O 53o Encontro de Artes de Belém (ENARTE), abre nesta segunda-feira (09) no Theatro da Paz reunindo professores, estudantes, grupos musicais da Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA) e convidados nacionais e internacionais. Até o dia 19, o festival vai movimentar diferentes espaços culturais da capital paraense, numa programação inteiramente gratuita.
Esta edição mobiliza aproximadamente 700 pessoas, entre músicos, estudantes, professores, artistas convidados e equipes de produção. Além o Theatro da Paz, também vão receber a programação: Igreja de Santo Alexandre, Mercedários UFPA, Teatro Waldemar Henrique, MIS-PA, Sesc Ver-o-Peso e espaços da própria EMUFPA.
Para o diretor da EMUFPA, professor Celson Gomes, o ENARTE funciona como uma espécie de cartão de visita da instituição, permitindo que o público conheça o que se produz nos campos do ensino, da pesquisa e da extensão universitária.
“É o momento também de mostrar essa escola no seu aspecto do ensino, da extensão e da pesquisa. E eu acho que a extensão pesa aqui, que é esse diálogo, um diálogo que é sem fronteiras”, ressalta.
A programação de abertura inicia às 17h, com um recital de professores da EMUFPA no foyer do Theatro da Paz. Às 20h, acontece a solenidade de abertura na sala de espetáculos, onde, em seguida, o público vai assistir um concerto que reúne a Orquestra Sinfônica Altino Pimenta, o Coro Comunitário da EMUFPA, o Coruni — Coro Universitário da UFPA —, a pianista Gabriella Affonso e o compositor francês Pierre Thilloy.
O repertório propõe uma viagem por diferentes épocas, continentes e referências musicais, aproximando a tradição sinfônica europeia de sonoridades amazônicas e do canto coral brasileiro.
Entre as obras está Le Voyage de l’Éléphant, Opus 257, composição de Pierre Thilloy criada em 2022, por encomenda para as comemorações do centenário de nascimento do escritor português José Saramago. O compositor mantém conexões com a instituição e desenvolveu, entre outros trabalhos, sua 11ª sinfonia, que aborda relações históricas entre a escravidão na Guiana Francesa e a Cabanagem no Pará.

ENARTE: mais de cinco décadas de uma história
Tudo começou em 1974, por iniciativa do pianista, professor e compositor Altino Pimenta. Desde então, o ENARTE acompanha as transformações da própria Escola de Música, que, sem abandonar a tradição de formação de instrumentistas, cantores, bandas e orquestras, passou a incorporar outros campos de atuação, como a música popular, a composição, o arranjo e a tecnologia musical.
A proposta de ampliar os diálogos também alcança outros territórios. O ENARTE estabelece aproximações com municípios de forte tradição musical, como Vigia, conhecida por sua história ligada à formação de bandas, e reúne artistas e grupos de diferentes regiões do Pará.
No campo institucional, estão previstas iniciativas de cooperação com o Sesc e com uma universidade do Missouri, nos Estados Unidos, abrindo perspectivas para novos intercâmbios, pesquisas e circulação de músicos.
Para Celson Gomes, esse movimento corresponde ao papel que a Escola de Música pretende exercer como instituição pública.
“A EMUFPA não é uma instituição pública fechada em si mesma. Quando a gente estabelece essas conexões e firma isso, estreitamos laços e abrimos novas oportunidades para a formação em música”, destaca.

ENARTE vai da Tradição sinfônica à música popular
Enquanto o Theatro da Paz recebe o concerto de abertura, as atividades formativas começam ainda pela manhã, na sede da EMUFPA. Das 8h às 12h, o Auditório Altino Pimenta será ocupado pelo Workshop de Música Popular, com participação do professor Walter Almeida, da área de bateria. A proposta é reunir estudantes em experiências coletivas de interpretação, escuta e criação a partir de obras da música popular brasileira.
Também na segunda-feira começa a Oficina de Criação Musical, ministrada pelo professor e pesquisador Marcos Cohen. Os encontros seguem até sexta-feira, 13, das 14h às 17h, na sala 104 da Escola de Música, trabalhando fundamentos da composição, audição de obras e exercícios de criação.
Ao longo dos onze dias de programação, o público poderá acompanhar formações bastante distintas, como a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia Inclusiva, a Orquestra Tartarônica do Pará e a Orquestra de Câmara Paulo Keuffer. O carimbó e outras expressões da música popular também integram o encontro, ao lado de concertos, palestras, oficinas, colóquios e mesas-redondas.
Essa pluralidade também reflete mudanças na formação oferecida pela universidade. Hoje, a EMUFPA prepara profissionais para diferentes possibilidades de atuação, dos palcos de concerto aos espaços populares, passando pelo ensino, pela composição e pela produção cultural.
“Nós formamos para além da banda, para além da orquestra sinfônica. Formamos para o barzinho, formamos para a igreja, formamos para as aulas de instrumento”, observa Celson Gomes.

