Rosely Nakagawa desembarcava em Belém pela primeira vez, há 40 anos, a convite do fotógrafo Luiz Braga, para participar de uma Semana de Fotografia promovida pela Funarte. O que seria uma visita pontual se transformou em uma relação duradoura.
Nesta semana, a curadora e pesquisadora retorna mais uma vez à capital paraense para ministrar a palestra “O Barroco e o Trabalho na Fotografia Contemporânea”, no próximo dia 27, no Centro Cultural Banco da Amazônia. A atividade integra a programação educativa da exposição “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, em cartaz até 16 de agosto, com patrocínio do Banco da Amazônia.
Fundadora da histórica Galeria Fotoptica e uma das principais responsáveis pela consolidação da fotografia brasileira nas últimas décadas, Rosely construiu uma trajetória marcada pela criação de exposições, livros, acervos e projetos que ajudaram a formar gerações de fotógrafos. Sua ligação com Belém, no entanto, extrapola a agenda profissional.
“Cheguei em Belém pela primeira vez em 1985, a convite do Luiz Braga, para a Semana de Fotografia da Funarte. Nunca mais deixei de voltar”, recorda Rosely.
Ao longo das décadas, ela acompanhou a consolidação da fotografia paraense e participou da organização do livro “Panorama da Fotografia Paraense”, reunindo autores que ajudaram a projetar a produção amazônica nacional e internacionalmente. Na palestra, a curadora propõe uma leitura do barroco para além das questões formais.
A partir da obra de Sebastião Salgado e da representação do trabalho na fotografia contemporânea, ela pretende discutir os processos históricos e sociais que moldaram a produção artística brasileira.

“Quando menciono o Barroco, não me refiro apenas à estética, mas à forma como esse movimento artístico foi constituído. O Barroco brasileiro foi sustentado pela exploração da força do trabalho escravo, tanto de africanos quanto de indígenas. A riqueza gerada pela cana-de-açúcar e pela mineração financiou igrejas e obras de arte, enquanto artesãos e artistas escravizados e libertos foram os responsáveis diretos pela execução e criação artística desse período. É sobre isso”, afirma.
Rosely também chama atenção para os impactos provocados pela tecnologia e pela popularização das imagens digitais.
“As maiores mudanças vieram com a fotografia digital e com as transformações sociais que ela trouxe. Hoje, essa fotografia feita na ponta do dedo, muitas vezes sem passar pelo cérebro, perdeu o sentido”, observa.
Para ela, esse encontro ou reencontro com Belém, é um convite para pensar a fotografia em seu papel social. “Gostaria de reunir um público interessado em discutir o papel da fotografia no comportamento social”, resume.

A exposição
Aberta desde abril na Galeria 1 do Centro Cultural Banco da Amazônia, a exposição Trabalhadores vem proporcionando ao público paraense um encontro raro com uma das obras mais emblemáticas do fotógrafo Sebastião Salgado.
Em cartaz até 16 de agosto, a mostra reúne imagens produzidas entre 1986 e 1992 em mais de 20 países, registrando garimpeiros, pescadores, agricultores, operários, mineiros e trabalhadores de diferentes ofícios em um momento em que o mundo ainda vivia a transição entre formas tradicionais de trabalho e os impactos da industrialização e da globalização.
O conjunto de fotografias em preto e branco é de grande força estética, mas Trabalhadores impressiona também pela escala humana. O ensaio inclui registros históricos, como a célebre série feita na Serra Pelada, no Pará, considerada uma das imagens mais conhecidas da fotografia contemporânea.
A exposição convida o visitante a refletir sobre dignidade, esforço, desigualdades e sobre a relação entre trabalho e sociedade. É também uma oportunidade rara para acessar, gratuitamente, uma das obras mais importantes da fotografia mundial.
Em tempos em que milhões de imagens são produzidas diariamente e desaparecem com a mesma rapidez, Trabalhadores permanece como um testemunho poderoso da condição humana e uma oportunidade de reencontro com a força da fotografia.
Serviço
Palestra “O Barroco e o Trabalho na Fotografia Contemporânea”
Com Rosely Nakagawa
27 de junho de 2026 (sábado)
10h às 11h
Centro Cultural Banco da Amazônia
Av. Presidente Vargas, 800 – Campina – Belém
Gratuito
Inscrições pelo perfil @expotrabalhadores
Link: https://forms.gle/wSZYFr619TJ3pX7B6
Exposição “Trabalhadores” – Sebastião Salgado
Até 16 de agosto de 2026
Galeria 1 do Centro Cultural Banco da Amazônia
Av. Presidente Vargas, 800 – Campina – Belém
Entrada gratuita
Visitação
Terça a sexta, das 10h às 16h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h
Realização: Maré Produções
Patrocínio: Banco da Amazônia
Onde tem patrocínio, tem Governo Federal
Leia mais sobre a exposição: link


