Depois de realizar duas mini oficinas Tatakizome, da série Gotas de Luz, Miguel Chikaoka agora propõe um mergulho mais profundo na chamada Pedagogia dos Fluxos, com foco na participação de pessoas surdas. O módulo Fototaxia, que será realizado de 20 de maio a 4 de junho, está com inscrições abertas e gratuitas, até 11 de maio.
A iniciativa integra o Laboratório “Olhos de Ver… com que olhos?”, projeto da Kamara Kó Galeria, mediado pelo fotógrafo e educador, selecionado pelo Programa Funarte de Ações Continuadas 2025. Ao todo são 8 módulos e cinco mini oficinas, além dos resultados em rodas de conversa e exposição, aberta ao público, no final do ano.
Desenvolvida por Miguel Chikaoka, a Pedagogia dos Fluxos propõe deslocar o olhar para além da técnica, convidando os participantes a vivenciarem a fotografia como experiência sensorial, relacional e de percepção do tempo e do espaço.
Nesta nova etapa, o processo formativo se estrutura a partir de práticas dialógicas e colaborativas, com ênfase na experimentação de dispositivos como a câmera obscura e a pinhole.
A programação reúne desde a construção de câmeras artesanais até experimentos com luz-imagem, digitalização de negativos, noções de enquadramento e composição, além de rodas de conversa e a produção de um zine com registros das vivências. Exercícios de escuta visual, criação coletiva e narrativas visuais, incluindo a elaboração de um glossário de termos em Libras.

Comunicação, corpo e escuta
Miguel Chikaoka comenta o resultado das duas atividades já realizadas, no âmbito deste laboratório, como um avanço. Os encontros Gotas de Luz representaram, para ele, um deslocamento importante em relação às vivências anteriores, mesmo já havendo referências prévias no contato com a comunidade surda.
“Foi uma experiência bastante intensa. Apesar de já ter tido contato em outros momentos com pessoas surdas e de me inspirar na comunicação do corpo, do gesto, essa foi a primeira vez que tive uma turma predominantemente de surdos, até porque ela foi direcionada para tal.”
A condução das atividades passou por ajustes. A orientação verbal, presente no início, deu lugar a uma dinâmica baseada em trocas visuais e corporais.
“O mais importante pra gente foi essa questão da escuta. Havia uma orientação básica verbal, mas o restante acontecia muito pela comunicação do corpo. Isso funcionou muito bem”, diz Miguel.
Outro aspecto destacado pelo educador foi a participação ativa dos alunos, que contribuíram com reflexões ao longo do processo. “Sobretudo o feedback deles. Eles falaram bastante, colocaram muitas questões, muitas reflexões. Isso, para mim, foi algo absolutamente enriquecedor.”

