77 jovens músicos da Guiana Francesa e do Norte do Brasil chegam a Belém nestes dias para uma jornada binacional. Começa a etapa pública do projeto que forma a Orquestra Amazônica de Jovens – Ecos da Amazônia.
Anotem: 3 e 4 de dezembro. São dois dias de ensaios abertos no Theatro da Paz, antes da viagem a Caiena e da apresentação final prevista para janeiro.
Para quem vive a cidade e acompanha a cena musical amazônica, é uma oportunidade rara: ver nascer, aqui, uma orquestra que desperta plural, transnacional e alinhada com um novo ciclo de cooperação cultural.
Fruto de cooperação entre Brasil e Guiana Francesa, a Orquestra Amazônica de Jovens – Ecos da Amazônia integra permanentemente jovens musicistas de 14 a 25 anos em uma formação que une excelência técnica, criação contemporânea e valorização do patrimônio amazônico. É música, mas também é política do encontro.
Apresentada pelo Ministério da Cultura, Banco da Amazônia e Conservatoire de Musique, Danse et Théâtre de Guyane, com sustentação do Institut Français e do Comitê de patrocinadores da Temporada França–Brasil 2025, a iniciativa é produzida pela Academia Paraense de Música, integrando oficialmente a programação da Temporada e conta com apoio da CNP Seguradora, via Lei Rouanet.

A base do projeto nasce do trabalho conjunto entre o Conservatoire de Guyane e a Academia Paraense de Música, que estruturaram uma formação orquestral capaz de circular entre os dois territórios. A parceria se estende ainda à EMUFPA e ao Conservatório Carlos Gomes, reforçando a dimensão formativa do processo.
Os primeiros ensaios acontecem agora, nos dias 3 e 4 de dezembro, no Theatro da Paz. Depois disso, os jovens seguem para uma segunda etapa em janeiro, em Caiena, preparando o concerto final do dia 29. Essa construção coletiva é sintetizada nas palavras do presidente do Conservatoire de Guyane:
“O projeto permite ouvir, ver e viver uma Amazônia solidária, plural e criativa. Eles serão a expressão de um engajamento artístico e cidadão em favor de um mundo mais justo, sensível e sustentável.” – Serge Long Him Nam
A seleção dos músicos parte de escolas municipais de Saint-Laurent du Maroni e Kourou, na Guiana Francesa, somando-se aos estudantes da EMUFPA e da Fundação Carlos Gomes.
Diferentes histórias, sotaques, vivências e técnicas se encontram para reafirmar aquilo que a Amazônia conhece bem: a música sempre foi um vetor identitário na região. Esse corpo jovem é o motor do projeto. São eles que dão vida à proposta de uma Amazônia plural, transfronteiriça e em movimento, uma Amazônia capaz de se reconhecer no outro.

Criação contemporânea como eixo
A orquestra traz obras inéditas criadas especialmente para Ecos da Amazônia. Quatro compositores foram convidados a traduzir, em música, paisagens, memórias e tensões do território:
Cibelle Donza (Belém, Brasil), Denis Lapassion (Guiana Francesa), Fabrice Pierrat (Guiana Francesa) e Pierre Thilloy (França).
As peças abordam ancestralidade, diálogos culturais, fronteiras, ecologia e futuro. Juntas, desenham um repertório que não busca “explicar” a Amazônia, mas dialogar com ela em múltiplas camadas, indo do erudito ao orgânico, do contemporâneo ao ancestral.
Serviço
Orquestra Amazônica de Jovens – Ecos da Amazônia – Ensaios abertos: 3 e 4 de dezembro, às 20h, no Theatro da Paz – Praça da República, s/n, Centro, Belém – PA. Entrada gratuita — retirada de ingressos na bilheteria no dia da apresentação.