O que mais ver na primeira semana do ENARTE
Nesta primeira semana, o ENARTE traz apresentações que também chegam ao Teatro Waldemar Henrique, ao Museu da Imagem e do Som, à Igreja de Santo Alexandre e ao complexo dos Mercedários. Em todos os dias há também programação no Theatro da Paz.
No Theatro da Paz, na terça-feira, 10, tem Grupo de Percussão da EMUFPA e convidados. Na quarta, 11, a música popular ganha destaque com o espetáculo Paisagens Sonoras do Pará. Na quinta, 12, sobre ao placo, a Banda Sinfônica da EMUFPA com o concerto Pulso Urbano: A Banda Sinfônica em Conexão.
Já na sexta-feira, 13, haverá o encontro entre a Amazônia Jazz Band e a EMUFPA Big Band, no espetáculo Sabores e Saberes do Pará, às 20h. Já o Teatro Waldemar Henrique recebe, na quarta-feira, 11, a Orquestra Jovem Helena Maia.
O sábado está cheio de atrações. No Mercedários UFPA, feira criativa, apresentações do Quinteto Caxangá e do grupo Tamboiara Amazônia. Haverá ainda uma aula pública sobre democratização do lazer na cidade. No Museu da Imagem e do Som, o auditório Eneida de Moraes recebe a Orquestra Tartarônica do Pará, que apresenta A Obra Musical de Paulo André Barata, às 17h. Já a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia Inclusiva se apresenta às 18h, no Auditório Altino Pimenta, na EMUFPA.
O domingo, 15, será dedicado à música vocal, na Igreja de Santo Alexandre, com O Cantochão dos Mercedários do Pará, apresentado pela Schola Gregoriana Paraensis, às 17h, e o recital Raízes II, com o Madrigal da EMUFPA, às 19h30.

Formação, criação e memória musical
Na primeira semana, a programação formativa traz oficinas, masterclasses, palestras e encontros. Entre as atividades estão a Oficina de Criação Musical, com Marcos Cohen, de 9 a 13 de novembro, e as oficinas de violino e viola, com Roberta França, além das masterclasses de violino e música de câmara, com Nathália Vidal.
Na quarta-feira, 11, dois encontros no Auditório Altino Pimenta, na EMUFPA, colocam a memória musical em discussão. Às 9h, Dione Colares apresenta a palestra Marina Monarcha (1933–2022): acervo, memória e legado. Em seguida, às 10h, Rômulo Queiroz conduz o recital-palestra Sons da memória: pesquisa e exposição do acervo musical de Altino Pimenta. No mesmo dia, das 14h30 às 17h, a cantora Carmen Monarcha ministra uma masterclass de canto lírico no Instituto de Ciências da Arte.
Na quinta-feira, 12, das 9h às 12h, o compositor francês Pierre Thilloy participa da mesa-redonda Composição além da partitura, ao lado de Cibelle Donza, Marcos Cohen e Miguel Campos Neto, no Auditório Altino Pimenta. Às 17h, Carmen Monarcha volta à programação, desta vez para um recital de canto e piano com Adriana Azulay, no foyer do Theatro da Paz.
Na sexta-feira, 13, a formação de regentes será tema da roda de conversa Do primeiro gesto à profissão: caminhos da Regência, das 9h às 11h, no Auditório Altino Pimenta. O encontro reúne Brian A. Silvey, Cibelle J. Donza, Miguel Campos Neto, Adamilson Abreu e Elienay Carvalho.
Todas as atividades são gratuitas. Programação completa e inscrições: https://www.even3.com.br/enarte53-777882/
53º ENARTE
Tema: Conexões Musicais Urbanas
Quando: 9 a 19 de novembro de 2026
Abertura: Segunda-feira, 9 de novembro, no Theatro da Paz, Belém
Programação de abertura:
17h — Recital de Professores da EMUFPA, no foyer
20h — Abertura solene
20h15 — Concerto com a Orquestra Sinfônica Altino Pimenta, Coro Comunitário da EMUFPA, Coruni, Gabriella Affonso e Pierre Thilloy
Local: Theatro da Paz
Gratuito
Realização: Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA).
Programação completa e inscrições: https://www.even3.com.br/enarte53-777882/
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