Nesta segunda-feira, 02 de fevereiro, o universo das letras e das artes se despediu de uma de suas vozes mais alegres e apaixonadas: Heliana Barriga, natural de Castanhal (PA), cuja obra marcou gerações com poesia, música e histórias que pareciam sussurradas direto do coração da Amazônia.
Heliana Barriga ultrapassou as páginas de livros, se expressou com o corpo, as mãos, a palavra, a música, tudo isso transformado por ela em experiência viva.
Por mais de quatro décadas, ela percorreu escolas, feiras, praças e encontros literários levando brincadeira, rima e encantamento a crianças e adultos.
Em 2023, recebeu homenagem na 26ª edição da Feira Pan-Amazônica do Livro, que aliás, ela viu nascer. Sua escrita, repleta de musicalidade, humor e inventividade, nasceu do amor pela natureza, pelo folclore e pelas formas simples de vivenciar o mundo.
Em obras como A Abelha Abelhuda e Perereca Sapeca, as palavras dançam como letras que pulam e cantam, convidando o leitor a rir, imaginar e sentir. Narrativas que guardam a identidade amazônica, enquanto também falam de sonhos e encontros.

Além da literatura, Heliana encontrou na música uma linguagem parceira. Com sanfona, versos e melodias, ela deu voz a personagens e histórias, tornando a experiência de ler um livro também um momento de canto e celebração.
Era comum vê-la entre crianças, transformando cada leitura em conversa, cada palavra em riso e cada história em amizade. Por isso, seu legado não se mede apenas em livros publicados, são as vidas que ela tocou, leitores que ela formou e a imaginação que ela ajudou a libertar.
Heliana deixa um legado de inspiração, sensibilidade e doçura que seguirá vivo nos corações de quem teve o privilégio de ouvir suas histórias e sentir de perto a sua alegria. A escritora, poeta, contadora de histórias, musicista e amiga das pequenas grandes curiosidades da vida tinha 75 anos de idade e de acordo com familiares, ela sofreu um infarto. O velório ocorre a partir das 19h no Teatro Waldemar Henrique.


