20. São quatro músicas, três delas em parceria, que colocam em circulação uma parte do repertório acumulado pelo cantor e compositor paraense e anunciam uma sequência de lançamentos que ele pretende manter ainda este ano.
“Ipuãs” reúne a faixa-título, de Márcio; “Nua e Crua”, feita em parceria com Allan Carvalho; “Valsa Serena”, com Ronaldo Silva; e “Todo Cantador”, primeira parceria com Eudes Fraga.
Até chegar a essa configuração, o trabalho passou por várias transformações. Começou como parte de um projeto maior, de dez faixas, que acabou interrompido. Quando Márcio voltou ao estúdio, retomou algumas músicas de maneira mais simples, com voz e piano. Só que elas começaram a pedir outras coisas.
“Comecei a gravar umas cinco, seis músicas de voz e piano. Aí comecei a olhar: não, isso aqui não é só piano. Bota um sopro, bota uma percussão… e vai mexendo. É a liberdade criativa do estúdio. Resolvi gravar ‘Ipuãs’, que ia ser um single, mas pensei: não, deixa eu misturar aqui. São coisas diferentes, mas são páginas do mesmo livro, são capítulos da minha obra, da minha criatividade. Então meio que fechei os olhos e juntei essas quatro.”
E elas realmente percorrem caminhos distintos. “Nua e Crua” traz piano elétrico de Edgar Matos e flugelhorn de Daniel Delatouche. “Valsa Serena” tem piano de Edgar e programação de cordas de Thiago Albuquerque. “Todo Cantador” reúne Igor Capela nos violões, Rui Mário na sanfona, Wesley Jardim no contrabaixo e Márcio Jardim na percussão. Já “Ipuãs” coloca Belém e sua geografia insular no centro da música.
A ideia surgiu da paisagem que cerca a cidade e da percepção de como é rápido sair da área urbana e chegar às ilhas. Márcio começou então a pesquisar seus nomes e levá-los para a composição.
“É uma leitura de uma paisagem, de um cenário de ilhas. É tão bonito isso. Essa nossa região é tão atraente. Bem aqui do lado a gente sai um instantinho e já está mergulhado em ilhas. Comecei a pesquisar os nomes das ilhas e, quando terminei a música, fui ver que estavam faltando várias outras. Mas não era uma ideia de falar sobre todas, porque senão ia passar uns dez minutos falando de ilha. É um recorte.”
O recorte chegou a 39 ilhas dos arredores da capital paraense. Gravada em ritmo de carimbó, a faixa começou a ser produzida no estúdio de Marcel Barreto e foi concluída no Estúdio Z. Tem guitarra de Marcel Barreto, contrabaixo de Wesley Jardim, percussão de Douglas Dias e arranjo de metais produzido por Manassés Malcher.

Ep Ipuãs inaugura parcerias
Márcio durante muito tempo compôs sozinho, mas em Ipuãs passou a experimentar a criação em parceria, mas que em determinado momento, começou a receber letras do Ronaldo Silva.
“Teve uma fase em que ele começou a me mandar muita letra. Em outras, eu vinha com melodias e mandava para o Allan; às vezes o Allan me mandava letra. Aí começou uma fase de parcerias que eu nunca tinha gravado assim, numa sequência.”
O material foi crescendo. Há músicas com Ronaldo Silva e Allan Carvalho ainda inéditas, outras com Renato Torres e Jorge Andrade. Com Eudes Fraga, “Todo Cantador” abre uma parceria que Márcio já pretende continuar.
“Com o Ronaldo eu tenho muitas para mostrar, com o Allan tenho muitas. Com o Eudes Fraga é a primeira, mas gostei tanto dessa melodia que ele me mandou de volta, a letra foi uma letra que mandei para ele, que devem surgir logo mais coisas. Gostei desse negócio de compor junto.”
O processo que desembocou em Ipuãs resultou em oito músicas inéditas. Quatro estão neste primeiro EP; as outras ficaram para uma próxima etapa. E Márcio não pretende esperar muito.
“É tanta coisa para gravar que resolvi fazer aos poucos. Ipuãs é a primeira parte. Vêm mais coisas aí. Eu pretendo não parar mais. Da forma que der, pelo menos duas, três coisas novas vão surgir ainda este ano. Pelo menos um EP e mais algumas.”

Ipuãs traz várias influências
Importante também dizer que são canções diferentes entre si, reafirmando a mistura sonora que o acompanha em sua formação musical. Na infância, mergulhou na MPB, se encantando com medalhões como João Bosco, Caetano, entre outros.
“Sempre fui muito fã dessa turma toda e foi uma influência muito grande quando comecei a aprender a tocar violão. Fui para a noite com 15 anos, tocar em barzinho, e aprendi muito essa linguagem mais elaborada, de uma letra mais rebuscada, essa poesia que diz indiretamente.”
Mas tem um detalhe. A outra experiência que influenciou, trouxe seu repertório para dentro da Amazônia, a passagem do músico pelo grupo parafolclórico Tanguru-Pará, onde o encontro foi com a música que estava mais perto dele, geograficamente.
“Lá eu me apaixonei, porque a nossa rítmica, os nossos sotaques são muito envolventes. Quando comecei a tocar isso, conhecer repertório, estudar, fui ao Centur várias vezes pesquisar, tentar entender e fazer uma coisa legal. Eu não tinha essa conexão com a música regional, com a música de raiz. Aí fiquei apaixonado por aquilo.”
Foi também nesse período que se aproximou de Allan Carvalho e Ronaldo Silva. Ronaldo, já mais experiente, e que incentivava os dois jovens músicos a compor. Márcio lembra que a vontade de produzir um repertório próprio com os ritmos daqui começou a entrar no seu processo criativo naquele momento.
“A liberdade da música brasileira é fundamental. Eu gosto muito de não me sentir dentro de um estilo específico. Gosto de carimbó, gosto de lundu, gosto de MPB, de música instrumental, gosto de tanta coisa que isso aparece. Mas sempre aquele fundo da nossa região está presente”, finaliza.
Anota!
EP Ipuãs — Márcio Macêdo
Onde ouvir: Spotify, Deezer, Apple Music e YouTube Music
Lançamento: 20 de setembro de 2026
Formato: EP, com quatro faixas
Instagram: @marciomacedo1


